Prefeito de Coité critica Jerônimo Rodrigues e recusa negociação política
Marcelo Araújo afirmou que governador já tem pleno conhecimento das necessidades, mas condiciona soluções a acordos políticos
Divulgação
O prefeito de Conceição do Coité, Marcelo Araújo (União Brasil), fez duras críticas ao governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), acusando-o de tratar as demandas do município como se fossem objeto de “comércio político” e barganha para a reeleição do petista em 2026. As declarações ocorreram durante discurso na Câmara de Vereadores, na última segunda-feira (11) e marcam mais um capítulo da disputa política no interior baiano.
‘Eu não me vendo’, diz prefeito
Marcelo Araújo afirmou que o governo estadual já tem pleno conhecimento das necessidades de Conceição do Coité, mas condiciona soluções a acordos políticos.
“Se o senhor procurar o governador do Estado, pode ter certeza que ele vai dar o que o senhor pedir para Coité. E eu falo a quem me procurou: ‘Eu não me vendo’”, disse o gestor.
Sem citar diretamente, Marcelo fez referência ao deputado estadual Alex da Piatã (PSD), natural da cidade e aliado de Jerônimo, como possível canal de comunicação entre o município e o governo.
“O governo do Estado tem um deputado da bancada dele, terceiro mandato, que sabe todas as nossas necessidades. Não precisa que o prefeito vá se humilhar e pedir coisas para Coité, porque ele sabe”, completou.
Negociação e princípios
Para o prefeito, a ausência de respostas às demandas municipais está relacionada a uma postura de barganha política por parte do governador de olho nas eleições de 2026. “Mas, por que não faz? Porque ele quer negociar. E eu não negocio princípios. Eu não negocio valores”, declarou.
Marcelo destacou que sua posição não se restringe ao cenário local. “O que está em jogo não é somente a governabilidade de Coité, é o futuro da Bahia e do Brasil. Como é que eu posso aceitar isso? Por conveniência política? É por isso que esse Brasil está onde está”, concluiu.
Avanço do governador sobre prefeitos
Enquanto enfrenta críticas de opositores, Jerônimo Rodrigues segue ampliando sua base de apoio no interior para sua reeleição no próximo ano. Desde que o secretário de Relações Institucionais, Adolpho Loyola, intensificou articulações, prefeitos antes alinhados à oposição têm aderido ao grupo governista.
Exemplos recentes incluem os prefeitos de Jequié, Zé Cocá; de Itapetinga, Eduardo Hagge; e de Itagi, Saulo Islan, todos do União Brasil, que elogiaram publicamente o governador.
Em evento do Programa de Governo Participativo (PGP) em Capim Grosso, no fim de julho, Jerônimo recebeu apoio de mais 27 prefeitos, elevando para mais de 300 o número de gestores municipais que integram sua base — de um total de 417 cidades baianas.
Força do PT entre PP e PSD
Entre os 92 prefeitos eleitos pelo PP em 2020, cerca de 90% permanecem apoiando o governador, mesmo após o rompimento político do então vice-governador João Leão (PP) com o PT na pré-campanha de 2022. No PSD, apenas cinco dos 108 prefeitos eleitos não declararam apoio a Jerônimo, reflexo da forte influência do senador Otto Alencar, presidente estadual do partido.
Reação de ACM Neto
O fortalecimento político de Jerônimo levou o vice-presidente nacional do União Brasil, ACM Neto, a intensificar sua presença no interior. Em abril, o ex-prefeito de Salvador anunciou uma nova fase de articulação para consolidar o que chama de “sentimento de mudança”, após 19 anos de governos petistas na Bahia.
O ex-prefeito de Salvador iniciou viagens estratégicas, começando pela região de Ilhéus, com a meta de atrair lideranças, reforçar alianças e identificar potenciais candidatos para 2026. “O ano de 2025 vai ser de articulação política, conversa com partidos e lideranças, e preparação para o futuro”, afirmou Neto.
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