Fogos de artifício e pets: como reduzir o estresse dos animais no Réveillon
Veterinárias alertam para riscos dos estampidos e orientam tutores sobre prevenção, medicação e identificação
Reprodução/Instagram @spitz.chase
O uso de fogos de artifício com estampido durante o Réveillon volta a acender um alerta para a saúde e o bem-estar dos animais domésticos. Cães e gatos, por terem audição muito mais sensível, podem reagir ao barulho com medo intenso, estresse extremo e comportamentos de fuga, colocando em risco a própria vida. Médicos-veterinários ouvidos pelo Portal M! reforçam que medidas simples, feitas com antecedência, podem reduzir significativamente os impactos do barulho, além de destacarem a importância da identificação dos pets neste período.
As festas de fim de ano são tradicionalmente associadas à celebração, mas também ampliam o debate sobre os efeitos da poluição sonora em animais, idosos, crianças neurodivergentes e pacientes hospitalizados. Em Salvador, onde há legislação municipal que restringe o uso de fogos com estampido, o tema ganha ainda mais relevância.
Sensibilidade auditiva pode gerar crises graves
De acordo com a médica-veterinária Juliana Marback, o impacto do barulho vai muito além de um simples susto. “Os fogos geram uma sensibilidade auditiva importante nos pets e isso pode causar tremores, vocalização, salivação excessiva e, em alguns casos, desmaios e crises convulsivas”, explica.
A veterinária ressalta que, diante do medo, muitos animais entram em estado de pânico e tentam fugir, o que aumenta o risco de atropelamentos, quedas de janelas e acidentes domésticos.
“Por isso, é fundamental manter os animais em locais seguros, controlados e, preferencialmente, com a companhia do tutor durante os momentos de maior barulho”, orienta.
Ambiente seguro e adaptação prévia fazem diferença
A médica-veterinária Paula Rocha reforça que a audição aguçada faz com que cães e gatos interpretem os fogos como uma ameaça real. “O barulho causa medo, estresse e pânico. Isso pode levar à tentativa de fuga, acidentes, problemas cardíacos e até morte súbita em casos extremos”, alerta.
Segundo ela, o ideal é que algumas práticas sejam iniciadas antes da virada do ano, para que o animal se adapte gradualmente.
“Nem sempre o tutor tem conhecimento ou tempo para fazer essa adaptação, mas é importante criar um ambiente mais aconchegante, onde o animal já esteja acostumado a ficar”, diz.
Práticas para amenizar danos aos pets
Para amenizar os danos aos pets, a médica veterinária Paula cita a possibilidade de uso de algodão nos ouvidos, desde que feito com cuidado, apenas para reduzir a intensidade do ruído. Entre as medidas práticas indicadas estão:
- manter portas, janelas e cortinas fechadas para abafar o som;
- reduzir estímulos visuais, mantendo o ambiente mais escuro;
- usar brinquedos e atividades que ajudem a distrair o pet;
- permanecer próximo ao animal, transmitindo segurança.
Medicação só com orientação profissional
O uso de medicamentos é outro ponto que exige atenção. Juliana Marback explica que a medicação é indicada apenas em casos específicos. “Ela é recomendada para pacientes com sensibilidade muito alta, em que podem ocorrer desmaios ou crises convulsivas. Normalmente são calmantes, por isso devem ser usados com cautela e sempre com orientação médica”, afirma.
Paula Rocha complementa que nem todos os animais precisam de medicação.
“É preciso observar se o pet realmente apresenta medo intenso ou pânico. Alguns sentem o barulho, mas não se incomodam. Outros são extremamente sensíveis, e nesses casos temos produtos orais, tópicos e até de aplicação térmica que ajudam no bem-estar”, explica.
Identificação é essencial em casos de fuga
Outro ponto considerado crucial pelas veterinárias é a identificação do animal. Paula reforça que, justamente no período de fogos, as tentativas de fuga aumentam, tornando a plaquinha de identificação um item indispensável. A médica veterinária Juliana Marback orienta como proceder:
“Em caso de fuga, é fundamental que o pet esteja identificado, com nome e telefone do responsável. Isso facilita muito para que quem encontrar o animal consiga avisar o tutor”, destaca Juliana.
O que diz a legislação sobre fogos de artifício
No Brasil, não há uma lei federal única que proíba o uso de fogos com estampido, mas o tema vem sendo regulamentado por estados e municípios. Em 2023, o Supremo Tribunal Federal reconheceu que os municípios têm legitimidade para aprovar leis que proíbam fogos barulhentos, validando normas locais com esse objetivo.
Em Salvador, há legislação municipal que restringe o uso de fogos de artifício com estampido, permitindo apenas fogos de efeito visual em eventos públicos, medida alinhada à proteção de animais, pessoas com sensibilidade auditiva e pacientes hospitalizados. A regra segue a tendência de capitais como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Porto Alegre, que autorizam apenas fogos silenciosos ou com limites rigorosos de decibéis.
No Congresso Nacional, o Projeto de Lei 5/2022, já aprovado no Senado e em tramitação na Câmara dos Deputados, propõe a proibição da fabricação, comercialização e uso de fogos que produzam barulho acima de 70 decibéis em todo o país.
Casos que mostram resultados positivos
À frente do PedDupark, no bairro da Pituba, em Salvador, médico-veterinário Murillo Barros relata a experiência no atendimento de diversos animais que apresentam medo intenso de fogos de artifício. Entre os exemplos está Chase, um spitz alemão de 6 anos, que passou a demonstrar sinais de fobia há cerca de 4 anos. Para amenizar o desconforto, os tutores adotaram o uso de feromônios sintéticos e brinquedos interativos, como jogos de raciocínio com petiscos, que ajudam a manter o animal ocupado durante os momentos de maior barulho.
“Essas estratégias têm contribuído significativamente para diminuir o estresse do Chase e também impactam positivamente Chanel, sua filhote de apenas 3 anos, que costuma reagir ao nervosismo do pai”, explica o médico-veterinário.
Planejamento é fundamental para proteger pets no Réveillon
Garantir o bem-estar dos pets durante as comemorações de fim de ano exige organização e cuidados prévios. Preparar um espaço acolhedor, aplicar técnicas que promovam o relaxamento e, quando indicado, recorrer a suplementos específicos são ações que fazem a diferença. A adoção de medidas preventivas é essencial para reduzir o estresse, evitar acidentes e assegurar que o Réveillon seja mais tranquilo tanto para os animais quanto para seus tutores.
Dicas adicionais para virada do ano mais segura
Ainda em entrevista ao Portal M!, Murillo Barros reforça que, sempre que possível, o mais indicado é não deixar os animais sozinhos em casa durante a virada do ano. A alternativa pode ser deixá-los sob os cuidados de familiares, em hotéis especializados ou com petsitters, serviço que tem se tornado cada vez mais comum em Salvador. Ainda assim, para quem precisa sair durante as comemorações, alguns cuidados são fundamentais para preservar a segurança e o bem-estar dos pets.
Entre as principais recomendações estão:
- Evitar petiscos de risco: brinquedos ou petiscos naturais podem causar engasgos quando o animal está desacompanhado;
- Identificação adequada: o uso de coleira com plaquinha contendo nome e telefone de contato é essencial para facilitar o reencontro em caso de fuga;
- Ambiente seguro: portas, portões e janelas devem ser checados e mantidos bem fechados para impedir que o pet escape assustado com os barulhos.
“Pode-se usar petiscos, desde que seja com acompanhamento. Então, por exemplo, esses petiscos naturais, que são de cartilagem, osso, que tem a possibilidade de se desmanchar ou de fazer uma forma mais flácida, a gente tem que tomar cuidado. Porque os animais, quando estão sozinhos, eles podem acabar engolindo e ter engasgos e outras coisas. Então, se for sair e o animal ficar sozinho, não é bom deixar os animais com esse tipo de petisco”, explicou o médico-veterinário ao Portal M!.
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