Consumo do baiano em 2025 cresce com cautela, enfrenta inadimplência elevada e tem turismo como principal motor
Alimentação, beleza, tecnologia e turismo puxaram gastos em Salvador, enquanto famílias ajustaram orçamento de olho em 2026
Divulgação/Abrasel-BA
O consumo das famílias baianas em 2025 foi marcado menos por euforia e mais por adaptação. Mesmo com inflação mais controlada e mercado de trabalho em níveis recordes, o avanço dos gastos ocorreu de forma seletiva, priorizando itens essenciais, serviços recorrentes e atividades ligadas ao turismo. Ao mesmo tempo, o alto endividamento e os juros elevados impuseram limites claros à expansão do consumo, especialmente no comércio tradicional.
Indicadores econômicos divulgados ao longo do ano mostram que o dinheiro continuou circulando, mas com mudanças importantes no destino dos gastos. Em Salvador, setores como alimentação, beleza, tecnologia e turismo concentraram o crescimento, refletindo tanto a dinâmica econômica quanto transformações no comportamento do consumidor.
Consumo sustentado pelo emprego, mas pressionado pelo crédito
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que 2025 foi um ano de forte dinamismo no mercado de trabalho baiano. No terceiro trimestre, o Estado atingiu o maior número de pessoas ocupadas da série histórica, com cerca de 6,6 milhões de trabalhadores, enquanto a taxa de desemprego caiu para 8,5%, a menor já registrada na Bahia. Segundo a supervisora de Disseminação de Informações do IBGE na Bahia, Mariana Viveiros, esse desempenho ajudou a sustentar a demanda interna, mesmo em um cenário de restrições.
“Dos seis principais indicadores de conjuntura econômica acompanhados pelo IBGE, apenas o setor de serviços apresentou queda acumulada no ano. O comércio, a indústria e a agropecuária mostram resultados positivos, com destaque para o turismo, que cresce pelo quinto ano consecutivo”, disse em entrevista ao Portal M!.
Apesar do avanço do emprego e da renda, o orçamento das famílias seguiu pressionado. Segundo análise do presidente do Sistema Comércio Bahia, Kelsor Fernandes, 73% dos lares de Salvador possuem algum tipo de dívida e 25% estão inadimplentes, reflexo de um ambiente de juros elevados, no qual o custo do crédito pessoal e do cartão se manteve em patamares elevados ao longo de 2025, limitando a capacidade de consumo.
“Os juros elevados reduzem o investimento privado, encarecem o crédito e comprimem as margens empresariais. Para o consumidor, o impacto é direto: o crédito pessoal passou de 45% para 50% ao ano e o do cartão, de 80% para 90%”, afirmou.
Ranking do consumo em 2025: onde o baiano mais gastou
Alimentação: crescimento com margens apertadas
A alimentação fora do lar manteve protagonismo no consumo, impulsionada pelo turismo e pelo calendário de eventos, mas viveu um ano desafiador. Em entrevista ao Portal M!, o presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes na Bahia (Abrasel-BA), Leandro Menezes, explicou que o crescimento veio mais do aumento do tíquete médio do que do fluxo de clientes.
“O faturamento do segmento deve fechar 2025 com acréscimo entre 4% e 5%, mas sem aumento do número de clientes. Cerca de 40% dos estabelecimentos operaram no prejuízo ao longo do ano, e apenas pouco mais de 20% conseguiram operar de forma saudável”, disse.
O endividamento das empresas do setor e a dificuldade de repassar custos ao consumidor seguem como entraves estruturais.
Beleza: consumo resiliente e formalização
Mesmo com inflação pressionando serviços pessoais, o setor de beleza manteve crescimento, apoiado em demanda recorrente, empreendedorismo e mudanças no estilo de vida. Serviços como estética, cuidados pessoais e bem-estar se consolidaram como gastos prioritários para parte das famílias, especialmente nas áreas urbanas.
Esse movimento acompanha a expansão de pequenos negócios e MEIs em Salvador, refletindo tanto consumo quanto geração de renda.
Tecnologia: vendas concentradas e consumo planejado
No comércio varejista, o desempenho positivo ficou concentrado em segmentos específicos. De acordo com o IBGE, farmácias, móveis, eletrodomésticos e material elétrico lideraram as altas nas vendas em 2025. O consumo de tecnologia e bens duráveis foi marcado por maior planejamento e aproveitamento de datas promocionais, como a Black Friday.
“O comércio acumula crescimento de 1,6% no ano, caminhando para o terceiro ano consecutivo de resultado positivo, ainda que em patamar menor do que em 2023 e 2024”, destacou Mariana Viveiros.
Turismo: o grande motor do gasto em Salvador
O turismo foi o setor com impacto mais amplo sobre o consumo. Em 2025, as atividades turísticas cresceram 7,4% na Bahia, um dos melhores resultados do país, impulsionando restaurantes, hospedagem, transporte e comércio local.
Segundo o IBGE, o segmento de serviços ligados ao turismo contrasta com a retração observada em outros ramos do setor de serviços, consolidando-se como o principal vetor de crescimento econômico no estado.
Indústria e renda ajudaram a sustentar demanda
Dados da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb) indicam que a economia baiana cresceu 2,6% em 2025. O desempenho é superior à média nacional estimada em 2,25%, sustentado principalmente pela agropecuária e pela indústria, que avançou 1,5%, com destaque para a construção civil, cuja expansão chegou a 3,9%.
O crescimento do emprego industrial, que teve alta de 1,1%, contribuiu para o aumento da massa salarial e ajudou a manter o consumo ativo ao longo do ano, mesmo em um ambiente de juros elevados e crédito restritivo. No entanto, para o presidente da Fieb, Carlos Henrique Passos, esse mesmo cenário se impõe como o principal limite para a continuidade do crescimento.
“O nível atual da taxa de juros inibe qualquer investimento”, afirmou Passos, ao alertar que o custo do crédito compromete a competitividade da indústria e restringe a capacidade de expansão do setor em 2026.
Expectativas para 2026: mais equilíbrio, menos fôlego
Para 2026, a expectativa é de desaceleração do crescimento, com o PIB da Bahia projetado em 1,4%, segundo a FIEB. Ainda assim, inflação mais baixa e possível redução gradual dos juros podem abrir espaço para melhora do consumo, especialmente no segundo semestre.
Na avaliação da Abrasel-BA, o setor de alimentação fora do lar aposta em um cenário um pouco melhor, puxado pela alta estação e pelo turismo, embora os desafios estruturais permaneçam. “Será um ano de transição e planejamento. O empreendedor precisa entender a mudança no comportamento do consumidor e se adaptar a um novo padrão de consumo”, afirmou Leandro Menezes ao Portal M!.
Rayllanna Lima
Rayllanna Lima é jornalista e especialista em Marketing e Growth, movida pelo desejo de transformar dados em narrativas que informam, conectam e inspiram. Autora do livro Renascer, reúne experiências em veículos de comunicação, agências e empresas dos setores de energia e pesquisa de mercado, com foco em integrar pessoas, marcas e propósito.
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