Prevenção e informação: especialistas alertam para riscos do câncer de colo de útero
Em entrevista à Rádio Mix Salvador (104.3 FM), médicos Rodrigo Guedes e Maíra Tavares falaram sobre terceiro tumor maligno mais frequente nas mulheres
Divulgação
O câncer de colo de útero é um dos tipos mais comuns entre as mulheres brasileiras, mas também é amplamente evitável com prevenção e rastreamento adequado. Para falar sobre o tema, os jornalistas Osvaldo Lyra e Matheus Morais, que dividem a bancada do programa De Olho na Bahia com o oncologista e coordenador de Oncologia da Rede D’Or, Rodrigo Guedes, às quartas-feiras, entrevistaram Maíra Tavares, oncologista especialista em tumores femininos.
A entrevista, transmitida ao vivo na manhã desta quarta-feira (19), pela Rádio Mix Salvador (104.3 FM), teve como objetivo conscientizar a audiência sobre os riscos do câncer de colo de útero e destacar a importância da vacinação contra o HPV, uma medida fundamental na prevenção da doença. O quadro de saúde, conduzido semanalmente em parceria com Rodrigo Guedes, é uma oportunidade para trazer à tona temas cruciais para a saúde da mulher e da população em geral.
Tumores mais comuns entre mulheres no Brasil
De acordo com o oncologista Rodrigo Guedes, o câncer de colo de útero é o terceiro tumor maligno mais frequente na população feminina, excluindo o câncer de pele não melanoma.
“Infelizmente, é também a quarta causa de morte por câncer entre as mulheres no Brasil, com incidência ainda maior em regiões como o Norte do país”, destacou.
O grande fator de risco para o desenvolvimento da doença é a infecção pelo vírus do HPV, que está presente em praticamente 99% dos casos. “O HPV infecta a mucosa do colo do útero e, na maioria das vezes, é eliminado pelo organismo. No entanto, quando a infecção persiste, pode causar lesões que evoluem para o câncer”, explicou Maíra Tavares.
Doença silenciosa e prevenção eficaz
Diferente de outras infecções virais, o HPV é silencioso e não manifesta sintomas imediatos, o que torna essencial a prevenção e o acompanhamento regular. A transmissão ocorre principalmente por via sexual, mas também pode acontecer por contato direto com a pele e mucosas infectadas.
A boa notícia é que existem medidas eficazes de prevenção, como o exame de Papanicolau e a vacinação contra o HPV. “O exame é essencial porque permite identificar alterações nas células do colo do útero antes que se tornem cancerígenas. E a vacina, por sua vez, reduz drasticamente as chances de infecção pelos tipos de HPV mais perigosos”, ressaltou a oncologista.
Vacinação: segurança e eficácia
A vacina contra o HPV é gratuita pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e está disponível para meninas e meninos de 9 a 14 anos. “Essa é a faixa etária ideal porque, em geral, as crianças ainda não tiveram contato com o vírus, garantindo maior proteção. Mesmo adultos podem se vacinar, mas a eficácia é reduzida para aqueles que já tiveram exposição ao HPV”, explicou Maíra.
Ela também ressaltou que existem diferentes tipos de vacina. A disponibilizada pelo SUS é a quadrivalente, que protege contra quatro tipos do vírus, incluindo os mais oncogênicos. Já a vacina nona-valente, oferecida apenas na rede privada, amplia essa proteção para nove tipos de HPV.
Conscientização e quebra de mitos
Apesar da segurança e eficácia da vacina, a oncologista lamenta que ainda existam desinformações que dificultam sua ampla adesão.
“Muitas pessoas acreditam, erroneamente, que vacinar crianças contra o HPV incentiva a iniciação sexual precoce. Isso é um mito e já foi desmentido por vários estudos científicos. O objetivo da vacina é prevenir o câncer, assim como vacinamos contra outras doenças virais”, afirmou.
Ela reforça a importância da educação sobre o tema para que cada vez mais mulheres tenham acesso à prevenção e ao tratamento precoce. “Temos uma doença que é evitável e tratável, desde que haja informação, conscientização e acesso aos serviços de saúde. Precisamos ampliar essa conversa para salvar vidas.”
O câncer de colo de útero pode ser prevenido com medidas simples, e a conscientização é fundamental para reverter os altos índices da doença no Brasil. A mensagem de especialistas como a doutora Maíra e o doutor Rodrigo é clara: prevenir é sempre o melhor caminho.
Doença no Brasil e na Bahia
Terceiro tumor maligno mais frequente na população feminina do Brasil (atrás do câncer de mama e do colorretal), o câncer de colo de útero representa um problema de saúde pública. Segundo estimativa do Instituto Nacional do Câncer (Inca), o país deve registrar 17.010 novos casos da doença em 2025.
A Bahia lidera o número de novos diagnósticos da doença na região Nordeste, com estimativa de 1160 novos casos este ano. De acordo com o Ministério da Saúde, cerca de 6,5 mil mortes por câncer do colo do útero são registradas todos os anos.
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