Brics se reúne no Rio: veja o que pode mudar na ordem mundial com novo encontro de potências emergentes
Cúpula dos países emergentes acontece neste domingo (6) e segunda (7), sob presidência brasileira, e discute reformas na governança mundial
Divulgação/Brics
O Rio de Janeiro volta ao centro da diplomacia internacional, neste domingo (6) e segunda-feira (7), ao sediar a Cúpula do Brics 2025, grupo que reúne as maiores economias em desenvolvimento do mundo. O encontro marca um novo momento para o bloco, agora ampliado com 11 países-membros e dez parceiros, e sob a presidência rotativa do Brasil.
Pouco mais de oito meses após receber líderes do G20, o Brasil volta a colocar a política externa no centro do debate — agora, com foco em cooperação entre países do Sul Global. A reunião será realizada no Museu de Arte Moderna (MAM), mesmo local que abrigou discussões sobre a governança global em 2024. As informações são da Agência Brasil.
O que é o Brics e qual sua importância?
O Brics é um fórum de articulação político-diplomática formado originalmente por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. O bloco se propõe a ser uma alternativa à influência dos países ricos em instituições como ONU, FMI, Banco Mundial e OMC. Com o tempo, o grupo vem ganhando peso econômico e político, especialmente após sua expansão.
Criado oficialmente em 2006, o grupo surgiu a partir de um estudo do economista Jim O’Neil, da Goldman Sachs, que previu a ascensão dessas economias emergentes no século 21. O “S”, de South Africa, foi adicionado em 2011. Em 2024, o bloco passou por sua maior ampliação desde a fundação.
Quem faz parte do Brics hoje?
Atualmente, o Brics é composto por 11 países-membros:
- África do Sul
- Arábia Saudita
- Brasil
- China
- Egito
- Emirados Árabes Unidos
- Etiópia
- Indonésia
- Índia
- Irã
- Rússia
Além disso, há dez países-parceiros, que participam das discussões, mas não têm poder de voto: Belarus, Bolívia, Cazaquistão, Cuba, Malásia, Nigéria, Tailândia, Uganda, Uzbequistão e Vietnã. Mais de 30 nações já demonstraram interesse em aderir ao bloco.
O que é Sul Global e por que Brics se destaca?
O termo Sul Global refere-se a países da América Latina, África, Ásia e Oriente Médio com características comuns, como histórico de colonização, desafios sociais persistentes e economias em desenvolvimento. O Brics busca fortalecer a voz coletiva desses países no cenário internacional, propondo reformas em instituições multilaterais e defendendo maior representatividade nas decisões globais.
Apesar do nome, vários integrantes do Brics, como China, Rússia e Arábia Saudita, estão no hemisfério Norte. O critério é mais político e econômico do que geográfico.
O que está na pauta da presidência brasileira?
A agenda do Brasil à frente do Brics em 2025 inclui mais de 200 reuniões diplomáticas e uma série de prioridades estratégicas:
- Saúde global e enfrentamento de pandemias
- Financiamento para desenvolvimento sustentável
- Mudança climática e transição energética
- Regulação da inteligência artificial
- Segurança internacional e reforma da ONU
- Fortalecimento institucional do Brics
Brics já representa quase metade da população mundial
Juntos, os 11 países-membros do Brics somam:
- 48,5% da população mundial
- 39% do PIB global
- 23% do comércio internacional
- 36% das exportações brasileiras (2024)
Além disso, o grupo é responsável por 43,6% da produção global de petróleo, 36% de gás natural e 72% das reservas de terras raras, essenciais para tecnologias verdes e digitais.
Banco do Brics e papel de Dilma Rousseff
Criado em 2015, o Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), conhecido como Banco do Brics, financia projetos de infraestrutura e sustentabilidade nos países em desenvolvimento. Até 2025, o NDB já aprovou 120 projetos, totalizando mais de US$ 39 bilhões em empréstimos.
A ex-presidenta Dilma Rousseff foi eleita presidente do banco em 2023 e reeleita em 2025. Países que não fazem parte do Brics, como Uruguai, Bangladesh e Argélia, também podem aderir ao NDB — mas a adesão ao banco não é automática para membros do bloco.
O que é o Arranjo Contingente de Reservas (ACR)?
Outro instrumento do Brics é o Arranjo Contingente de Reservas (ACR), uma plataforma de apoio financeiro emergencial. O ACR disponibiliza até US$ 100 bilhões em reservas internacionais para ajudar membros em crises cambiais ou desequilíbrios no balanço de pagamentos.
Contribuição por país:
- China: US$ 41 bilhões
- Brasil, Índia e Rússia: US$ 18 bilhões cada
- África do Sul: US$ 5 bilhões
O ACR pode ser ativado a qualquer momento, e novos membros podem solicitar adesão ao mecanismo.
Qual futuro do Brics?
Embora não exista previsão de nova expansão, o bloco atrai o interesse de diversos países em busca de um sistema internacional mais equilibrado e multipolar. O próximo encontro de cúpula está marcado para 2026, na Índia.
O Brics avança como um dos mais influentes agrupamentos internacionais fora do eixo Ocidente-Norte, e a cúpula no Rio de Janeiro pode marcar uma nova etapa de consolidação e influência global para o grupo.
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