Datafolha revela desvantagem de Flávio Bolsonaro em disputa com Lula e expõe fragilidade da direita em 2026
Desempenho abaixo da média entre nomes conservadores contrasta com avanços de governadores e amplia debate sobre sucessão presidencial
Jefferson Rudy/Agência Senado
A mais recente pesquisa Datafolha redesenha o tabuleiro político para as eleições de 2026 e expõe um cenário de fragilidade entre os nomes da direita que ensaiam disputar a Presidência da República. O levantamento mostra que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) é o pré-candidato com o pior desempenho em um eventual segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ao mesmo tempo em que a rejeição aos membros da família Bolsonaro permanece superior à de governadores do campo conservador.
Segundo o instituto, Flávio alcançaria 36% das intenções de voto contra 51% de Lula, mantendo uma diferença de 15 pontos percentuais. A rejeição ao senador chega a 38%, o que, de acordo com especialistas ouvidos pelo próprio instituto, reduz a capacidade de expansão do seu eleitorado e dificulta sua consolidação como nome de consenso no bloco da direita. Os dados reforçam a dificuldade do grupo em apresentar uma alternativa competitiva após a inelegibilidade do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
“A direita está sem bússola”, afirmou o líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), ao avaliar o cenário revelado pela sondagem.
Família Bolsonaro enfrenta rejeição maior que a de governadores
O levantamento também analisou o desempenho de Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e Michelle Bolsonaro (PL), reforçando um padrão de dificuldades para figuras ligadas diretamente ao bolsonarismo. Conforme o Datafolha, Eduardo registraria 35% dos votos contra Lula, enquanto Michelle chegaria a 39%. Em ambos os casos, a rejeição ultrapassa 35%, refletindo desgaste acumulado após crises políticas e decisões judiciais envolvendo Jair Bolsonaro.
De acordo com o Datafolha, os percentuais de rejeição dos Bolsonaros contrastam com os de governadores considerados alternativas pela direita. O governador de São Paulo Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) tem rejeição de 20%, enquanto o governador do Paraná Ratinho Jr. (PSD-PR) e o governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo-MG) aparecem com 21% cada. Esses índices, conforme analistas citados pelo instituto, ampliam o potencial de crescimento desses governadores diante de um eleitorado moderado.
Simulações com governadores mostram disputa mais equilibrada contra Lula
Os cenários testados com governadores revelam disputas significativamente mais apertadas do que aquelas envolvendo a família Bolsonaro. Quando o oponente é Tarcísio de Freitas, Lula venceria por 47% a 42%, diferença bem menor do que a registrada no confronto com Flávio Bolsonaro. Segundo o Datafolha, Tarcísio aparece como o nome mais competitivo da direita até o momento.
A simulação com Ratinho Jr. segue a mesma tendência. De acordo com o instituto, Lula teria 47%, contra 41% do governador do Paraná. Embora ainda haja vantagem para o atual presidente, o levantamento indica que nomes com rejeição mais baixa têm maior capacidade de atrair indecisos e disputar votos de centro, algo que se mostra mais difícil para os Bolsonaros.
Pesquisa antecede anúncio de Flávio como pré-candidato
O levantamento do Datafolha ouviu 2.002 eleitores em 113 municípios, entre terça e quinta-feira da semana anterior à divulgação. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. Conforme o instituto, as entrevistas foram realizadas antes do anúncio oficial da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro.
O estudo também mediu a rejeição de Lula, que chega a 44%, enquanto Jair Bolsonaro aparece com 45%, o índice mais alto registrado entre os nomes avaliados. Para analistas do Datafolha, esse quadro evidencia um ambiente eleitoral polarizado, no qual a rejeição se torna um elemento central para medir a viabilidade dos pré-candidatos.
PT avalia cenário como favorável e vê fragmentação na direita
A leitura dentro do Partido dos Trabalhadores é de que os dados reforçam a posição de Lula e revelam desarticulação interna na direita. Conforme José Guimarães, a prisão de Jair Bolsonaro teria ampliado a disputa por protagonismo entre diferentes grupos, dificultando a construção de uma candidatura unificada. Segundo ele, “não existe uma liderança da direita que os unifique. Bolsonaro não quer protagonismo de Tarcísio”.
O líder do governo também destacou fatores regionais que, de acordo com ele, reforçam a vantagem do PT. Para Guimarães, estados estratégicos como São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais devem definir o rumo da disputa nacional. Ele afirmou que a direita tende a se fragmentar ainda mais diante de disputas internas por espaço e influência.
PT mira alianças e nomes fortes nos maiores colégios eleitorais
Dentro do planejamento eleitoral do PT, a estratégia inclui consolidar alianças nos maiores colégios eleitorais do país. No Rio de Janeiro, o partido lançará Benedita da Silva (PT-RJ) ao Senado e apoiará a candidatura do prefeito Eduardo Paes (PSD) ao governo estadual. Segundo dirigentes petistas, esse acordo amplia a força da sigla no estado.
Em São Paulo, o debate envolve uma possível candidatura do ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), ou apoio ao vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB). Ambos aparecem como opções viáveis, de acordo com dirigentes consultados pelo partido. Em Minas Gerais, o PT ainda busca construir alianças que permitam viabilizar um nome competitivo para a disputa.
A avaliação interna, conforme fontes ouvidas pelo PT, é de que o desempenho eleitoral de Flávio Bolsonaro e de outros nomes da direita reforça a vantagem do partido na largada da corrida presidencial, embora o cenário permaneça aberto e sujeito a mudanças conforme os desdobramentos políticos de 2026.
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