Condenada pelo STF, Carla Zambelli diz ser ‘intocável’ na Itália: ‘não há o que possam fazer para me extraditar’
Deputada afirma que não pode ser extraditada da Itália e acusa Judiciário brasileiro de ‘perseguição’
Lula Marques/Agência Brasil
A deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) afirmou, nesta terça-feira (3), que deixou o Brasil para viver na Itália, onde, segundo ela, não poderá ser extraditada. A declaração ocorre dias após a condenação pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a dez anos e oito meses de prisão, além da perda do mandato, por participação na invasão ao sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Em entrevista à CNN Brasil, Zambelli declarou que atualmente está nos Estados Unidos para tratamento de saúde, mas que se mudará nos próximos dias para Roma.
“Eles vão tentar me prender na Itália, mas eu não temo, porque sou cidadã italiana e lá eu sou intocável, a não ser que a justiça italiana me prenda”, disse.
Ela ainda acrescentou que, mesmo com atuação da Interpol, não acredita que poderá ser removida do país europeu por conta de sua cidadania. A parlamentar também transferiu o controle de seu perfil na rede X (antigo Twitter) para sua mãe, Rita Zambelli. Em resposta a um comentário, Rita reforçou a tese da filha ao afirmar que “na Itália, minha filha é intocável”.
PGR pede prisão preventiva e reação chega ao STF
A Procuradoria-Geral da República (PGR) formalizou um pedido de prisão preventiva da deputada, que será analisado pelo ministro Alexandre de Moraes, relator do processo no STF. A justificativa do órgão é que houve tentativa de fuga e abandono da defesa, o que caracteriza intenção de se esquivar da execução da pena.
O pedido também tem como base uma representação do deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), que solicitou providências urgentes diante do que classificou como risco à aplicação da lei penal e à ordem institucional. Para ele, Zambelli “deixou o país sem comunicação ao STF” e está “fora do alcance da jurisdição penal”.
Entre as medidas solicitadas estão o bloqueio de valores recebidos via Pix, a inclusão do nome da deputada na difusão vermelha da Interpol, o início de processo de extradição, além da revogação do passaporte diplomático.
Lindbergh também propôs que o caso seja tratado como “ameaça grave e reiterada à soberania nacional” e que exige reação imediata do Estado para preservar a autoridade do Judiciário.
Deputada afirma que buscará apoio internacional contra decisões brasileiras
Zambelli disse que sua mudança para a Europa é uma forma de “resistência” às decisões judiciais e anunciou que pretende denunciar o Brasil por “falta de liberdade e censura” em cortes de Portugal, Espanha, França e Itália. “Agora, mais do que nunca, vou poder denunciar os desmandos que a gente observa nesse país e que eu tenho ficado calada diante de uma pressão judicial que tenho sofrido”, declarou.
A deputada ainda reforçou que seu retorno ao Brasil não está descartado, mas que só voltará “quando o Brasil voltar a ser uma democracia”. Ela pretende atuar internacionalmente, em linha com o trabalho desenvolvido por Eduardo Bolsonaro (PL-SP), com quem deseja “ombrear” esforços.
Segundo a condenação do STF, Zambelli coordenou a invasão ao sistema do CNJ, ação que teve como consequência a emissão de um falso mandado de prisão contra o ministro Alexandre de Moraes, usando os dados do próprio magistrado. O hacker Walter Delgatti Neto, responsável técnico pela ação, também foi condenado a mais de oito anos de prisão e deverá arcar com a multa imposta solidariamente à parlamentar.
Defesa alega perseguição política e questiona condenação
Na avaliação de Zambelli, a condenação é resultado de perseguição política. “Sou vítima de uma perseguição política que atenta não apenas contra minha honra pessoal, mas também contra os princípios mais elementares do Estado de Direito”, afirmou.
A parlamentar sustenta que suas ações estão relacionadas à atuação como opositora do atual governo e aliada do ex-presidente Jair Bolsonaro. A sentença do STF incluiu, além da pena privativa de liberdade, uma multa de R$ 2 milhões por danos materiais e morais, e a inelegibilidade por oito anos.
Mais Lidas
Política
Governo lança nesta semana Pacto Brasil de Enfrentamento ao Feminicídio
Últimas Notícias
Governo lança nesta semana Pacto Brasil de Enfrentamento ao Feminicídio
Paroano Sai Milhó comanda show especial de Carnaval no Sesi Rio Vermelho
Novo salário mínimo de R$ 1.621 começa a valer nesta segunda-feira
Reajuste do valor impacta benefícios do INSS, seguro-desemprego e contribuições previdenciárias em 2026
Cármen Lúcia diz que 2026 exigirá ‘comportamentos mais rigorosos’ e ‘transparentes’ de juízes eleitorais
Presidente do TSE afirma que Judiciário deve atuar com clareza e independência no próximo pleito
Bahia emite primeira CNH do Brasil com processo digital e custos reduzidos
Documento inaugura integração nacional do processo e amplia acesso à habilitação com redução de custos
Inflação recua e mercado reduz projeção para 3,99% em 2026, aponta boletim Focus
Boletim Focus aponta IPCA abaixo do teto da meta, PIB em 1,8% e expectativa de queda gradual da Taxa Selic
Em mensagem ao Congresso, Lula exalta avanços econômicos e aponta fim da escala 6×1 como desafio para 2026
Governo destaca avanços econômicos, agenda social e aposta em parceria com Legislativo
Licia Fábio reúne convidados no Amado em celebração à Iemanjá e revela novidades do Camarote Brown: ‘É o samba na Bahia’
Ao Portal M!, promoter destaca importância da data, das parcerias e dá detalhes dos projetos para o verão e o Carnaval
BBB 26: participantes vão para o ‘Tá Com Nada’ após sequência de punições gravíssimas
Infrações gravíssimas cometidas por Ana Paula Renault e Milena atingem o limite do Vacilômetro e levam todos os participantes à penalização coletiva
Carlos Muniz destaca parceria com o Executivo, projeta avanços para Salvador e adia decisão sobre candidatura do filho
Presidente da CMS diz nova legislatura será marcada pela união entre o Legislativo e o Executivo municipal, com foco em ações para melhorias na cidade
Congresso inicia último ano da legislatura com foco em medidas provisórias, CPIs e articulações para o STF
Retomada dos trabalhos ocorre em meio a calendário eleitoral, análise de vetos e articulações entre Executivo, Legislativo e Judiciário
Kiki Bispo destaca alinhamento entre Câmara e Executivo, projeta agenda de entregas e nega candidatura em 2026
Vice-líder do governo na Câmara destaca alinhamento com o Executivo, diálogo com a oposição e expectativa de avanços em áreas estratégicas