Lewandowski alerta: resistência de governadores ameaça combate ao crime no Brasil
Declaração foi feita durante evento em Brasília, promovido pela Secretaria Nacional de Segurança Pública
Lula Marques/Agência Brasil
O ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, afirmou, na última quinta-feira (11), que ainda existem governadores que não compreendem plenamente o pacto federativo previsto na Constituição. Segundo ele, alguns gestores estaduais “ainda pensam que os Estados são soberanos”, quando, na verdade, fazem parte de uma federação regida por regras constitucionais que definem claramente as competências de cada ente da Federação.
Articulação entre União e Estados
A declaração foi feita durante um evento em Brasília, promovido pela Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), que reuniu representantes dos governos estaduais para discutir ações integradas no combate ao crime organizado e o papel do governo federal no apoio às forças de segurança locais. Ao abordar as dificuldades de articulação entre União e Estados, Lewandowski disse que a cooperação é essencial para o enfrentamento da criminalidade, mas ressaltou que essa colaboração esbarra, em alguns casos, em interpretações equivocadas por parte de algumas gestões estaduais.
“Há governadores que ainda pensam que os Estados são soberanos. Não são. Nós vivemos em um Estado federalista, e isso implica colaboração e respeito à Constituição. As competências estão definidas. Precisamos trabalhar juntos, porque o crime organizado não respeita fronteiras e avança quando há desunião entre os entes federativos”, afirmou o ministro.
Lewandowski destacou que o Ministério da Justiça vem atuando de forma constante para integrar as polícias civis, militares e federais, fortalecendo as operações interestaduais e o compartilhamento de informações entre os órgãos de segurança. Ele também defendeu que o governo federal não pretende invadir competências dos Estados, mas sim atuar de forma colaborativa para aumentar a eficácia das ações de combate ao crime, especialmente nas regiões de fronteira e nas grandes cidades.
Cooperação no centro das políticas de segurança
Desde que assumiu o Ministério da Justiça, em janeiro deste ano, Lewandowski tem adotado um discurso voltado para a integração entre as esferas de poder. No entanto, interlocutores da pasta relatam que a resistência de alguns governadores à atuação federal ainda representa um entrave na execução de determinadas ações, sobretudo aquelas que envolvem operações conjuntas ou o uso da Força Nacional.
O ministro usou o encontro para reforçar a importância da adesão dos Estados ao Plano de Ação na Segurança Pública, lançado pelo governo federal como forma de padronizar diretrizes e estimular a cooperação técnica. Ele ressaltou que o plano tem sido bem recebido pela maioria dos governos estaduais, mas frisou que a adesão deve vir acompanhada de “maturidade institucional”.
“Estamos oferecendo apoio, tecnologia, inteligência e recursos. Mas para que tudo isso funcione, é preciso disposição para trabalhar em conjunto, sem vaidades políticas e com foco no bem comum”.
“A segurança pública é uma responsabilidade de todos, não apenas da União”, reforçou Lewandowski.
Federalismo cooperativo
A fala do ministro reacende o debate sobre o chamado federalismo cooperativo, modelo adotado pelo Brasil desde a Constituição de 1988, que prevê a divisão de competências entre União, Estados e municípios, mas também estimula a cooperação entre os entes. No entanto, na prática, há recorrentes tensões sobre até onde vai a autonomia dos Estados, especialmente em áreas sensíveis como saúde, segurança e educação.
Apesar das críticas, Lewandowski reiterou que o diálogo com os governadores será mantido e que a atuação do Ministério seguirá pautada pelo respeito institucional. “Queremos somar forças. O que está em jogo é a vida das pessoas, e isso está acima de qualquer divergência política”, concluiu.
Mais Lidas
Política
Governo lança nesta semana Pacto Brasil de Enfrentamento ao Feminicídio
Últimas Notícias
Governo lança nesta semana Pacto Brasil de Enfrentamento ao Feminicídio
Paroano Sai Milhó comanda show especial de Carnaval no Sesi Rio Vermelho
Novo salário mínimo de R$ 1.621 começa a valer nesta segunda-feira
Reajuste do valor impacta benefícios do INSS, seguro-desemprego e contribuições previdenciárias em 2026
Cármen Lúcia diz que 2026 exigirá ‘comportamentos mais rigorosos’ e ‘transparentes’ de juízes eleitorais
Presidente do TSE afirma que Judiciário deve atuar com clareza e independência no próximo pleito
Bahia emite primeira CNH do Brasil com processo digital e custos reduzidos
Documento inaugura integração nacional do processo e amplia acesso à habilitação com redução de custos
Inflação recua e mercado reduz projeção para 3,99% em 2026, aponta boletim Focus
Boletim Focus aponta IPCA abaixo do teto da meta, PIB em 1,8% e expectativa de queda gradual da Taxa Selic
Em mensagem ao Congresso, Lula exalta avanços econômicos e aponta fim da escala 6×1 como desafio para 2026
Governo destaca avanços econômicos, agenda social e aposta em parceria com Legislativo
Licia Fábio reúne convidados no Amado em celebração à Iemanjá e revela novidades do Camarote Brown: ‘É o samba na Bahia’
Ao Portal M!, promoter destaca importância da data, das parcerias e dá detalhes dos projetos para o verão e o Carnaval
BBB 26: participantes vão para o ‘Tá Com Nada’ após sequência de punições gravíssimas
Infrações gravíssimas cometidas por Ana Paula Renault e Milena atingem o limite do Vacilômetro e levam todos os participantes à penalização coletiva
Carlos Muniz destaca parceria com o Executivo, projeta avanços para Salvador e adia decisão sobre candidatura do filho
Presidente da CMS diz nova legislatura será marcada pela união entre o Legislativo e o Executivo municipal, com foco em ações para melhorias na cidade
Congresso inicia último ano da legislatura com foco em medidas provisórias, CPIs e articulações para o STF
Retomada dos trabalhos ocorre em meio a calendário eleitoral, análise de vetos e articulações entre Executivo, Legislativo e Judiciário
Kiki Bispo destaca alinhamento entre Câmara e Executivo, projeta agenda de entregas e nega candidatura em 2026
Vice-líder do governo na Câmara destaca alinhamento com o Executivo, diálogo com a oposição e expectativa de avanços em áreas estratégicas