Forró, acolhimento e fé: Arraiá do Cumoa reúne grandes atrações e fortalece projeto social que ajuda 600 famílias
Segundo Mãe Tai, festa vai além da celebração cultural, pois além de ser momento de união e alegria, representa compromisso com o próximo
Divulgação
O Arraiá do Cumoa promove, nesta sexta-feira (30), um encontro de forró, cultura e solidariedade. O evento, organizado pelo Terreiro de Umbanda Cumoa, sob a liderança de Mãe Tai e Pai Rai, conta com shows de grandes nomes da música e visa reforçar o trabalho social do terreiro. Em entrevista ao programa De Olho na Bahia – comandado pelos jornalistas Matheus Morais e Osvaldo Lyra, editor-chefe do Portal M! –, na Rádio Mix Salvador (104.3 FM), na manhã desta sexta-feira (30), Mãe Tai explicou que o evento tem como objetivo arrecadar fundos para o projeto social que atende cerca de 600 famílias todos os meses.
Festa com propósito
Segundo Mãe Tai, a festa vai além da celebração cultural, pois além de ser um momento de união e alegria, também representa um compromisso com o próximo. “É um trabalho de muita luta, são 600 famílias todo mês que a gente distribui café da manhã e uma cesta básica. Então, a gente tá fazendo esse evento pra solidificar ainda mais o projeto e trazer também alegria. Além da macumba, alegria”, contou.
As atrações musicais incluem Armandinho e os irmãos Macedo, Bailinho de Quinta, Mirela Bastos, Ana Mameto e o DJ Rico Chamusca. O espaço foi transformado em uma verdadeira cidade do interior, com coreto, igreja e barracas típicas. Mãe Tai garantiu que também haverá atrações para crianças, como barracas de argola e tiro ao alvo.

Assistência para corpo, mente e espírito
Fundado por Mãe Bel em 1969, o Terreiro de Umbanda Cumoa hoje é conduzido por Mãe Tai e Pai Rai. Para além da fé, o terreiro se destaca por oferecer acolhimento integral, incluindo atendimentos de saúde mental e física.
“O terreiro foi fundado por minha mãe, em 1969, e hoje sou eu junto com o pai Rai, porque minha mãe também apesar de não tá atuando, está nos fortificando, nos ajudando, tem um trabalho espiritual muito grande e um trabalho mental. A gente tem 14 psicólogos atendendo diariamente, acupuntura, porque eu sempre digo: a gente é corpo, mente e espírito”, disse.
Ela destacou que muitas pessoas chegam ao terreiro com problemas que não são apenas espirituais e que, por isso, o Cumoa também conta com terapias complementares para ajudar quem precisa.
Umbanda, diversidade e respeito
Mãe Tai comentou ainda sobre a diversidade da Umbanda e seu caráter aberto. Segundo ela, cada terreiro tem seu modo de culto, unindo influências afro, indígenas, católicas e espíritas. Essa riqueza cultural se manifesta também na forma como o terreiro lida com as entidades e com a sociedade.
“A Umbanda é uma religião afro-indígena brasileira. Ela tem a influência do candomblé, sim, tem terreiros que se chama de Umbanda Omolú, que são terreiros que trazem muita influência do candomblé. Tem terreiros mais espíritas, tem terreiros mais católicos, né? Por ela não ter um código, uma bíblia. Então, cada terreiro tem a sua forma, a sua verdade”, explicou.
Ela reforçou que a Umbanda cultua povos historicamente marginalizados, como malandros, baianos, Exú e Pomba Gira, e que essas entidades hoje atuam na espiritualidade para ajudar as pessoas.
Intolerância e a luta por respeito
Mesmo com o diálogo inter-religioso em crescimento, Mãe Tai apontou que a intolerância ainda é um problema grave. Ela relembrou o ataque sofrido pelo terreiro há sete anos, quando um vizinho intolerante jogou bombas durante um show realizado no quintal do Cumoa.
“Nós buscamos isso, esse respeito, mas ainda há muito preconceito, principalmente com as religiões que têm a base de matriz africana. O racismo estrutural no Brasil é muito forte”, disse, relatando que o caso teve repercussão na mídia e foi parar no Ministério Público da Bahia (MP-BA), mas não teve desfecho.
Ela afirmou que, apesar de tudo, continua a acreditar na necessidade de respeito entre todas as religiões, pois a espiritualidade é única e a separação está apenas no plano terreno.
“Eu tenho um caboclo que trabalha comigo há muitos anos. Ele diz: ‘minha filha lá em cima é todo mundo misturado, quem separa são vocês aqui, homens'”, contou.
Caridade como ponte entre crenças
Para Mãe Tai, a caridade é o ponto que une todas as religiões. Mais do que doações materiais, ela ressaltou a importância de doar tempo e atenção para quem precisa de ajuda.
“A caridade ela é amor, é doação. Então quando a gente tá ali fazendo, ajudando pessoas, não só a caridade no sentido físico, como a gente faz a cesta básica, mas a caridade no sentido espiritual, de doar seu tempo, de estar ali, ajudando as pessoas a tentar minimizar seus problemas, as suas dores”, finalizou.
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