Câmara aprova urgência de projeto de anistia; 14 deputados baianos votam a favor
Proposta será relatada por Paulinho da Força e pode beneficiar condenados pelo STF, incluindo envolvidos na tentativa de golpe de Estado
Bruno Spada/Câmara dos Deputados
A Câmara dos Deputados aprovou, na noite desta última quarta-feira (17), o requerimento de urgência para a tramitação de um projeto de anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023 e em manifestações de cunho político realizadas desde 30 de outubro de 2022. O placar foi de 311 votos a favor, 163 contra e sete abstenções. Dos 39 deputados federais da bancada baiana, 14 votaram a favor da urgência, 19 foram contrários, um se absteve e cinco não votaram por não registrarem presença na sessão.
Com a urgência aprovada, o PL será relatado pelo deputado federal Paulinho da Força (Solidariedade-SP), apontado como articulador entre o Centrão e setores do STF. O anúncio foi feito, na manhã desta quinta-feira (18), pelo presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB). A proposta será analisada diretamente no plenário, sem passar por comissões, mas ainda será definido o alcance do texto, ou seja, quem poderá ser anistiado, inclusive, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 27 anos e três meses de prisão em regime fechado, no julgamento da trama golpista de 2023.
O que prevê projeto de anistia
O texto base concede perdão amplo a crimes relacionados a manifestações políticas e eleitorais desde o segundo turno da eleição presidencial de 2022. A proposta inclui apoiadores por diferentes formas de participação, como doações financeiras, apoio logístico e publicações em redes sociais.
O texto especifica que não serão beneficiados pela anistia aqueles que cometeram:
- Infrações disciplinares cometidas com motivação político-eleitoral por servidores públicos ou agentes de segurança pública.
- Tortura, tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, terrorismo e crimes hediondos.
- Crimes contra a vida.
- Crimes previstos nos arts. 129, 163, 165, 250 e 251 do Código Penal (lesão corporal, dano simples, perigo de desastre ferroviário, incêndio e explosão).
- Doações em dinheiro acima de R$ 40.000 para atos ou manifestações políticas ou eleitorais.
Parlamentares do centro defendem ajustes para reduzir o alcance da medida. Uma das alternativas em discussão é a chamada “anistia light” apresentada pelo deputado Marcelo Crivella (Republicanos-RJ), que não perdoaria integralmente as penas aplicadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), mas poderia suavizar condenações de apoiadores dos atos, excluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), sentenciado a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe.
Como votaram deputados da Bahia
No total, 14 parlamentares baianos votaram a favor, 19 contra, um se absteve e cinco não votaram.
Votaram a favor
- Adolfo Viana (PSDB)
- Alex Santana (Republicanos)
- Arthur Oliveira Maia (União Brasil)
- Capitão Alden (PL)
- Cláudio Cajado (PP)
- Dal Barreto (União Brasil)
- Elmar Nascimento (União Brasil)
- José Rocha (União Brasil)
- Leur Lomanto Júnior (União Brasil)
- Márcio Marinho (Republicanos)
- Paulo Azi (União Brasil)
- Pastor Sargento Isidório (Avante)
- Roberta Roma (PL)
- Rogéria Santos (Republicanos)
Votaram contra
- Alice Portugal (PCdoB)
- Bacelar (PV)
- Charles Fernandes (PSD)
- Daniel Almeida (PCdoB)
- Diego Coronel (PSD)
- Félix Mendonça Júnior (PDT)
- Gabriel Nunes (PSD)
- Ivoneide Caetano (PT)
- Jorge Solla (PT)
- Joseildo Ramos (PT)
- Josias Gomes (PT)
- Lídice da Mata (PSB)
- Mário Negromonte Jr. (PP)
- Otto Alencar Filho (PSD)
- Paulo Magalhães (PSD)
- Ricardo Maia (MDB)
- Valmir Assunção (PT)
- Waldenor Pereira (PT)
- Zé Neto (PT)
Abstenção
- Raimundo Costa (Podemos)
Ausentes
- Neto Carletto (Avante)
- Antonio Brito (PSD)
- João Carlos Bacelar (PL)
- João Leão (PP)
- Leo Prates (PDT)
Clima de tensão no plenário
A votação foi acompanhada por forte mobilização de governistas e oposicionistas. Parlamentares aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) entoaram o coro “sem anistia”, enquanto deputados bolsonaristas responderam com “anistia já”.
Segundo o líder do governo, Lindbergh Farias (PT-RJ), a aprovação da urgência representa “um retrocesso democrático”. Já o líder da oposição, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), afirmou que a medida busca “pacificação nacional” e acusou a esquerda de promover perseguição ideológica.
“É um dia triste para a democracia brasileira. Em um momento em que as instituições deveriam ser fortes, vimos o contrário ali dentro, uma rendição a esses golpistas”, afirmou Lindbergh Farias.
Apoio partidário
Os partidos PL, Republicanos e PP concentraram os votos favoráveis à urgência. O PL, sigla de Bolsonaro, entregou todos os 85 votos de sua bancada. O Republicanos teve 40 votos a favor e apenas uma ausência, enquanto o PP registrou 43 votos a favor e 6 contrários.
Na oposição, os votos contrários foram predominantes entre PT, PSB, PDT, PCdoB, PV, PSOL e Rede. O PT, por exemplo, votou de forma unânime contra a urgência com seus 66 deputados presentes.
Próximos passos
Ainda não há data para votação do mérito, mas a expectativa é que o texto seja discutido nas próximas semanas. O desafio será construir um consenso em torno de uma versão mais restrita, que evite anistia irrestrita e atenda a demandas de governistas e oposicionistas.
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