Sarampo dispara nas Américas e liga alerta sanitário; Brasil mantém status de área livre
Região concentra avanço da doença, enquanto vacinação sustenta proteção nacional
Marcelo Camargo/Agência Brasil
O crescimento explosivo dos casos de sarampo no continente americano levou a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), braço regional da Organização Mundial da Saúde (OMS), a emitir um alerta epidemiológico para todos os países. Mesmo diante desse cenário, o Brasil continua com certificação de território livre da doença — e, na Bahia, não há registros confirmados, embora autoridades sanitárias mantenham vigilância ativa.
O salto preocupa: em 2025 foram registrados 14.891 casos, contra apenas 446 em 2024, um aumento de quase 32 vezes. Houve ainda 29 mortes associadas à doença. Já em janeiro de 2026, dados preliminares apontam 1.031 infecções, quase 45 vezes acima das 23 notificações do mesmo período do ano anterior. As informações são da Agência Brasil.
América do Norte concentra transmissão
A maior parte dos diagnósticos ocorre na América do Norte. Em 2025:
- México: 6.428 casos
- Canadá: 5.436 casos
- Estados Unidos: 2.242 casos
Os três países somaram quase 95% das infecções do continente. No início de 2026, a tendência se manteve: 948 notificações nas três nações, equivalentes a 92% do total regional.
Segundo a Opas, a ampla maioria das pessoas contaminadas não estava vacinada:
- Estados Unidos: 93% sem vacinação ou histórico desconhecido
- México: 91,2%
- Canadá: 89%
“O aumento acentuado dos casos de sarampo na região das Américas durante 2025 e no início de 2026 constitui um sinal de alerta que requer uma ação imediata e coordenada por parte dos Estados Membros”, informa a Opas.
Em novembro passado, o continente perdeu o certificado de eliminação da transmissão sustentada da doença.
Brasil permanece livre da doença
Apesar do cenário regional, o Brasil mantém controle epidemiológico. Em 2025, foram confirmados 38 casos, praticamente todos em pessoas não vacinadas. Em 2024 haviam sido apenas quatro registros, e em 2026 não há casos reconhecidos até o momento.
Entre os casos confirmados em 2025:
- dez importados
- 25 relacionados à importação
- três com origem desconhecida
As ocorrências foram registradas no Distrito Federal, Maranhão, Mato Grosso, Rio de Janeiro, São Paulo, Rio Grande do Sul e Tocantins. O país recuperou em 2024 o certificado de eliminação do vírus após tê-lo perdido em 2019, quando houve reintrodução associada à queda da cobertura vacinal e ao fluxo migratório internacional.
Bahia monitora suspeitas e mantém vigilância
Na Bahia, não há confirmação de sarampo em 2025. Porém, o Estado permanece em alerta diante do risco de reintrodução do vírus. De acordo com a Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab), até a Semana Epidemiológica 40, em outubro do ano passado, foram notificados 70 casos suspeitos. A vigilância se concentra principalmente em municípios com cobertura vacinal abaixo da meta.
Risco permanente de importação
O vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, Renato Kfouri, alerta que a circulação internacional mantém o país vulnerável.
“Voos diários do Canadá, México e Estados Unidos para cá fazem com que seja inexorável a entrada de alguém com sarampo no nosso território”, disse Kfouri.
Ele afirma que o desafio é impedir transmissão interna. “Nosso grande desafio é manter a vigilância atenta, reconhecer esses casos suspeitos que entram no país e termos altas coberturas vacinais, para que esses casos que entrem não se traduzam em transmissão sustentada da doença”.
O que é o sarampo
O sarampo é uma doença viral altamente contagiosa e potencialmente fatal.
Principais sintomas
- Febre alta
- Tosse e coriza
- Conjuntivite
- Manchas vermelhas pelo corpo
- Dor de garganta
As lesões começam no rosto e se espalham pelo corpo. Em casos graves, podem provocar:
- pneumonia
- cegueira
- encefalite (inflamação cerebral)
Vacinação é a principal proteção
A imunização é oferecida gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Esquema vacinal
- 1ª dose: 12 meses (tríplice viral)
- 2ª dose: 15 meses
Pessoas até 59 anos devem atualizar a carteira se não tiverem comprovação.
Dados do Ministério da Saúde indicam recuperação da cobertura vacinal:
- Primeira dose: 80,7% → 93,78%
- Reforço: 57,6% → 78,9%
A Sociedade Brasileira de Imunizações recomenda cobertura mínima de 95% para evitar surtos.
Recomendações internacionais
A Opas orienta:
- reforçar vacinação de rotina
- investigar rapidamente suspeitas
- realizar busca ativa de casos
- ampliar campanhas para eliminar lacunas imunológicas
Ações do governo brasileiro
O Ministério da Saúde informou que orienta estados e municípios a intensificar vigilância e prevenção.
Entre as medidas:
- investigação rápida de casos suspeitos
- ampliação das coberturas vacinais
- vacinação reforçada em áreas de fronteira
Em 2025, o Brasil doou mais de 640 mil doses à Bolívia e reforçou imunização em regiões próximas à Argentina e Uruguai e em cidades turísticas.
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