Golpes do Pix e boletos falsos atingiram 24 milhões de brasileiros, aponta Datafolha
Prejuízo médio foi de R$ 1.198 por vítima, totalizando cerca de R$ 29 bilhões
Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Uma pesquisa do Instituto Datafolha, divulgada nesta quinta-feira (14), mostrou que mais de 24 milhões de brasileiros com 16 anos ou mais sofreram golpes envolvendo Pix ou boletos falsos entre julho de 2024 e junho de 2025. De acordo com a pesquisa, feita em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o prejuízo médio nessa modalidade foi de R$ 1.198 por vítima, totalizando cerca de R$ 29 bilhões. As informações são do G1.
Os dados integram a segunda edição da pesquisa “Vitimização e Percepção da Segurança Pública no Brasil“, que avalia o impacto dos crimes digitais e patrimoniais no território nacional.
Ainda de acordo com o levantamento, um em cada três brasileiros foi vítima de golpe virtual com prejuízo financeiro nos últimos 12 meses, o que representa 56 milhões de pessoas. A pesquisa mostra que crimes como fraudes com Pix, boletos falsos, cartões de crédito e compras não entregues causaram perdas estimadas em R$ 111,9 bilhões.
O estudo contou com entrevistas realizadas em 130 municípios entre 2 e 6 de junho de 2025. A amostra contou com 2.007 participantes, e a margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, considerando o intervalo de julho de 2024 a junho de 2025.
Migração dos crimes para o ambiente digital
A pesquisa foi lançada nesta quinta-feira (14), durante o 19º Encontro Nacional do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, em Manaus. De acordo com os resultados, os crimes patrimoniais têm migrado das ruas para o ambiente online, especialmente após a pandemia de Covid-19, em 2020. Essa transição reflete a maior dependência de ferramentas digitais para transações financeiras e comunicações cotidianas.
Entre os entrevistados, 31,4% relataram ter sido vítimas de vazamento de dados pessoais, o que equivale a cerca de 53 milhões de casos em um ano. Outros 36,3% mencionaram tentativas de golpes virtuais, afetando 61,3 milhões de pessoas no período analisado. Esses incidentes destacam a vulnerabilidade crescente no uso de tecnologias conectadas.
Os celulares com acesso à internet representam a principal porta de entrada para esses crimes, conforme indica o estudo. O Brasil registra atualmente cerca de 258 milhões de smartphones em uso, o que significa aproximadamente 1,2 aparelho por habitante, de acordo com dados da Fundação Getúlio Vargas. Essa disseminação facilita a ação de criminosos que exploram brechas de segurança.
Envolvimento de facções criminosas
Pessoas que tiveram o celular furtado ou roubado entre julho de 2024 e junho de 2025 apresentaram um risco 3,7 vezes maior de sofrer crimes virtuais, segundo o Datafolha. Essa correlação demonstra como os roubos físicos alimentam as fraudes digitais, ao fornecerem acesso a dados pessoais e contas bancárias.
O levantamento aponta que facções criminosas associadas ao narcotráfico, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), expandiram suas operações para os golpes virtuais a fim de ampliar lucros. Inicialmente, as ligações fraudulentas partiam de presídios, mas operações policiais recentes identificaram centrais telefônicas dedicadas a fraudes bancárias sistemáticas, envolvendo Pix, WhatsApp e cartões clonados.
Essa inserção das facções nos crimes digitais decorre da necessidade de movimentar e lavar recursos do tráfico de drogas, combinada ao baixo risco de punição, já que as investigações são complexas para o sistema de justiça criminal. Os golpes virtuais oferecem anonimato e eficiência em comparação a atividades tradicionais.
Seleção de vítimas por perfil econômico
Um aspecto central da pesquisa é a constatação de que os crimes virtuais não ocorrem de forma aleatória. As facções selecionam alvos com base na renda, visando maximizar ganhos. Assim, 27,6% dos entrevistados das classes A/B relataram contatos criminosos com uso de dados pessoais para ameaças e extorsões nos últimos 12 meses, contra 16,4% nas classes C/D/E.
Da mesma forma, o não recebimento de produtos comprados online afetou 25,1% das classes A/B e 15,4% das C/D/E. A suspeita sobre a origem ou autenticidade de mercadorias adquiridas via internet ou redes sociais foi reportada por 46,3% dos participantes de classes A/B, em comparação a 23,3% dos de C/D/E.
Além dos crimes digitais, 21,8% dos ouvidos com 16 anos ou mais, ou cerca de 36 milhões de brasileiros, foram vítimas de crimes patrimoniais com interação física, como roubos, assaltos ou sequestros relâmpago.
Persistência de crimes presenciais
O estudo monitora o uso de armas de fogo em crimes presenciais, revelando que 11,1% dos entrevistados sofreram roubo no último ano. Desses, 25,2% indicaram que o delito envolveu arma de fogo. Embora os latrocínios tenham diminuído nacionalmente em 2024, eles aumentaram em 12 estados, conforme o Anuário Brasileiro de Segurança Pública.
O roubo ou furto de celular foi relatado por 9,3% da população, afetando aproximadamente 15,7 milhões de pessoas. O prejuízo médio por vítima é estimado em R$ 1.700, totalizando R$ 26,7 bilhões em perdas financeiras para o conjunto dos atingidos.
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