Mercado reduz previsão da inflação para 4,43% em 2025 após queda histórica de outubro

Instituições financeiras ajustam estimativa de inflação após resultado de outubro e mantêm projeções para os próximos anos


Redação
Redação 01/12/2025 19:00 • Negócios
Mercado reduz previsão da inflação para 4,43% em 2025 após queda histórica de outubro - Marcello Casal Jr./Agência Brasil
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A projeção do mercado financeiro para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), índice que representa a inflação oficial no país, passou de 4,45% para 4,43% em 2025. A atualização foi divulgada nesta segunda-feira (1º), no boletim Focus, publicado semanalmente pelo Banco Central (BC) com estimativas de instituições financeiras sobre os principais indicadores econômicos. As informações são da Agência Brasil.

Projeções de inflação para os próximos anos

Para 2026, o mercado revisou a expectativa de 4,18% para 4,17%. As previsões para 2027 e 2028 permanecem em 3,8% e 3,5%, respectivamente.

As revisões apontam redução pela terceira semana consecutiva, movimento influenciado pelo resultado do IPCA de outubro, que registrou o menor índice para o mês em quase três décadas. Com esse desempenho, a estimativa passou a se encaixar no intervalo da meta de inflação perseguida pelo BC.

Meta de inflação e limites estabelecidos

A meta definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. Assim, o limite inferior é 1,5% e o limite superior é 4,5%.

Impacto da conta de luz no resultado de outubro

A redução na tarifa de energia elétrica influenciou diretamente o índice e fez o IPCA fechar outubro em 0,09%, o menor para o mês desde 1998, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em setembro, a variação havia sido de 0,48%. Em outubro de 2024, o índice havia marcado 0,56%.

Com o número mais recente, a inflação acumulada em 12 meses está em 4,68%. Este é o primeiro resultado, em oito meses, abaixo do patamar de 5%, embora ainda esteja acima do teto definido pelo CMN.

Juros básicos e decisões do Banco Central

Para conduzir a inflação à meta, o Banco Central utiliza a taxa básica de juros (Selic) como principal instrumento. A taxa está definida em 15% ao ano, conforme decisão do Comitê de Política Monetária (Copom). A manutenção ocorreu pela terceira vez seguida após a desaceleração econômica e o recuo dos preços. O colegiado, porém, informou que pode considerar novos aumentos caso “julgue apropriado”.

Em comunicado, o BC observou que o ambiente externo segue incerto devido à conjuntura internacional e às políticas econômicas adotadas pelos Estados Unidos, fatores que impactam as condições financeiras globais. No cenário interno, a autarquia destacou que a inflação ainda está acima da meta, mesmo com a desaceleração da economia, indicando juros elevados por um período prolongado.

Expectativas para a Selic nos próximos anos

A projeção de analistas do mercado é que a Selic encerre 2025 em 15%. Para 2026, a estimativa aponta redução para 12% ao ano. Em 2027 e 2028, as expectativas são de novas quedas, para 10,5% e 9,5%, respectivamente.

Efeitos da Selic sobre a atividade econômica

Quando o Copom eleva a Selic, o objetivo é conter o aumento da demanda. Juros mais altos tornam o crédito mais caro e estimulam a poupança, o que reduz a pressão sobre os preços. Porém, taxas elevadas também podem limitar a expansão econômica. Os bancos consideram outros fatores ao definir os juros cobrados, como risco de inadimplência, margem de lucro e despesas administrativas.

Quando a Selic é reduzida, o crédito tende a ficar mais acessível, impulsionando a produção e o consumo. Esse movimento diminui o controle sobre a inflação, mas estimula a atividade econômica.

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