PSD da Bahia não vota e contribui para revés sobre IOF do governo Lula na Câmara
No Senado, Otto e Wagner votam contra, mas Coronel não comparece ao plenário
Andressa Anholete/Agência Senado
O Congresso Nacional derrubou, na noite de quarta-feira (25), o decreto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que determinava o aumento das alíquotas do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). Um dos destaque negativos para o governo Lula foi que, dos 39 deputados federais baianos, seis não compareceram à votação, sendo todos eles filiados ao partido PSD. Na Câmara, a proposta foi derrubada com 383 votos favoráveis e 98 contrários.
Da bancada baiana, apenas os parlamentares de partidos tradicionalmente ligados à esquerda, como PCdoB, PV, PT e PSB, votaram contra a revogação, somando 11 deputados federais da base governista. Outros 22 votaram a favor da proposta.
Ausência de parlamentares do PSD chama atenção
Entre os deputados do PSD que se ausentaram da votação, está o filho do senador Otto Alencar, presidente da legenda na Bahia. Confira os parlamentares ausentes:
- Otto Alencar Filho
- Antonio Brito (PSD)
- Charles Fernandes (PSD)
- Diego Coronel (PSD)
- Gabriel Nunes (PSD)
- Paulo Magalhães (PSD)
Como votaram os parlamentares baianos
A favor da derrubada do aumento do IOF:
- Adolfo Viana (PSDB)
- Alex Santana (Republicanos)
- Arthur Oliveira Maia (União)
- Capitão Alden (PL)
- Cláudio Cajado (PP)
- Dal Barreto (União)
- Elmar Nascimento (União)
- Félix Mendonça Jr (PDT)
- João Leão (PP)
- João Carlos Bacelar (PL)
- José Rocha (União)
- Leo Prates (PDT)
- Leur Lomanto Jr. (União)
- Márcio Marinho (Republicanos)
- Mário Negromonte Jr (PP)
- Neto Carletto (Avante)
- Pastor Sargento Isidório (Avante)
- Paulo Azi (União)
- Raimundo Costa (Podemos)
- Ricardo Maia (MDB)
- Roberta Roma (PL)
- Rogéria Santos (Republicanos)
Contra a derrubada do decreto:
- Alice Portugal (PCdoB)
- Bacelar (PV)
- Daniel Almeida (PCdoB)
- Ivoneide Caetano (PT)
- Jorge Solla (PT)
- Joseildo Ramos (PT)
- Josias Gomes (PT)
- Lídice da Mata (PSB)
- Valmir Assunção (PT)
- Waldenor Pereira (PT)
- Zé Neto (PT)
Senado confirma derrota do Planalto
Já no Senado, o governo também sofreu revés. Minutos após a votação na Câmara, o Senado Federal também rejeitou o decreto do Executivo em votação simbólica. Da bancada baiana, o senador Angelo Coronel (PSD) não compareceu à votação, ao contrário de Jaques Wagner (PT) e Otto Alencar (PSD), que votaram a favor da manutenção do decreto.
Wagner ainda criticou o que chamou de quebra de acordo entre os parlamentares. “Essa Casa vive de cumprir acordos. Foi feito um acordo que está sendo descumprido. Eu não acho isso bom para o Parlamento”, declarou o líder do governo no Senado que não pediu a contagem dos votos no plenário, acabando passando de forma simbólica.
A decisão obriga o governo federal a promover o bloqueio de recursos do Orçamento para compensar a perda de arrecadação, estimada em cerca de R$ 10 bilhões. A medida tinha como objetivo ajudar a zerar o déficit fiscal e atingir a meta estabelecida para 2025. Com a revogação, o Ministério da Fazenda deverá anunciar novos cortes em despesas públicas como forma de conter os impactos no equilíbrio das contas.
Primeira revogação de decreto presidencial em 25 anos
A anulação do decreto representa um fato inédito na política recente: é a primeira vez em 25 anos que o Congresso Nacional revoga uma medida desse tipo tomada pelo Executivo. O episódio escancara a fragilidade da articulação do governo Lula com o Legislativo, inclusive entre partidos aliados.
Lideranças governistas já previam a derrota desde que o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), protocolou o projeto na noite da terça-feira (24), já com previsão de votação no dia seguinte. O texto, relatado pelo deputado Coronel Chrisóstomo (PL-RO), foi derrubado com folga.
Em seu relatório, Chrisóstomo argumentou que o aumento do IOF era um ataque à liberdade dos contribuintes e à iniciativa privada. Ele defendeu que o governo deveria cortar supersalários e rever benefícios fiscais antes de elevar a carga tributária da população.
Governo busca alternativas para arrecadação
Com a derrota no Congresso, o governo Lula trabalha em alternativas para reforçar a arrecadação. Entre as propostas em análise, estão a taxação das apostas esportivas e o fim da isenção do Imposto de Renda para alguns investimentos. Essas medidas, contudo, dependem de aval do Legislativo e enfrentam resistência tanto entre parlamentares quanto em setores do mercado financeiro.
A pressão para aumentar receitas ganhou força após o Supremo Tribunal Federal suspender a desoneração da folha de pagamento de diversos setores, empurrando o governo para medidas urgentes. Ainda assim, a condução unilateral do decreto do IOF, sem diálogo prévio com o Congresso, foi vista como um erro político que aprofundou o desgaste do Executivo.
Agora, diante de um cenário econômico instável e de crescente tensão entre os Três Poderes, o Palácio do Planalto terá que repensar sua estratégia fiscal e melhorar sua articulação política para evitar novos reveses.
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