Dívida do Brasil pode chegar a 95% do PIB em 2026, segundo projeção do FMI
Relatório aponta risco de salto da dívida em ano eleitoral e alerta para deterioração das contas
José Cruz/Agência Brasil
O Fundo Monetário Internacional (FMI) revisou suas projeções e considera que a situação fiscal do Brasil está menos grave neste ano e no próximo exercício, mas alerta para um novo salto da dívida pública em 2026, ano de eleição presidencial no país. O alerta consta da mais recente edição do relatório Monitor Fiscal, divulgado nesta quarta-feira (15), em paralelo às reuniões anuais do FMI, em Washington, nos Estados Unidos.
FMI aponta melhora fiscal em 2025, mas alerta para 2026
Segundo o Fundo, o peso da dívida pública no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro deve alcançar 91,4% em 2025, contra 87,3% em 2024. Apesar do aumento superior a 4 pontos porcentuais, o número é inferior à estimativa divulgada em abril, que era de 92%.
Para 2026, a projeção também foi suavizada, mas indica novo crescimento: o FMI estima que a dívida pública brasileira chegará a 95% do PIB, abaixo dos 96% previstos anteriormente. Caso se confirme, esse seria o maior nível de endividamento desde 2020, ano em que políticas fiscais foram flexibilizadas durante a pandemia. Na ocasião, a dívida atingiu 96% do PIB.
Endividamento e trajetória fiscal do país
O relatório do FMI calcula que, ao longo do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o endividamento deve se deteriorar mais de 11 pontos percentuais, mas ainda inferior à projeção anterior de 12 pontos. Durante a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), a dívida teve melhora de quase 1 ponto percentual.
O FMI projeta que a dívida em relação ao PIB seguirá em ascensão: 97% em 2027 e 98,1% em 2030, fim do próximo mandato presidencial. O Fundo ressalta que a dívida bruta como proporção do PIB é um dos principais indicadores de solvência de um país, monitorado por agências de classificação de risco e investidores. Para comparabilidade internacional, o FMI inclui títulos do Tesouro detidos pelo Banco Central, que não entram nas contas do governo brasileiro.
Metas fiscais e expectativas de déficit
O FMI manteve suas projeções de déficit primário, já revisadas em abril. O déficit esperado para 2025 é de 0,6% do PIB, contra 0,2% em 2024, e o organismo não projeta superávit primário durante o mandato Lula 3. O governo, por sua vez, trabalha com meta de resultado primário zero, com margem de 0,25% do PIB para cima ou para baixo.
A derrota do governo no campo fiscal, com a derrubada da Medida Provisória que buscava alternativas ao aumento do IOF, contribuiu para que o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, cancelasse sua participação nas reuniões anuais do FMI, alegando necessidade de permanecer no Brasil para cumprir agendas oficiais. Haddad também negou alterações na meta fiscal de 2026, projetada com superávit de 0,25% do PIB, e se reuniu com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), para apresentar cenários de receita e despesa na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO).
O FMI projeta que o déficit primário cairá para 0,4% do PIB em 2026, com recuperação fiscal mais consistente apenas a partir de 2027, quando o superávit primário deve alcançar 0,3% do PIB, aumentando gradualmente até 1,4% em 2030.
Desafios fiscais e contexto eleitoral
O relatório do FMI destaca que o risco de deterioração constante das contas públicas persiste, especialmente com a corrida eleitoral de 2026, que pode gerar pressão por aumento de gastos e políticas expansionistas. Apesar da melhora temporária projetada, o organismo alerta que a dívida brasileira continuará em trajetória ascendente, exigindo disciplinas fiscais rigorosas e ajustes estruturais nos próximos governos.
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