Efeito Caiado muda o jogo: PSD articula chapa puro-sangue e ‘xerifão da República’, diz João Santana
Para marqueteiro baiano, principal desafio para sigla é sustentar uma candidatura presidencial de oposição sem implodir seus acordos regionais
Reprodução/Instagram @joaosantanareal
A política brasileira viveu uma semana de intensas articulações com a filiação do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, ao PSD. O movimento, articulado pelo cacique Gilberto Kassab, não apenas retira um dos nomes mais fortes da direita do União Brasil, como estabelece as bases para o que o estrategista de marketing político baiano João Santana define como um realinhamento profundo para as eleições presidenciais de 2026.
Em análise recente, Santana destacou que a entrada de Caiado no PSD abre caminho para uma composição que pode alterar radicalmente a polarização entre o lulismo e o bolsonarismo. A tese central gira em torno de uma “chapa puro-sangue” do PSD, que uniria a força do agronegócio, o perfil técnico e a renovação geracional de três governadores de peso: Ratinho Jr. (PR), Eduardo Leite (RS) e Ronaldo Caiado (GO).
‘Xerifão da República’ e chapa dos governadores
Segundo as projeções de João Santana, o cenário que começa a ser desenhado nos bastidores prevê o governador do Paraná como o candidato à Presidência da República. Santana aponta Ratinho como o nome com maior “potencial de crescimento” dentro deste bloco, por combinar baixa rejeição e uma gestão aprovada em um estado estratégico. O vice seria o antigo tucano Eduardo Leite, consolidando um palanque robusto no Sul e atraindo o eleitorado de centro.
O papel de Ronaldo Caiado nesta engrenagem seria inédito e audacioso. Em vez de disputar a cabeça de chapa, o governador goiano seria lançado de forma antecipada como o futuro “Xerifão da República”. A proposta é que ele ocupe um superministério da Justiça e Segurança Pública, utilizando sua imagem de rigor no combate à criminalidade — marca de sua gestão em Goiás — como um dos principais trunfos eleitorais da coalizão.
“A formação de uma chapa puro-sangue, tendo o Ratinho na cabeça e Eduardo Leite de vice, com um lançamento pomposo e antecipado de Caiado para ocupar no futuro um superministério, criaria um realinhamento importante. Caiado seria o xerifão que o Brasil busca”, avalia Santana.
Caiado, inclusive, ao se lançar pré-candidato a presidente da República – em abril do ano passado, em Salvador, na época pelo União Brasil – colocou a segurança como seu principal mote de campanha e tem sido um ferrenho crítico ao governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT). O Estado, além de ser um dos principais redutos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), lidera o ranking de violência no país.
Tabuleiro de Kassab: equilíbrio entre alianças e protagonismo
O grande articulador deste movimento, Gilberto Kassab, joga em várias frentes. Ao filiar Caiado, ele preserva o protagonismo do PSD e evita que a legenda se torne “linha de apoio” precoce para o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ou para o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP). Entretanto, o caminho não está isento de espinhos.
O principal desafio para o PSD é sustentar uma candidatura presidencial de oposição sem implodir seus acordos regionais. O partido é um “camaleão” político que integra governos de espectros opostos nos estados:
- Bahia e Rio de Janeiro: Na Bahia, o PSD é base de Jerônimo Rodrigues (PT) e, no Rio, o prefeito Eduardo Paes é aliado de primeira hora de Lula. Sustentar um palanque de oposição nacional nestes locais exigirá um malabarismo diplomático sem precedentes.
- Pernambuco: Santana cita a governadora de Pernambuco, Raquel Lyra, como um trunfo adicional nas mãos de Kassab. Recém-chegada ao PSD, ela pode ser a ponte para o Nordeste, mas também lida com as pressões de uma base dividida entre o apoio ao Planalto e as necessidades locais.
Desafio de Lula e Flávio Bolsonaro
Para João Santana, o surgimento deste “blocão de centro-direita” obrigará as campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro a recalcularem rotas. Se por um lado o PT precisa evitar que o PSD — hoje um aliado ministerial — se torne um inimigo eleitoral agressivo, o bolsonarismo corre o risco de perder o eleitorado conservador moderado para uma chapa que oferece “ordem e gestão” sem o passivo ideológico do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
“Os estrategistas de Lula e Flávio Bolsonaro terão muito trabalho pela frente. Mas também não será fácil a tarefa desse novo bloco. Eles precisam provar que essa união não é apenas uma soma de siglas, mas um projeto de país que sobreviva às brigas regionais”, conclui Santana.
A janela de desincompatibilização em abril será o verdadeiro teste de estresse para este plano, quando os governadores terão que decidir se abandonam suas cadeiras para apostar tudo na aventura presidencial do PSD.
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