Salvador lidera ranking do IBGE com quase 1 milhão vivendo em ruas sem calçada
Quase metade da população vive em vias sem passeios adequados; capital baiana também tem índice crítico de arborização e infraestrutura viária
Jefferson Peixoto/PMS
Quase 1 milhão de pessoas que vivem em Salvador estão em ruas onde não há calçadas, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgados nesta quinta-feira (17). A capital baiana lidera o ranking nacional entre as capitais com maior percentual de moradores em vias sem passeios — uma realidade que compromete mobilidade, acessibilidade e segurança no espaço urbano.
As informações fazem parte da pesquisa “Características Urbanísticas do Entorno dos Domicílios”, realizada no Censo Demográfico de 2022. O estudo tem como objetivo traçar um panorama da infraestrutura urbana das cidades brasileiras, considerando itens como pavimentação, presença de calçadas, arborização, drenagem e iluminação pública.
Quase metade da população soteropolitana vive em ruas sem calçadas
De acordo com os dados, 43,6% dos moradores da capital da Bahia vivem em ruas onde não existe calçada — o equivalente a aproximadamente 1 milhão de pessoas. Em 2010, esse percentual era de 37,4%, quando Salvador ocupava a nona posição no ranking entre as capitais brasileiras. Ou seja, em 12 anos, a situação se agravou significativamente.
Mesmo nos locais onde há calçadas, sete em cada dez pessoas convivem com obstáculos, como raízes expostas, buracos, desníveis ou mobiliário urbano mal posicionado, o que dificulta a circulação e afeta principalmente pessoas idosas, com deficiência ou mobilidade reduzida.
Cidade também é destaque negativo em outros indicadores urbanos
Além da falta de calçadas, Salvador aparece como a segunda pior capital do Brasil em cobertura vegetal nas vias públicas. Segundo o levantamento, 65,6% da população soteropolitana vive em locais onde não há árvores plantadas nas ruas — um aumento expressivo desde o último censo, em 2010.
Outros dados preocupantes da capital baiana:
- Vias estreitas: Salvador tem o maior índice de moradores vivendo em ruas com baixa capacidade de circulação, acessíveis apenas por motos, bicicletas ou a pé.
- Drenagem deficiente: Apenas quatro em cada dez habitantes vivem em áreas com bueiros ou bocas de lobo.
- Iluminação pública: É o item mais presente, alcançando 98,2% dos moradores.
- Ciclovias: Apenas 3,1% da população vive em ruas com sinalização para bicicletas.
Falta de pontos de ônibus atinge 91% da população de Salvador
Outro aspecto relevante apontado pela pesquisa é a escassez de pontos de ônibus ou vans nas vias onde moram os soteropolitanos. Segundo o IBGE, 91,7% da população de Salvador — cerca de 2,2 milhões de pessoas — residem em locais sem estrutura adequada para embarque e desembarque no transporte coletivo.
Apesar do número elevado, Salvador ocupa a 11ª posição no ranking nacional nesse quesito. Em todo o estado da Bahia, 95,8% da população enfrenta o mesmo problema, o que corresponde a 9,9 milhões de baianos. No cenário nacional, 158,3 milhões de brasileiros vivem em áreas sem pontos de ônibus — ou 90,9% da população.
Infraestrutura urbana avança no Brasil, mas desafios persistem
Os dados do Censo 2022 mostram que, apesar das deficiências pontuais, houve avanços em alguns indicadores urbanos em nível nacional. O número de brasileiros vivendo em vias com iluminação pública subiu de 95,2% em 2010 para 97,5% em 2022. Já a pavimentação alcançou 88,5% da população, frente aos 77,5% registrados anteriormente.
A presença de calçadas também aumentou no Brasil: passou de 66,4% em 2010 para 84% em 2022. No entanto, somente 18,8% da população reside em ruas com calçadas livres de obstáculos, item avaliado pela primeira vez no levantamento. Quanto à acessibilidade, apenas 15,2% dos brasileiros vivem em vias com rampas para cadeirantes.
No quesito drenagem, pouco mais da metade dos brasileiros (53,7%) moram em locais com bueiros ou bocas de lobo, o que evidencia uma deficiência crítica na infraestrutura de escoamento de água.
Salvador enfrenta retrocesso urbano
A piora dos indicadores em Salvador reflete desafios estruturais da gestão urbana, sobretudo em relação à urbanização acelerada e à ocupação irregular de áreas periféricas. A ausência de calçadas e arborização, aliada à precariedade na drenagem e no transporte público, limita o direito de ir e vir, além de agravar problemas de saúde pública e segurança viária.
Com base nos dados do Censo 2022, especialistas alertam para a necessidade de políticas públicas mais eficazes, com foco na requalificação dos espaços urbanos, promoção da mobilidade ativa e inclusão social por meio de infraestrutura urbana de qualidade.
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