Eduardo Bolsonaro admite que discutiu tarifa dos EUA antes de anúncio e diz que concorda com taxação: ‘Tarifa-Moraes’
Deputado e aliado revelam que sanções foram debatidas antes do anúncio oficial, contrariando versão de Jair Bolsonaro sobre relação com tarifa
Bruno Spada/Câmara dos Deputados
As recentes falas do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e do influenciador Paulo Figueiredo revelaram que a imposição de tarifas comerciais pelos Estados Unidos ao Brasil, foi discutida entre eles e autoridades do governo americano antes do anúncio oficial feito por Donald Trump. As declarações contrariam diretamente o que disse o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que negou qualquer envolvimento do seu grupo político com a decisão norte-americana.
O episódio reacende o debate sobre a articulação internacional da ala bolsonarista e o impacto da política externa não oficial conduzida por parlamentares e influenciadores alinhados à extrema direita. A tarifa imposta pelo governo Trump de 50% sobre produtos brasileiros foi a maior anunciada na nova leva de sanções.
Parlamentares defendiam sanções contra autoridades brasileiras
Segundo os relatos feitos durante entrevista ao podcast “Inteligência Ltda”, tanto Eduardo Bolsonaro quanto Paulo Figueiredo foram consultados por representantes da gestão Trump sobre possíveis medidas contra o Brasil. Na ocasião, eles defenderam que eventuais sanções fossem aplicadas diretamente contra autoridades específicas, como o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, e outros integrantes do Judiciário e do governo Lula.
“Quando essa opção foi discutida com o deputado Eduardo Bolsonaro e nós, nós demos a nossa opinião. Na nossa opinião, esta medida não era a melhor a ser aplicada naquele momento. Nós advogamos na direção de sanções direcionadas aos agentes principais da ditadura”, disse Paulo Figueiredo.
A ideia original, segundo Figueiredo, era evitar penalizações generalizadas à economia brasileira, concentrando as consequências sobre figuras que, na avaliação do grupo bolsonarista, seriam responsáveis por uma “crise institucional”. No entanto, após a decisão final de Trump pelas tarifas comerciais, ambos mudaram de posição e passaram a endossar a medida.
Eduardo e Figueiredo agora apoiam o ‘tarifaço’
Apesar da postura inicial contrária à taxação ampla, Eduardo Bolsonaro afirmou agora considerar as tarifas como uma resposta legítima à situação política brasileira. Ele classificou a medida como necessária para “preservar as liberdades” no país, criticando diretamente o ministro Alexandre de Moraes, a quem atribui o que chama de autoritarismo judicial.
Paulo Figueiredo também voltou atrás em sua posição original e disse estar “100% convencido” de que Trump tomou a decisão correta. Eduardo, por sua vez, apelidou o pacote de sanções de “Tarifa-Moraes”, reforçando o discurso de que a motivação da medida seria uma reação à atuação do Supremo Tribunal Federal.
O deputado federal utilizou ainda exemplos hipotéticos, como o de trabalhadores de aplicativo que poderiam ser impactados pelas tarifas, para ilustrar a importância de defender a liberdade de expressão como valor prioritário — mesmo acima de interesses comerciais.
Jair Bolsonaro tenta se desvincular da decisão
Apesar do envolvimento declarado de seu filho e de aliados próximos, o ex-presidente Jair Bolsonaro negou que sua base política tenha qualquer relação com a decisão anunciada por Donald Trump. Em entrevista à jornalista Andréia Sadi, do G1, Jair Bolsonaro afirmou que a medida foi tomada de forma unilateral pelo governo norte-americano e que não possui nenhum canal de comunicação ativo com autoridades dos EUA.
Segundo o ex-presidente, Eduardo Bolsonaro não teria qualquer autoridade para tratar de assuntos diplomáticos ou comerciais em nome do Brasil. Ele classificou como “mentira” as tentativas de associar o seu grupo político à imposição da tarifa de 50% e reforçou que não tem relação com a decisão de Washington.
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