CPMI do INSS amplia investigação e envolve filho de Lula e entorno de Flávio Bolsonaro
Quebras de sigilo e requerimentos colocam aliados de PT e PL no centro das apurações sobre fraudes em descontos e consignados
Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) inicia 2026 ampliando o foco das investigações para figuras ligadas tanto ao entorno do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quanto do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O relator da comissão, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), protocolou nesta segunda-feira (2) uma série de requerimentos que pedem a quebra de sigilos bancários de pessoas citadas nas apurações sobre fraudes em descontos indevidos de aposentadorias e pensões.
Entre os pedidos apresentados por Gaspar estão as quebras de sigilo de Fábio Luís Lula da Silva (Lulinha), da advogada Roberta Luchsinger e da publicitária Danielle Fonteles, todos apontados como ligados ao núcleo investigado do esquema do Careca do INSS. Paralelamente, parlamentares governistas articulam requerimentos que miram o entorno do ex-presidente Jair Bolsonaro, com destaque para Letícia Caetano dos Reis, ligada ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e a empresas associadas ao operador investigado pela Polícia Federal.
Mensagens interceptadas sustentam pedido
Mensagens interceptadas pela Polícia Federal embasam os pedidos de quebra de sigilo apresentados pelo relator da CPMI do INSS. Segundo o deputado Alfredo Gaspar (União-AL), diálogos atribuídos a Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, indicam que um pagamento de R$ 300 mil destinado à empresa da advogada Roberta Luchsinger teria como beneficiário Fábio Luís Lula da Silva (Lulinha), citado nas mensagens como “o filho do rapaz”. Para o relator, os investigadores interpretam a expressão como uma referência direta ao filho do presidente, com indícios de que Roberta teria atuado como intermediária financeira no repasse de vantagens indevidas.
Gaspar também afirma que a publicitária Danielle Fonteles ocupa um papel estratégico e transnacional no esquema apurado pela Operação Sem Desconto. De acordo com o relator, a Polícia Federal identificou mensagens atribuídas a Roberta Luchsinger orientando o Careca do INSS a destruir provas, o que reforça a suspeita de atuação coordenada para obstrução das investigações.
Apuração envolve lavagem de capitais
Na avaliação do relator, as medidas solicitadas se justificam pela posição ocupada pelos investigados no suposto núcleo político da organização criminosa, com atuação na ocultação de patrimônio, movimentação de valores e gestão de contas com indícios de lavagem de capitais. Lulinha já teve a convocação para depor rejeitada em duas ocasiões anteriores, após articulações da base governista.
A Polícia Federal apura a suspeita de que ele tenha recebido recursos provenientes dos negócios do Careca do INSS por meio da empresária Roberta Luchsinger.
Nova fase da CPMI amplia foco para bancos e agentes públicos
De acordo com Alfredo Gaspar, a CPMI do INSS entra em 2026 em uma nova fase, com ampliação do foco para bancos, agentes públicos e todos os envolvidos nas irregularidades relacionadas aos empréstimos consignados. A segunda etapa das investigações será marcada pelos depoimentos do banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master; de Maurício Camisotti, preso na Operação Sem Desconto; e do presidente do INSS, Gilberto Waller Júnior. A previsão é que os três sejam ouvidos nesta quinta-feira (5).
“Agora vamos continuar com os descontos associativos e acrescentar os empréstimos consignados. Esses primeiros depoimentos são de grande importância para que possamos entender como as instituições bancárias têm relação com essas irregularidades”, afirma o deputado.
Governistas miram entorno de Flávio Bolsonaro
Parlamentares governistas também direcionam os trabalhos da CPMI para o entorno do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. O foco das investigações recai sobre Letícia Caetano dos Reis.
Letícia é irmã de Alexandre Caetano dos Reis, coproprietário da empresa Voga, apontada como ligada ao Careca do INSS. Segundo a Polícia Federal, Alexandre é sócio de uma offshore do investigado, a Camilo & Antunes Limited, sediada nas Ilhas Virgens Britânicas, utilizada para ocultar patrimônio obtido no esquema.
Ela também aparece associada a Flávio Bolsonaro por atuar como administradora do escritório Flávio Bolsonaro Sociedade Individual de Advocacia, “desde 16 de abril de 2021, data de sua fundação”.
“Diante do estreito entrelaçamento pessoal, familiar, profissional e político descrito, suscita-se a existência de possível conexão entre Flávio Bolsonaro e o núcleo liderado por Antônio Carlos Camilo Antunes, especialmente considerando que pessoas diretamente ligadas a ambos mantêm relações societárias e familiares entre si”, argumenta o deputado Rogério Correia (PT-MG), autor do requerimento de convocação de Flávio e Letícia.
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