Gustavo Feliciano toma posse no Ministério do Turismo após expulsão de Celso Sabino do União Brasil
Troca no comando da pasta ocorre depois da expulsão de Celso Sabino e reabre diálogo político com a bancada do partido
Ricardo Stuckert/PR
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) dará posse, na manhã desta terça-feira (23), ao ex-secretário da Paraíba Gustavo Feliciano como novo ministro do Turismo, em cerimônia no Palácio do Planalto. A nomeação ocorre após o União Brasil pedir oficialmente o cargo de volta, depois da expulsão de Celso Sabino da legenda, motivada pela decisão do então ministro de permanecer no governo contrariando uma orientação partidária.
A troca marca um novo capítulo na relação entre o governo federal e o União Brasil, que havia anunciado rompimento com o Palácio do Planalto, mas manteve influência direta na Esplanada dos Ministérios. Feliciano chega ao cargo com apoio da bancada governista do União na Câmara, além de ser aliado político do presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB).
Ruptura do União e expulsão de Celso Sabino
A crise teve início após o União Brasil aprovar, em setembro, uma resolução determinando que seus filiados deixassem cargos no governo Lula. A decisão foi apresentada como um gesto de independência política e resultou em um ultimato aos ministros ligados à sigla.
Mesmo diante da orientação, Celso Sabino optou por permanecer no comando do Ministério do Turismo, o que levou à sua expulsão do partido. O estatuto do União prevê punições disciplinares, incluindo desligamento da legenda, para filiados que descumprirem decisões da executiva nacional.
Apesar do tom duro, a resolução deixou brechas que permitiram ao partido seguir influenciando o governo. Foram poupados da exigência os ministros Waldez Góes, do Desenvolvimento Regional, e Frederico Siqueira, das Comunicações, ambos apadrinhados pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).
União pede cargo e abre espaço para reaproximação
Após a saída de Sabino do partido, o União Brasil passou a reivindicar formalmente a cadeira no Ministério do Turismo, abrindo espaço para uma reaproximação política com o governo Lula, mesmo após o anúncio público de rompimento com a base governista. A avaliação interna da legenda foi de que a bancada da Câmara deveria manter um representante na Esplanada. A escolha de Gustavo Feliciano atendeu a esse entendimento e contou com articulação direta de parlamentares alinhados ao Planalto.
Quem é Gustavo Feliciano
Embora esteja atualmente sem partido, Gustavo Feliciano já foi filiado ao União Brasil na Paraíba, onde ocupou o cargo de terceiro vice-presidente do diretório estadual, então comandado pelo senador Efraim Filho (União-PB). Ele é filho do deputado Damião Feliciano (União-PB) e tem trajetória ligada à gestão pública.
Entre 2019 e 2021, Feliciano foi secretário de Turismo e Desenvolvimento Econômico da Paraíba, período em que ganhou projeção política no estado. Sua indicação foi vista como um nome de consenso dentro da ala governista do União na Câmara.
Aliança com Hugo Motta fortalece articulação
O novo ministro do Turismo é aliado próximo do presidente da Câmara, Hugo Motta, que recentemente se reaproximou do Palácio do Planalto após atritos com Lula em torno do Projeto de Lei Antifacção, em tramitação no Congresso Nacional.
Nas redes sociais, Motta celebrou a nomeação. “Parabéns ao meu amigo e conterrâneo Gustavo Feliciano pelo convite para ser ministro do Turismo. O cargo está com o ministro do estado certo”, escreveu o parlamentar.
A leitura no Planalto é de que a posse de Feliciano também ajuda a reduzir tensões com a Câmara, num momento em que o governo busca ampliar sua base de sustentação política.
Crise interna no União e embate com Lula
A exigência para que filiados deixassem o governo Lula ocorreu após a divulgação de reportagens que apontaram uma suposta ligação entre o presidente nacional do partido, Antonio de Rueda, e o Primeiro Comando da Capital (PCC) — acusações negadas pelo dirigente. Na ocasião, o União Brasil alegou haver uma “percepção de uso político da estrutura estatal” para desgastar Rueda.
O cenário se agravou após declarações públicas do presidente Lula, afirmando que não gostava de Rueda e que o dirigente também não gostava dele. Em resposta, Rueda divulgou nota defendendo a independência da legenda.
“A fala do presidente evidencia o valor da nossa independência e a importância de uma força política que não se submete ao governo”, afirmou.
Governo mantém influência apesar do discurso de ruptura
Mesmo após anunciar saída da base, o União Brasil segue com forte presença no governo federal, ocupando ministérios estratégicos e mantendo diálogo permanente com o Planalto. A posse de Gustavo Feliciano simboliza essa contradição e reforça a estratégia do governo de preservar pontes com o Centrão, em meio a um cenário de disputas internas e rearranjos políticos.
A expectativa é de que o novo ministro atue como elo entre o União, a Câmara e o governo Lula, em um ministério considerado estratégico tanto do ponto de vista político quanto econômico.
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