Bruno Reis minimiza apoio de prefeitos a Jerônimo e promete oposição unida na Bahia: ‘quem decide é o povo’
Prefeito de Salvador também voltou a reforçar críticas ao governo estadual, comandado pelo PT há quase 20 anos
Divulgação
O prefeito de Salvador, Bruno Reis (União Brasil), voltou a minimizar, na manhã desta segunda-feira (28), a migração de prefeitos da base de oposição para o grupo do governador Jerônimo Rodrigues (PT). Em entrevista ao Portal M! no lançamento do programa “Roda”, de coleta seletiva porta a porta, o gestor ressaltou que o apoio de prefeitos não define eleições e que o verdadeiro poder de decisão está nas mãos do eleitorado.
‘Quem decide é o povo’
Bruno reagiu aos movimentos recentes de prefeitos que trocaram de lado político, como o caso do prefeito de Mansidão, Dr. Juvio (União Brasil), que declarou apoio ao governador petista. Para o prefeito da capital baiana, esse tipo de reposicionamento é natural no cenário político estadual e nacional.
“Se fossem os prefeitos que decidissem as eleições e não o povo, Waldir Pires não teria sido governador da Bahia, Wagner não teria sido governador, e ACM Neto não teria sido prefeito de Salvador”, criticou.
“Esse movimento dos prefeitos é algo natural, que ocorre em todos os estados”, minimizou ao Portal M! durante o evento no Centro Histórico.
Realinhamento político é comum, diz prefeito
Para justificar sua posição, Bruno citou exemplos de outros estados. Segundo ele, em locais como Alagoas, Ceará e Pernambuco, a maioria dos prefeitos está alinhada ao governador, o que não garante a vitória eleitoral do grupo no pleito seguinte.
“Em Alagoas, dos 102 prefeitos, 90 apoiam o governo. No Ceará, 164 dos 184. Isso se repete por todo o Brasil”, destacou.
Segundo Bruno, essa aproximação dos gestores com o Executivo estadual, especialmente em municípios menores, é compreensível, já que muitas dessas prefeituras enfrentam dificuldades administrativas e dependem de recursos estaduais e federais.
Críticas à gestão do PT na Bahia
Bruno Reis também usou o evento para reforçar críticas ao governo estadual, comandado pelo PT há quase 20 anos. Ele destacou problemas em áreas como segurança pública, saúde e educação, e apontou a insatisfação da população como principal motor para uma possível mudança nas eleições de 2026.
“O sentimento de mudança é muito maior do que o de continuidade. São duas décadas em que os problemas se agravaram. A Bahia voltou a liderar o ranking nacional da violência e há sérias dificuldades em diversas áreas sociais”, pontuou.
Segundo o prefeito, a população está cansada do modelo de gestão atual. “Ontem, andando no Centro Histórico, o que mais escutei foi: ‘chega, já deu, precisa tirar essa turma’”, disse ao Portal M!.
Estratégia da oposição para 2026
O prefeito afirmou que a oposição está trabalhando para apresentar uma chapa unificada e competitiva para o governo da Bahia em 2026. A construção desse projeto, segundo ele, passa pela articulação com lideranças nos 417 municípios baianos e dependerá também do cenário nacional.
“O que a oposição está fazendo é visitar as cidades, organizar os grupos políticos e garantir o apoio de lideranças regionais. Trabalhamos para ter uma candidatura única à Presidência da República, e, a partir disso, refletir essa aliança na Bahia”, explicou.
Sem mudanças no secretariado por motivos eleitorais
Questionado sobre possíveis mudanças no secretariado com vistas à eleição de 2026, Bruno negou que trabalhe com essa lógica. “Não monto governo com base em eleição. Montei com pessoas qualificadas, técnicas e que entregam resultados. Isso é uma diferença em relação ao governo do Estado, que se mantém preso a interesses políticos”, bradou ao Portal M!.
Críticas à politização da gestão estadual
Bruno também criticou o que chamou de “obsessão política” do grupo do governador Jerônimo Rodrigues e acusou o petista de estar mais preocupado com articulações eleitorais do que com os problemas da população.
“Nossos opositores, que estão governando o Estado, só pensam em política. Já estão brigando para saber quem vai ser candidato a senador. É por isso que a Bahia está nessa situação, população cansou”.
Segurança pública e cobranças
O prefeito fez duras críticas à alta da violência na Bahia que figura, pelo terceiro ano consecutivo, entre os estados com maior concentração de municípios violentos do Brasil, segundo dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025, divulgado na quinta-feira (24) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). O levantamento leva em conta a taxa de mortes violentas por 100 mil habitantes.
“O que queremos são soluções. Ao invés de brigas, queremos que os problemas sejam resolvidos. A Bahia vem mudando para pior nos últimos anos e o atual governo não apresenta mudanças que indiquem solução”, declarou Bruno Reis.
Mesmo com a queda de 5,4% nas Mortes Violentas Intencionais (MVIs) no país — que somaram 44.127 ocorrências —, as disparidades regionais persistem. O Nordeste mantém a maior concentração de cidades com altos índices de violência, com a Bahia se destacando negativamente por reunir nove municípios entre os 20 mais violentos do país.
Bahia reúne cinco cidades no top 10 nacional de violência
De acordo com o Anuário, cinco cidades baianas integram a lista das dez mais violentas do Brasil. Jequié ocupa a segunda posição nacional, com taxa de 77,6 mortes violentas por 100 mil habitantes. Em seguida, aparecem Juazeiro (76,2) em terceiro lugar, Camaçari (74,8) em quarto, Simões Filho (71,4) em sétimo e Feira de Santana (65,2) em décimo.
Nove municípios baianos estão entre os 20 mais violentos do país
Além das cidades no top 10, outros quatro municípios baianos figuram no ranking das 20 mais violentas. Porto Seguro ocupa a 14ª colocação (59,7), Santo Antônio de Jesus está em 17º (57,7), Ilhéus aparece em 19º (54) e Salvador fecha a lista em 20º (52).
O ranking nacional é liderado por Maranguape, no Ceará, com taxa de 79,9 mortes violentas por 100 mil habitantes, superando todas as cidades baianas listadas.
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