Alckmin diz que Brasil não impõe limites a negociações com EUA e destaca avanço em tarifas
Vice-presidente reforça abertura do governo brasileiro e afirma que Lula levou a Trump pautas tarifárias e a Lei Magnitsky
Lula Marques/Agência Brasil
O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), que também comanda o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, afirmou nesta sexta-feira (21) que o governo brasileiro quer ampliar a lista de produtos livres da tarifa adicional de 40% aplicada pelos Estados Unidos. Ele destacou ainda que não existe “tema proibido” nas negociações com Washington, defendendo o que chamou de “bom diálogo” entre os países.
Durante entrevista no Palácio do Planalto, Alckmin foi questionado sobre o interesse americano nas chamadas terras raras. A resposta foi direta:
“Não tem tema proibido. O Brasil é sempre aberto. Você tem temas tarifários e tem temas não tarifários.”
Entre os itens não tarifários, o vice-presidente citou o Regime Especial de Tributação para Serviços de Data Center no Brasil (Redata), criado em setembro, que tem estimulado novos investimentos no setor. Segundo ele, o País se tornou atraente para data centers porque “o limitador da inteligência artificial no mundo é a energia”, e o Brasil conta com oferta abundante e renovável.
Alckmin afirmou que a pauta com os americanos inclui terras raras, big techs e outros temas estratégicos.
Lula levou a Trump temas tarifários e a Lei Magnitsky
O vice-presidente também revelou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) discutiu com o presidente Donald Trump (Partido Republicano) dois pontos principais: a redução das tarifas impostas pelo governo dos Estados Unidos e a Lei Magnitsky, que atinge ministros brasileiros.
“O presidente Lula, quando conversou com o presidente Trump, ele fez os dois pleitos, o pleito de redução tarifária, colocando nossos argumentos, argumentos do Brasil, que os Estados Unidos têm superávit na balança comercial […] e também colocou a questão da Lei Magnitsky em relação aos ministros que foram afetados.”
Alckmin explicou que os EUA mantêm superávit na balança comercial de serviços e produtos com apenas três países do G20 (Grupo dos 20): Reino Unido, Austrália e Brasil.
Questionado sobre uma possível reunião entre Lula e Trump ou uma viagem oficial aos EUA, o vice-presidente respondeu que “ainda não” há definição. Mas informou que Lula convidou Trump para visitar o Brasil e se colocou à disposição para ir a Washington “se houver necessidade”.
Exportações: atualização amplia isenção para US$ 15,7 bilhões
Um levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostrou que a nova ampliação da lista de produtos isentos da tarifa adicional de 40% aplicada pelos Estados Unidos incluiu 238 novos códigos. Desses, 85 foram efetivamente exportados pelo Brasil aos EUA em 2024, somando US$ 3,8 bilhões — o equivalente a 9,1% de tudo o que o País vendeu aos americanos no ano passado.
Dos 238 códigos:
231 agora têm alíquota adicional zero,
7 permanecem com tarifa básica de 10%, por não terem sido incluídos na nova exceção da Ordem Executiva de 14 de novembro.
Entre os itens que mantêm tarifa estão pinhões, baunilha triturada ou moída e canela.
Com a mudança, 37,1% das exportações brasileiras aos EUA passam a estar isentas de tarifas adicionais, totalizando US$ 15,7 bilhões — antes, esse percentual era 28,5%. A maior parte, 62,9%, ainda segue sujeita a tarifas extras.
A ordem norte-americana, publicada na quinta-feira (20), tem vigência retroativa ao dia 13 de novembro de 2025.
CNI vê avanço no diálogo técnico entre Brasil e Estados Unidos
A Gerência de Comércio e Integração Internacional da CNI avalia que a ampliação da lista de isenções representa um sinal positivo no diálogo entre os dois países. Segundo a entidade, a decisão pode indicar interesse dos Estados Unidos em preservar cadeias produtivas integradas e aprofundar a cooperação comercial.
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