Mauro Vieira quebra silêncio e rebate rótulo polêmico sobre Brics: ‘Absurdo’
Artigo do chanceler brasileiro aponta visão estratégica para o bloco e destaca desafios globais, incluindo guerra comercial e crise humanitária em Gaza
Lula Marques/ Agência Brasil
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, classificou, na manhã desta sexta-feira (4), como “absurdo” o estereótipo de que o Brics é um bloco contrário ao Ocidente. A afirmação consta em artigo publicado na última edição da revista do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), às vésperas da Cúpula de Líderes do Brics, que acontece a partir do próximo domingo (6), no Rio de Janeiro.
O chanceler argumenta que essa leitura distorcida decorre de análises “apressadas ou interessadas” e a participação ativa dos países do Brics em fóruns multilaterais, como o G20, demonstra o compromisso com o diálogo global. Segundo ele, o grupo representa um “exercício criativo de diplomacia”, com papel relevante diante dos desafios contemporâneos, como conflitos armados, crises humanitárias e instabilidade econômica.
“A atuação dos países do Brics em foros como o G20 desmente na prática o estereótipo segundo o qual se tratava de uma formulação com viés antiocidental”, pontuou o ministro.
Expansão do bloco e papel do Sul Global
Vieira relembra a origem do Brics, criado a partir do acrônimo cunhado pelo economista Jim O’Neill para designar os mercados emergentes com projeção de crescimento – Brasil, Rússia, Índia e China – e, mais tarde, ampliado para incluir a África do Sul. Atualmente, o grupo reúne 21 integrantes entre membros plenos e parceiros, todos autodeclarados países do Sul Global.
Para o chanceler, essa ampliação fortalece o Brics como plataforma de diálogo e de ação coletiva. Segundo Vieira, apenas uma atuação coordenada e eficaz poderá reverter a fragilidade das instituições internacionais.
“A expansão fortaleceu o Brics como plataforma para responder aos desafios da atualidade e do futuro, entre eles a defesa da diplomacia e do multilateralismo, cuja reforma e fortalecimento já não podem mais esperar”, defendeu.
Críticas à ONU e ao sistema global de segurança
O ministro também voltou a cobrar uma reforma profunda no sistema de governança global. Mauro Vieira apontou a incapacidade da Organização das Nações Unidas (ONU) e, em especial, de seu Conselho de Segurança, em dar respostas eficazes à nova realidade geopolítica do século XXI.
“A arquitetura de segurança pós-Segunda Guerra Mundial dá claras mostras de esgotamento e requer reformas profundas”, afirmou.
Vieira citou, como exemplo, a crise prolongada e sem perspectiva de resolução na Faixa de Gaza e na Cisjordânia. Ele alertou para as violações cometidas cotidianamente nos territórios palestinos e criticou a omissão da comunidade internacional diante das atrocidades. “Ninguém poderá alegar ignorância, agora ou no futuro, quanto às atrocidades e agressões que têm sido cometidas”, observou.
Riscos de guerra comercial e crise na OMC
Outro ponto abordado no artigo foi a atual fragilidade do sistema multilateral de comércio, agravada pelo que classificou como “tarifaço de Trump” e a adoção de medidas comerciais unilaterais por parte dos Estados Unidos. Segundo o chanceler, esse movimento ameaça aprofundar as tensões comerciais e enfraquecer ainda mais a Organização Mundial do Comércio (OMC), que já atravessa uma crise institucional.
Vieira destacou que o Brics deve continuar atuando com unidade, fortalecendo sua voz no cenário internacional. “Somente uma ação coletiva rápida e eficaz pode reverter o atual quadro de debilidade das instituições internacionais”, concluiu.
Venezuela tenta retomar aproximação com Brics apesar de veto brasileiro
Mesmo após ter sido barrada na tentativa de ingressar no Brics em 2024, a Venezuela voltou a demonstrar interesse em participar das atividades do bloco. Durante a presidência rotativa do Brasil, representantes do governo de Nicolás Maduro encaminharam pedidos à Coordenação-Geral do Brics expressando o desejo de integração. No entanto, o Itamaraty não considerou estender convites a membros do regime chavista para a Cúpula de Líderes, marcada para o próximo domingo (6), no Rio de Janeiro.
A exclusão de Maduro foi motivada pela posição do governo brasileiro, que vetou sua entrada no bloco sob o argumento de que apenas países com relações políticas amistosas com todos os membros poderiam ser aceitos. Durante a cúpula anterior, realizada em Kazan, na Rússia, Maduro chegou a comparecer de surpresa na expectativa de ser admitido como “parceiro do Brics”, nova categoria criada na ocasião. No entanto, saiu frustrado com a negativa, o que gerou tensões diplomáticas com o governo Lula, acusado de “apunhalada pelas costas” pelo chavismo.
Dívida bilionária com Brasil trava relação entre Caracas e governo Lula
Além das divergências políticas, a dívida de mais de US$ 1,7 bilhão (cerca de R$ 9,8 bilhões) da Venezuela com o Brasil tem sido outro obstáculo para o restabelecimento pleno das relações bilaterais. De acordo com telegramas diplomáticos, o governo de Maduro sugeriu compensar parte do débito com “lucros futuros” de investimentos brasileiros em território venezuelano. A proposta foi comunicada à embaixadora brasileira em Caracas, Glivânia Maria de Oliveira, durante reunião com a ministra venezuelana do Comércio Exterior, Coromoto Godoy, em fevereiro deste ano.
“Minha interlocutora disse estar ciente da questão da dívida e manifestou, em tom vago, a expectativa de que esse entrave possa ser equacionado entre os dois países. Adicionou que o distanciamento não gerou benefícios para nenhum país e que um dos caminhos para a retomada do desenvolvimento da Venezuela seria a aproximação com o Brics. Nesse contexto, fez um apelo a que o Brasil considerasse convidar representante venezuelano para participar de eventuais atividades que possam contribuir para estreitar laços com o grupamento”, reportou Glivânia.
Na ocasião, a diplomata brasileira reiterou que a dívida continua sendo uma barreira significativa para o aprofundamento do comércio entre os dois países. Apesar da retomada discreta dos laços diplomáticos, o governo brasileiro não incluiu a Venezuela na lista de países convidados para a cúpula do Brics.
Ao todo, foram chamados México, Uruguai, Colômbia, Chile, Angola, Turquia e outros dois países não divulgados. O gesto reforça o distanciamento político entre Brasília e Caracas, mesmo diante das tentativas venezuelanas de se reaproximar por meio de canais diplomáticos alternativos.
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