Bahia registra 93 casos de raiva em animais em 2025 e tem maior avanço da doença em 4 anos
Crescimento da doença atinge 97% desde 2021, com avanço entre morcegos, bovinos e equinos; Sesab reforça monitoramento em todo Estado
Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil
A Bahia contabilizou 93 casos de raiva em animais entre janeiro e novembro de 2025, alcançando o maior número de registros dos últimos 4 anos e indicando forte expansão da circulação do vírus no estado. Os dados, divulgados pela Secretaria Estadual de Saúde (Sesab), mostram que o crescimento da doença chegou a 97% em comparação com 2021, quando 47 episódios foram confirmados.
A elevação dos casos envolve principalmente espécies do ciclo silvestre, como morcegos e raposas, além de animais de produção e de companhia. Entre as ocorrências, chamou atenção o registro de raiva em um filhote de cachorro em Salvador — o primeiro caso canino na capital em 20 anos —, episódio que mobilizou ações de bloqueio e intensificou o alerta das autoridades. O cenário preocupa órgãos de saúde, que reforçaram medidas de vigilância e prevenção para evitar novas ocorrências e conter possíveis riscos à população.
Raiva avança na Bahia e atinge diferentes espécies
De acordo com o balanço da Sesab, morcegos, bovinos e equinos lideram o número de infecções confirmadas até novembro de 2025. As ocorrências foram identificadas em diversas regiões, embora o governo estadual não tenha detalhado quais municípios tiveram registros.
Distribuição dos casos por espécie
- Morcegos: 32
- Bovinos: 24
- Equinos: 19
- Raposas: 12
- Gatos: três
- Cães: três
O avanço do vírus também foi observado ao longo do ano: fevereiro liderou o número de confirmações, com 14 casos, seguido por janeiro (12) e novembro (11). Os números demonstram atividade constante do vírus no ciclo silvestre, que pode atingir animais domésticos caso medidas de prevenção não sejam mantidas.
Evolução anual indica retomada da circulação viral
A progressão da raiva entre 2021 e 2025 evidencia um movimento de retomada da circulação viral no estado, principalmente associada ao ambiente natural.
Casos registrados nos últimos anos
- 2021: 47
- 2022: 34
- 2023: 74
- 2024: 79
- 2025: 93
O crescimento contínuo reforça a importância de manter em dia ações de vacinação e vigilância ativa em áreas rurais e urbanas. Especialistas afirmam que morcegos seguem como os principais transmissores no ciclo silvestre, afetando tanto animais de criação quanto de estimação.
Situação em humanos permanece estável, mas vigilância aumenta
Segundo a Sesab, o último caso de raiva humana na Bahia ocorreu em 2017, no município de Paramirim, quando um morador foi infectado após contato com um morcego. Desde então, não houve novos registros, mas a circulação do vírus entre animais exige atenção constante e resposta rápida a qualquer suspeita.
Medidas adotadas pelas autoridades para conter avanço
Embora o estado não tenha detalhado os municípios afetados, a Sesab informou que as vigilâncias municipais foram orientadas a reforçar ações preventivas, incluindo:
Ações recomendadas aos municípios
- intensificação da vacinação de cães e gatos a partir dos três meses de idade;
- monitoramento de zonas rurais e áreas com presença de morcegos;
- investigação epidemiológica de casos suspeitos;
- orientação comunitária sobre riscos e prevenção;
- notificações imediatas de animais com sinais neurológicos ou comportamentais incomuns.
O órgão também destaca que a vacinação anual é o meio mais eficiente de interromper a cadeia de transmissão, tanto para animais domésticos quanto para aqueles que atuam em atividades rurais.
Caso pontual em Salvador reforça necessidade de atenção
Entre as ocorrências registradas no Estado, um dos episódios ganhou destaque por representar um marco epidemiológico: o caso de um filhote de cachorro que morreu em Salvador em novembro, primeiro registro de raiva em cães na capital em 20 anos. A situação mobilizou a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), que realizou bloqueio vacinal, busca ativa de contatos e ações casa a casa no bairro de Sussuarana.
Apesar de pontual, o caso reforça a orientação de médicos-veterinários e autoridades para que tutores verifiquem a carteira de vacinação de seus animais e mantenham a imunização em dia. Segundo especialistas, a baixa imunização facilita a exposição ao vírus, especialmente em áreas onde o ciclo silvestre está ativo.
Para o médico-veterinário Murillo Barros, o registro de um caso de raiva em cão após quase duas décadas “marca um retrocesso significativo para a saúde pública e para o controle das zoonoses no Estado”. O especialista, que também é proprietário do PetDupark, na Pituba, reforça que “a vacinação continua sendo o único meio realmente eficaz para evitar novas ocorrências”. Ele alerta ainda que, diante do novo caso, os tutores devem intensificar os cuidados.
“É fundamental revisar a carteira de vacinação e confirmar se o animal recebeu a dose anual contra a raiva, que é obrigatória no Brasil. A falta de imunização coloca em risco o próprio cão, outros animais e até o tutor”, explicou Barros ao Portal M!.
Como identificar riscos e quando procurar ajuda
A Sesab e as vigilâncias municipais recomendam que a população esteja atenta a comportamentos atípicos em animais, como:
- agressividade repentina;
- salivação excessiva;
- dificuldade ao andar;
- apatia incomum;
- mudança brusca de comportamento.
Pessoas expostas a mordidas, arranhões ou saliva de animais suspeitos devem procurar imediatamente um serviço de saúde. Já animais silvestres caídos, mortos ou desorientados não devem ser tocados; nestes casos, a orientação é contactar a vigilância municipal.
De acordo com Murillo Barros, a transmissão da raiva pode ocorrer pelo contato direto com a saliva de animais infectados, por isso a atenção deve ser redobrada. Ele destaca ainda que morcegos são importantes reservatórios do vírus. “Se alguém encontrar um morcego morto, deve acionar o Centro de Zoonoses para que a coleta seja realizada de forma segura, sem qualquer tipo de contato direto”, alerta ao Portal M!.
“O ideal é que os tutores verifiquem a data da última vacinação contra a raiva, pois a imunização deve ser feita todos os anos. Como estamos no período de festas e muitas famílias viajam, é ainda mais importante garantir que os animais estejam com a proteção em dia. Em caso de dúvida, procure um médico-veterinário”, alertou o especialista ao Portal M!.
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