Nísia Trindade denuncia campanha misógina para sua saída do Ministério da Saúde

Ex-ministra afirmou que enfrentou ataques misóginos durante gestão e defendeu mudanças na política nacional


Redação
Redação 11/03/2025 08:00 • Política
Nísia Trindade denuncia campanha misógina para sua saída do Ministério da Saúde - Marcelo Camargo/Agência Brasil
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A ex-ministra da Saúde, Nísia Trindade, afirmou, nesta segunda-feira (10), que enfrentou uma campanha sistemática de ataques misóginos ao longo dos 25 meses em que esteve à frente da pasta. A declaração foi feita durante a cerimônia no Palácio do Planalto que marcou a posse do novo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e da nova ministra da Secretaria de Relações Institucionais (SRI), Gleisi Hoffmann. As informações são do G1.

“Não posso esquecer que, durante os 25 meses em que fui ministra, uma campanha sistemática e misógina ocorreu para desvalorizar meu trabalho, minha capacidade e minha idoneidade. Não é possível e não aceito como natural comportamento político dessa natureza”, declarou Nísia.

Além das críticas aos ataques sofridos, Nísia defendeu uma nova política baseada no respeito e no diálogo, reforçando que mudanças na forma de conduzir a política brasileira são necessárias.

“Podemos e devemos construir uma nova política baseada efetivamente no respeito e no diálogo em torno de propostas para melhorar a vida da população”.

Reforma ministerial visa reforçar base política do governo Lula

A saída de Nísia Trindade faz parte de uma reforma ministerial promovida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), anunciada no fim de fevereiro. A troca no comando do Ministério da Saúde tem como objetivo ampliar a base de apoio do governo no Congresso Nacional. Com o maior orçamento entre os ministérios, a pasta da Saúde exige intensa articulação política, algo que pesou contra a permanência de Nísia no cargo.

Nísia foi escolhida inicialmente como um gesto ao meio científico, após presidir a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) entre 2017 e 2022. Sua gestão, no entanto, enfrentou dificuldades na liberação de emendas parlamentares e na articulação com o Legislativo.

Agora, Lula aposta em Alexandre Padilha, que ocupava a Secretaria de Relações Institucionais, para reestabelecer a articulação política no Congresso. Padilha também já foi ministro da Saúde no governo Dilma Rousseff, e tem histórico de atuação em temas da saúde pública.

Despedida marca ações e desafios da gestão de Nísia Trindade

Durante sua despedida, Nísia destacou as ações realizadas pela pasta, como a assinatura de portarias sobre a produção nacional de vacinas contra a dengue, além de medidas de fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS). Ela cumprimentou a equipe de trabalho e encerrou o evento de forma protocolar, sem comentar os motivos diretos da troca.

Apesar dos esforços, programas como o Mais Acesso a Especialistas não alcançaram o impacto esperado e enfrentaram entraves de gestão. A iniciativa buscava ampliar o acesso a exames e consultas especializadas pelo SUS.

Vacina contra a dengue e investimentos em saúde marcam legado

Na mesma cerimônia de posse, foi anunciado que o Brasil terá a primeira vacina 100% nacional contra a dengue em 2026. A produção será realizada em parceria entre o Ministério da Saúde, o Instituto Butantan e a empresa WuXi Biologics, com capacidade para produzir até 60 milhões de doses por ano.

A vacina será de dose única, voltada para a população de 2 a 59 anos, excluindo temporariamente pessoas acima de 60 anos por conta das etapas de testes clínicos. Além disso, estão previstos investimentos em outras vacinas, como contra o vírus sincicial respiratório (VSR) e a insulina Glargina, em cooperação com a Fiocruz e o Butantan.

Nova fase da Saúde mira articulação e continuidade de políticas

Com R$ 1,26 bilhão em investimentos, o governo federal projeta ampliar a produção nacional de insumos de saúde e garantir maior autonomia ao SUS. A expectativa é de que o novo comando da pasta, sob Padilha, reforce a execução de políticas públicas e melhore a relação entre Executivo e Legislativo.

A nomeação de Padilha é vista como uma estratégia para melhorar o desempenho político do governo em meio a uma queda de popularidade e ao desejo de respostas mais efetivas em áreas-chave como a saúde pública.

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