CCJ do Senado aprova fim da reeleição para presidente, governadores e prefeitos

Proposta unifica eleições no Brasil para que todos cargos sejam disputados de uma única vez, a partir de 2034, acabando com eleições a cada dois anos


Redação
Redação 21/05/2025 15:26 • Política
CCJ do Senado aprova fim da reeleição para presidente, governadores e prefeitos - Geraldo Magela/Agência Senado
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A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou, nesta quarta-feira (21), a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 12/2022, que extingue a possibilidade de reeleição para presidente da República, governadores e prefeitos. O texto também amplia os mandatos eletivos do Executivo, de deputados e vereadores para cinco anos. As informações são da Agência Brasil.

A proposta segue agora para análise no plenário do Senado. Entre as mudanças, está a unificação das eleições para todos os cargos a partir de 2034, encerrando o modelo atual de votações a cada dois anos.

Transição será gradual

O período de transição prevê que, em 2026, as regras atuais sejam mantidas. Já em 2028, prefeitos poderão disputar a reeleição pela última vez. Os eleitos nesse pleito terão mandatos de seis anos, com o objetivo de ajustar o calendário e permitir a coincidência de eleições em 2034.

Em 2030, os governadores eleitos em 2026 também poderão se reeleger pela última vez. A partir de 2034, todas as eleições serão unificadas e não será mais permitida a recondução a cargos do Executivo.

Mandato dos senadores será ajustado

Inicialmente, a PEC previa mandatos de dez anos para senadores. No entanto, após debates na CCJ, o relator Marcelo Castro (MDB-PI) acatou a sugestão de reduzir o tempo para cinco anos, igualando ao dos demais cargos.

A única coisa que mudou no meu relatório foi em relação ao mandato de senadores que estava com dez anos. Eu estava seguindo um padrão internacional, já que o mandato de senador sempre é mais extenso do que o mandato de deputado. Mas senti que a CCJ estava formando maioria para mandatos de cinco anos, então me rendi a isso”, afirmou o relator.

Com a mudança, senadores eleitos em 2030 terão mandatos de nove anos, permitindo que, a partir de 2039, todos passem a cumprir mandatos de cinco anos. A proposta também determina que os três senadores por estado sejam eleitos de uma só vez, diferente do sistema atual que alterna as cadeiras.

A PEC foi aprovada sem votos contrários. Parlamentares argumentaram que o fim da reeleição e o fim das eleições a cada dois anos são medidas positivas para o sistema político brasileiro.

Reeleição foi alvo de críticas na comissão

O relator Marcelo Castro defendeu a extinção da reeleição ao apontar desequilíbrio entre candidatos no exercício do mandato e os demais concorrentes. Para ele, a vantagem da máquina pública prejudica a competição eleitoral.

Foi um malefício à administração pública do Brasil a introdução da reeleição, completamente contrária a toda a nossa tradição republicana. Acho que está mais do que na hora de colocarmos fim a esse mal”, disse Castro durante a sessão.

Fernando Henrique reconheceu erro após 23 anos

A reeleição no Brasil foi instituída durante o primeiro mandato do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), por meio de uma emenda constitucional aprovada em 1997. Com isso, FHC disputou e venceu o pleito seguinte, em 1998.

Passados 23 anos da mudança, o próprio Fernando Henrique classificou a criação da reeleição como um “erro” e passou a defender a extinção do mecanismo. Segundo ele, era uma medida “a ser feita”.

As últimas eleições municipais, realizadas em 2024, registraram um recorde histórico de prefeitos reeleitos: 2.461. Em 2022, também foi alcançado o maior número de governadores reeleitos, totalizando 18.

Desde a criação da reeleição, todos os presidentes eleitos em primeiro mandato conseguiram se reeleger. A única exceção foi Jair Bolsonaro (PL), derrotado em 2022 após tentar a recondução.

Otto Alencar critica reeleição e diz que modelo atual ‘vai acabar com a democracia’

Em entrevista ao Portal M!, na última sexta-feira (16), o senador e presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, Otto Alencar (PSD), voltou a defender o fim da reeleição e das eleições a cada dois anos. Na ocasião, o pessedista afirmou que o modelo em vigor compromete a democracia e prejudica a governabilidade no país.

“Se não acabar a eleição de dois em dois anos e com a reeleição, esse modelo vai acabar com a democracia, você pode ter certeza absoluta. Não vai dar para suportar isso. Termina a eleição, começa outra, não se fala em absolutamente nada a não ser eleição”, afirmou Otto.

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