Vídeo que acusa frigorífico de vender carne humana em SP é falso e criado por inteligência artificial
Conteúdo viral simula reportagem policial e usa recursos digitais para enganar usuários nas redes sociais
Valter Campanato/Agência Brasil
Um vídeo que circula nas redes sociais afirma que a Polícia Federal (PF) teria encontrado “restos de carne humana misturados com produtos de carne animal” em um frigorífico de São Paulo. A gravação ainda sugere que o material adulterado estaria sendo distribuído em supermercados.
A checagem do Estadão Verifica concluiu que o conteúdo é totalmente falso. Não há qualquer registro do episódio em veículos de imprensa, órgãos oficiais do governo ou entidades internacionais. Além disso, análises técnicas identificaram que o material foi gerado por ferramentas de inteligência artificial (IA), com 99% de probabilidade de criação digital.
Análise técnica aponta criação por IA
A verificação foi feita com detectores especializados, capazes de identificar manipulações e padrões visuais e sonoros típicos de conteúdos produzidos por IA.
O vídeo reproduz características comuns desse tipo de tecnologia, como:
apresentação artificial de “repórter”;
narração com timbre padronizado;
montagem de estúdio falso para simular credibilidade;
cortes e expressões faciais não naturais.
Além disso, a produção não revela informações básicas de uma reportagem real — como nome da empresa, localização do frigorífico ou fontes oficiais.
Publicação viraliza em plataformas sociais
Origem do conteúdo
O vídeo foi inicialmente postado no TikTok por um perfil que se identifica como “criador de conteúdos digitais e influenciador”. Todos os vídeos da conta são marcados como criados com recursos de inteligência artificial e exploram temas sensacionalistas para gerar engajamento rápido.
Posteriormente, o material foi republicado nos Reels do Instagram, onde acumulou:
18,4 mil curtidas
1,4 mil comentários
1 mil reposts
43,9 mil compartilhamentos
Estratégia para simular jornalismo
O perfil utiliza nome, descrição e identidade visual semelhantes à de um veículo de comunicação, o que reforça a falsa sensação de legitimidade. Não há registros de existência do suposto portal fora do TikTok — mais um indicativo de fraude.
Narrativa falsa fala em cativeiro e tráfico humano
Na gravação, a personagem criada por IA relata que a investigação teria começado após uma denúncia anônima de que pessoas estariam sendo mantidas em cativeiro no frigorífico e obrigadas a trabalhar sob ameaça de morte.
O vídeo também afirma, sem provas, que análises de DNA teriam identificado restos de pessoas desaparecidas e que a PF investigaria uma rede de tráfico que usaria a fábrica como fachada.
Nenhuma dessas alegações consta em documentos oficiais, investigações em andamento ou notícias publicadas pela imprensa profissional.
A Polícia Federal foi procurada pelo Estadão Verifica, mas não respondeu até o fechamento da checagem.
Como identificar vídeos falsos criados por IA
A checagem reforça que ferramentas de inteligência artificial generativa estão mais acessíveis e verossímeis, o que exige atenção redobrada dos usuários ao consumir conteúdos online.
Para verificar a autenticidade de vídeos e publicações, especialistas recomendam:
1. Consultar fontes confiáveis
Antes de compartilhar, procurar a mesma informação em portais de notícias reconhecidos, perfis oficiais e comunicados de órgãos públicos.
2. Observar sinais artificiais no vídeo
Expressões rígidas, áudio homogêneo, movimentos labiais descoordenados e ambientes excessivamente “perfeitos” são pistas de conteúdo criado por IA.
3. Checar dados básicos
Histórias sem nomes, locais específicos ou documentos oficiais dificilmente são verdadeiras.
4. Desconfiar de “escândalos” sem cobertura jornalística
Casos graves envolvendo a Polícia Federal, como tráfico humano ou adulteração alimentar, sempre ganham repercussão na imprensa.
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