Rui Costa muda de discurso e evita cravar candidatura ao Senado
Ministro da Casa Civil já havia anunciado, ao lado de Jaques Wagner, intenção de disputar uma das duas vagas em 2026 no lugar de Coronel
Reprodução/Youtube @rodaviva
Após defender inúmeras vezes uma chapa “puro sangue” nas eleições em 2026 na Bahia e afirmar que disputaria o Senado, o ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT), mudou o discurso, na noite desta segunda-feira (7), e evitou cravar sua candidatura a um das duas vagas na Casa – hoje ocupadas pelos senadores Jaques Wagner (PT) e Angelo Coronel (PSD). No entanto, durante entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, o ex-governador da Bahia deixou claro que a possibilidade segue em aberto, o que inviabilizaria Coronel disputar a reeleição na ala governista.
“Na posição em que eu estou, eu não posso antecipar uma posição minha este ano. Eu não tenho feito isso. Minha função dentro do governo é organizar as entregas, e estou fazendo isso 12, 14, 18 horas por dia, e continuarei fazendo. Eu vou pensar em candidatura a partir de janeiro, fevereiro do ano que vem”, afirmou o ministro que também voltou a descartar a possibilidade de sair candidato novamente ao Governo da Bahia.
Decisão sobre Senado será tomada, por Lula, em janeiro
Segundo Rui Costa, qualquer decisão sobre sua eventual candidatura será tomada apenas após conversa direta com o presidente Lula, que deverá acontecer entre janeiro e fevereiro de 2026. “Eu tive uma conversa prévia com o presidente. Em janeiro e fevereiro do ano que vem, eu vou sentar com ele e conversar sobre qual é a melhor estratégia que devo seguir. Lá faremos uma avaliação”, disse.
“Ainda é prematuro bater o martelo sobre isso. Mas, se eu serei candidato a alguma coisa, será no ano que vem”, completou.
No entanto, tanto Wagner quanto Rui já confirmaram suas pré-candidaturas ao Senado em 2026, inclusive, em entrevista ao Portal M! durante o desfile cívico do 2 de julho em Salvador, que contou com a participação pela quarta vez consecutiva do presidente Lula. A decisão enterra, na prática, as chances de Coronel disputar a reeleição dentro da chapa majoritária do grupo liderado pelo PT na Bahia há quase 20 anos.
Sucessão a Lula e governo da Bahia
Questionado sobre a possibilidade de suceder Lula, quando o presidente não puder mais ser reeleito, Rui Costa negou. Segundo ele, o lugar da presidência é um espaço que só a história pode colocar uma pessoa, mas sente orgulho do trabalho que tem desempenhado pelo governo Lula.
“Não, é um lugar que ninguém pode se ver. É um lugar que a história lhe coloca. E eu me vejo como o desafio, o orgulho, e o agradecimento desse lugar de destaque que o presidente me colocou. Sinto orgulho de ter, depois de 2 anos e meio, colocado mais de 90 programas de PEC com portarias, com decreto, com medidas provisoras, com projetos de Lei, com um conjunto de articulações bastante exitosos”, declarou.
Ainda na entrevista, o ex-governador descartou a possibilidade de ser candidatar novamente ao governo do Estado no lugar de seu sucessor Jerônimo Rodrigues (PT), que vai buscar a reeleição em 2026.
“Eu não serei candidato a governador. O candidato é Jerônimo Rodrigues, isso eu posso afirmar hoje, mas se eu serei candidato a alguma coisa ou não, eu definirei ano que vem”, disse.
Oposição vive “50 tons de Bolsonaro”
Sobre o cenário político nacional e os possíveis adversários, o ministro ironizou a direita brasileira, afirmando que todos os postulantes do campo conservador são “variações” de Jair Bolsonaro (PL).
“No ano que vem, o presidente Lula irá enfrentar ‘50 tons de Bolsonaro’. Todos os candidatos da direita são variações do Bolsonaro. São diferenças e nuances de um mesmo tom”, comentou.
O ministro fez ainda referência ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), citado como possível adversário na disputa presidencial. De acordo com Rui Costa, o Palácio do Planalto analisa que a oposição permanece atrelada ao legado bolsonarista, mesmo com novos nomes tentando se viabilizar no cenário eleitoral.
“Me parece que o Tarcísio está mais preocupado em defender o Trump do que defender os empresários paulistas, do que em defender o emprego dos trabalhadores brasileiros”, completou o ministro.
Relações internacionais e soberania nacional
Durante a entrevista, Rui Costa também mandou um recado direto aos Estados Unidos. O ministro da Casa Civil afirmou que o Brasil manterá sua autonomia nas relações comerciais e não se deixará intimidar por pressões estrangeiras.
“O que o presidente fez, como qualquer chefe de Estado soberano faria, foi dizer ao presidente dos Estados Unidos que aqui há leis e uma Suprema Corte que atua de forma autônoma. Não cabe a outro país opinar sobre o funcionamento do Judiciário brasileiro, muito menos ameaçar o Brasil com tarifas”, disse.
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