Robinson Almeida apresenta moção contra Trump e declara presidente dos EUA ‘persona non grata’ na Bahia
Deputado também direcionou críticas à atuação da família Bolsonaro nos EUA, acusando seus integrantes de atuarem contra interesses nacionais
Instagram/@robinson_almeida
O deputado estadual Robinson Almeida (PT) apresentou, durante a retomada dos trabalhos na Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA), nesta segunda-feira (4), uma moção de repúdio ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarando-o “persona non grata” no Estado. A iniciativa do parlamentar ocorre em meio ao agravamento das tensões comerciais entre Brasil e EUA e a denúncias de ingerência do governo norte-americano em processos judiciais que envolvem o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e os responsáveis pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023.
Para Robinson, Trump tem adotado uma postura hostil ao Brasil, tanto em termos políticos quanto econômicos. A crítica do petista se concentra na decisão do republicano de aplicar uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos a partir da próxima quarta-feira (6), medida que, segundo ele, atinge diretamente a economia da Bahia e compromete a soberania nacional. De acordo com o petista, “Trump não é imperador do mundo” e o “Brasil é um país soberano, que expulsou definitivamente os portugueses da Bahia em 2 de julho de 1823”.
“A alma brasileira é de liberdade, democracia e justiça. Nosso país não é nem será colônia dos EUA”, afirmou o parlamentar, em discurso no plenário da AL-BA.
Crítica à família Bolsonaro
O deputado também direcionou críticas à atuação da família Bolsonaro nos Estados Unidos, acusando seus integrantes de atuarem contra os interesses nacionais. Robinson associou a atual política comercial de Trump à tentativa de prejudicar setores estratégicos da economia brasileira, com foco especial na produção agropecuária e industrial da Bahia. De acordo com um levantamento recente da Assessoria Econômica do Sistema Faeb/Senar, o Estado exportou mais de R$ 302 milhões em produtos agropecuários para os EUA somente em junho de 2025.
“É inaceitável que o Brasil, que tanto contribui para a segurança alimentar do mundo e para a transição energética global, seja atacado com tarifas injustas e abusivas. A Bahia, em especial, sofre com essa política predatória, pois nosso Estado é um grande exportador de celulose, frutas e químicos, entre outros setores que já sentem os efeitos da retração”, alertou.
Para ele, enquanto Trump busca impor uma hegemonia internacional, aliados de Bolsonaro trabalham para enfraquecer a economia brasileira e fragilizar a democracia nacional.
Impactos de tarifa na Bahia
Dados da Secretaria de Desenvolvimento Econômico da Bahia (SDE) mostram que, em 2024, os Estados Unidos foram o segundo principal destino das exportações do Estado, com movimentação de aproximadamente US$ 1,7 bilhão, especialmente nos setores de papel e celulose, petroquímicos e frutas. Com a nova tarifação, a Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb) estima que as exportações possam cair até 25%, impactando diretamente na geração de empregos e na competitividade das empresas baianas.
Nacionalmente, a perda pode ultrapassar R$ 18 bilhões em exportações, afetando a balança comercial e o Produto Interno Bruto (PIB) industrial brasileiro.
Interferência política no Brasil
Além do impacto econômico, Robinson alertou para a tentativa de interferência política do governo Trump em decisões judiciais brasileiras. Segundo ele, há sinais de que autoridades norte-americanas estariam buscando influenciar os julgamentos do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em processos que envolvem Jair Bolsonaro e os responsáveis pelos atos antidemocráticos de 2023.
“O Brasil é uma república independente. Nossa Justiça não pode ser pautada por interesses estrangeiros”, frisou o deputado.
“A tentativa de influenciar o julgamento de Bolsonaro e dos golpistas do 8 de janeiro é mais um sinal de que Trump não respeita a soberania dos povos. Mas aqui, quem manda é o povo brasileiro”, completou.
Caráter simbólico
A moção apresentada por Robinson tem caráter simbólico, mas foi descrita pelo parlamentar como uma atitude com valor histórico. Ao fazer referência à luta baiana pela independência do Brasil, ele destacou que a Bahia continua sendo um símbolo de resistência e de defesa da soberania nacional.
“Em 1823, foi daqui que expulsamos o último reduto da colonização portuguesa em território brasileiro. Hoje, novamente, a Bahia dá o exemplo de resistência e dignidade, reafirmando nosso compromisso com a soberania nacional e a liberdade do povo brasileiro”, concluiu Robinson Almeida.
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