China ultrapassa marca inédita de superávit comercial de US$ 1 trilhão
O resultado mostra a dominância que o país alcançou em tudo, desde veículos elétricos de última geração a camisetas de baixo custo
Reprodução/Wikipedia
Este ano, a China alcançou um marco histórico: pela primeira vez, seu superávit comercial anual ultrapassou a marca de US$ 1 trilhão. Os dados oficiais mostram que, nos primeiros 11 meses do ano, o saldo entre exportações e importações atingiu cerca de US$ 1,076 trilhão. O resultado mostra a dominância que o país alcançou em tudo, desde veículos elétricos de última geração a camisetas de baixo custo.
Nos primeiros 11 meses do ano, as exportações do país asiático cresceram 5,4% em relação ao mesmo período do ano anterior, atingindo US$ 3,4 trilhões, enquanto as importações do país diminuíram 0,6%, chegando a US$ 2,3 trilhões. Isso elevou o superávit comercial do país para US$ 1,08 trilhão, informou a Administração Geral de Aduanas da China nesta segunda-feira (8).
Parte desse desempenho se explica pela reorientação do comércio chinês: com a queda nos embarques ao mercado dos Estados Unidos — que registrou uma retração de quase 29% em comparação ao ano anterior —, a China ampliou suas vendas para outros mercados, como União Europeia, Sudeste Asiático, África e América Latina.
Essa cifra notável, nunca antes vista na história econômica registrada, é o reflexo de décadas de políticas industriais e esforços humanos que ajudaram a China a emergir de uma economia agrária pobre no final dos anos 1970 para se tornar a segunda maior economia do mundo.
A China se tornou fabricante de perucas baratas, tênis e luzes de Natal nas décadas de 1980 e 1990, ganhando o apelido de “chão de fábrica do mundo”. Mas isso foi apenas o começo. Nos anos seguintes, a China construiu agressivamente essa base, avançando para produtos de maior valor e se tornando uma engrenagem indispensável nas cadeias de suprimentos globais abrangendo tecnologia, transporte, medicina e bens de consumo.
Nos últimos anos, suas empresas de ponta se estabeleceram como players dominantes em painéis solares, veículos elétricos e em semicondutores que alimentam itens domésticos cotidianos.
Apesar do bom resultado externo, o cenário doméstico no país continua desafiador. A economia chinesa enfrenta fraqueza no consumo interno, queda persistente no setor imobiliário e sinais de retração em atividades industriais. Para 2026, o governo prevê adotar políticas fiscais e monetárias expansionistas com o objetivo de estimular a demanda interna e reduzir a dependência de exportações.
O peso industrial da China já é bem conhecido por seus parceiros comerciais, tornando-se um ponto central de contenção em suas relações com o mundo. No ano passado, seu superávit comercial atingiu um recorde de US$ 993 bilhões. Ainda assim, ultrapassar o marco de US$ 1 trilhão destaca ainda mais a magnitude da dominância das exportações da China e provavelmente chamará mais atenção para os crescentes desequilíbrios.
“É tão grande que é óbvio que não são apenas os Estados Unidos ou a Europa, mas o mundo todo que terá que financiar essa lacuna”, disse Jens Eskelund, presidente da Câmara de Comércio da União Europeia na China.
As exportações gerais da China continuaram aumentando apesar das tarifas dos EUA, a maior economia do mundo. Ao retornar ao cargo em janeiro, o presidente Trump não perdeu tempo em aumentar as tarifas sobre as importações chinesas, chegando, em um determinado ponto, a elevá-las a mais de 100%.
Embora os EUA tenham posteriormente reduzido as tarifas, elas permanecem elevadas. As tarifas médias sobre importações chinesas estão atualmente em torno de 37%, de acordo com o Urban-Brookings Tax Policy Center, com sede em Washington.
Longe de restringir as exportações, a China redirecionou seus embarques para outros destinos. Até agora este ano, as exportações chinesas para a África, Sudeste Asiático e América Latina aumentaram 26%, 14% e 7,1%, respectivamente.
As exportações chinesas para os EUA em novembro caíram 29% em relação ao ano anterior, mesmo com Pequim registrando um aumento geral de 5,9% nas exportações para o mundo. Esse aumento foi largamente resultado de um salto de 15% nos embarques chineses para a UE em relação ao ano anterior, enquanto as exportações para o Sudeste Asiático subiram 8,2% em relação ao período do ano anterior.
Impacto tarifário dos Estados Unidos
“O papel do redirecionamento do comércio para compensar o impacto negativo das tarifas dos EUA ainda parece estar aumentando”, escreveu Zichun Huang, economista da Capital Economics, em uma nota para clientes na segunda-feira.
Apesar dos crescentes ventos geopolíticos contrários e dos esforços dos EUA e de outras economias para se diversificarem para longe da China, poucos economistas esperam que o impulso comercial da China desacelere de forma significativa nos próximos meses e anos.
Economistas do Morgan Stanley, por exemplo, preveem que a participação do país nas exportações globais de bens atinja 16 5% até o final da década, em comparação com cerca de 15% agora. Isso será impulsionado pela liderança do país em manufatura avançada – o que os economistas do Morgan Stanley descreveram em nota como a “capacidade da China de antecipar as tendências de demanda global em mudança e sua disposição de mobilizar recursos para construir capacidade.”
Tal trajetória levantou alarmes em todo o mundo, especialmente na Europa, que viu sua pujança em automóveis, tecnologia e até bens de luxo ser erodida pela ascensão de concorrentes chineses ágeis.
No domingo, o presidente francês Emmanuel Macron, que acabou de retornar para casa após uma cúpula de três dias com o líder chinês Xi Jinping alertou que o continente poderia ser forçado a agir se Pequim não tomasse medidas para conter sua vantagem.
“Eu lhes disse que, se não reagissem, nós europeus seríamos forçados, em um futuro muito próximo, a tomar medidas fortes e nos retirar da cooperação, como os Estados Unidos, com a imposição de tarifas sobre produtos chineses”, disse Macron em uma entrevista ao jornal francês Les Echos.
“A China está atingindo o coração do modelo industrial e de inovação europeu”, disse. Funcionários franceses ficaram particularmente desconfortáveis com o yuan chinês, que caiu cerca de 10% em relação ao euro este ano.
Não é apenas a França, diz Eskelund, que aponta uma série de reclamações comerciais bilaterais e ações contra a China nos últimos meses, não apenas dos EUA e seus aliados ocidentais, mas também de países do Sudeste Asiático, América Latina e Oriente Médio.
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