Vice-reitor da UFBA defende recomposição histórica no financiamento das universidades federais

Penildon Silva Filho avalia reforço orçamentário para 2026 como avanço, mas insuficiente diante das perdas acumuladas desde 2016


Daniel Freitas
Daniel Freitas 25/01/2026 19:36 • Cidades
Vice-reitor da UFBA defende recomposição histórica no financiamento das universidades federais - Divulgação
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A recomposição parcial do orçamento das universidades federais para 2026 foi avaliada pelo vice-reitor da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Penildon Silva Filho, como um avanço institucional relevante, mas ainda insuficiente diante das perdas acumuladas ao longo da última década. Para ele, o reforço financeiro anunciado após articulação nacional das instituições de ensino superior representa um passo importante, porém não resolve os desafios estruturais enfrentados pelo sistema federal de educação superior.

“Conseguimos a recomposição de uma parte importante do orçamento que havia sido cortada. É uma vitória significativa, que mostra que vale a pena lutar e que nosso esforço coletivo produziu resultados concretos”, afirmou Penildon.

O anúncio foi feito pela Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), após negociações com o Ministério da Educação (MEC) e representantes da rede federal de educação profissional e tecnológica. O movimento resultou na inclusão de quase R$ 1 bilhão adicionais no orçamento da educação superior, depois de cortes realizados pelo Congresso Nacional durante a tramitação da proposta orçamentária de 2026.

Recomposição parcial após cortes no orçamento

Segundo a avaliação do vice-reitor da UFBA, a recomposição anunciada é fruto direto de mobilização política, pressão institucional e articulação coletiva entre universidades, institutos federais e entidades representativas. A leitura interna é de que o resultado demonstra a capacidade de reação do sistema federal de ensino diante de um cenário de restrições financeiras que afeta desde o custeio básico até investimentos em pesquisa, assistência estudantil e infraestrutura.

“Precisamos seguir lutando por mais orçamento, melhores condições de trabalho, de ensino e de assistência estudantil, sem abrir mão de melhorar nossos processos internos, fortalecer o Ensino de Graduação e Pós-Graduação, a Internacionalização e ampliar parcerias com o Ministério da Educação e com o setor público, especialmente para fortalecer projetos de pesquisa e extensão”, disse Penildon.

O reforço orçamentário, embora significativo, é visto como parcial. Isso porque, mesmo com o acréscimo de recursos, os valores ainda permanecem abaixo do volume disponível em meados da década passada, quando corrigidos pela inflação. Para o vice-reitor, o objetivo central continua sendo retomar o patamar orçamentário equivalente ao de cerca de dez anos atrás, considerado fundamental para assegurar estabilidade institucional e planejamento de médio e longo prazo.

Defasagem histórica e impacto nas universidades

Penildon Silva Filho avalia que as universidades federais acumulam, desde 2016, perdas expressivas de capacidade financeira, o que afetou diretamente o funcionamento cotidiano das instituições. Entre os principais impactos estão a redução de investimentos, dificuldades para manutenção predial, restrições em contratos terceirizados, limitação de programas de permanência estudantil e obstáculos para expansão de projetos de pesquisa, extensão e inovação.

Nesse contexto, a recomposição de parte dos recursos é entendida como um alívio momentâneo, capaz de contribuir para o equilíbrio do orçamento de 2026, mas não suficiente para reverter o quadro estrutural. A posição defendida pelo vice-reitor da UFBA é que o debate orçamentário precisa avançar para uma estratégia contínua de reconstrução e não se limitar a negociações pontuais a cada exercício fiscal.

Gestão interna e pressão política como estratégias combinadas

Outro ponto enfatizado pelo gestor é que o fortalecimento das universidades federais não depende apenas da ampliação de recursos. A avaliação é que o momento exige uma combinação entre atuação política externa e aprimoramento da gestão interna. Isso inclui a melhoria dos processos administrativos, o aperfeiçoamento da execução orçamentária e o desenvolvimento de mecanismos que garantam uso mais eficiente dos recursos públicos.

Internamente, a UFBA tem como eixos prioritários o fortalecimento do ensino de graduação e pós-graduação, a ampliação de ações de internacionalização, além da intensificação de parcerias com o próprio MEC e com outros órgãos do setor público. O objetivo, segundo Penildon Silva Filho, é criar condições para expandir projetos de pesquisa e extensão, áreas consideradas estratégicas para o desenvolvimento científico, social e econômico do país.

Assistência estudantil e condições de funcionamento

A recomposição orçamentária também é vista como essencial para garantir condições mínimas de funcionamento das universidades federais. Na avaliação da gestão da UFBA, a ampliação dos recursos impacta diretamente políticas de assistência estudantil, fundamentais para assegurar a permanência de alunos em situação de vulnerabilidade socioeconômica.

Além disso, a administração aponta que o orçamento está diretamente ligado à qualidade do ensino, às condições de trabalho de servidores e docentes e à manutenção de serviços básicos, como limpeza, segurança, energia, água e funcionamento de laboratórios. Sem uma recuperação consistente do financiamento, esses setores permanecem sob risco constante de contingenciamentos e interrupções.

Reconstrução da educação pública como processo contínuo

Para o vice-reitor da UFBA, a recomposição anunciada deve ser entendida como parte de um processo mais amplo de reconstrução da educação pública no Brasil. A leitura institucional é que o episódio reforça a importância da atuação coletiva das universidades, tanto no diálogo com o governo federal quanto na relação com a sociedade.

O posicionamento da gestão é de que a luta por mais recursos deve caminhar junto com a ampliação da presença das universidades no debate público, evidenciando seu papel na formação de profissionais, na produção científica e na construção de um projeto nacional de desenvolvimento.

Nesse cenário, a recomposição orçamentária para 2026 surge como um marco positivo, mas também como um indicador de que os desafios permanecem. A meta defendida por Penildon Silva Filho é clara: retomar, em termos reais, o volume de recursos de uma década atrás, assegurando sustentabilidade financeira, estabilidade institucional e capacidade de planejamento para o futuro das universidades federais.

Daniel Freitas

Daniel Freitas

Formado em jornalismo pela Universidade Salvador (Unifacs), é apaixonado por esportes, com experiência em assessoria de imprensa. Chegou à equipe do Portal Muita Informação em 2024 com uma vontade imensa de aprender e agregar.

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