Lula diz que só ligará para Trump se houver disposição para diálogo: ‘Não vou me humilhar’
Comércio com os Estados Unidos representa apenas 12% da balança comercial brasileira, enquanto a China representa quase 30%
Ricardo Stuckert/PR
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) declarou, na tarde desta quarta-feira (6), que não buscará contato com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, devido à percepção de que o americano não está aberto ao diálogo. As informações são do G1.
O presidente frisou que não vê espaço para negociações diretas com o norte-americano e pontuou ainda que o Brasil não pretende anunciar tarifas recíprocas e não desistirá das negociações comerciais, mesmo reconhecendo a ausência de interlocução no momento.
O vice-presidente Geraldo Alckmin, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, estão tentando negociar. “O que nós não estamos encontrando é interlocução”, declarou Lula, que disse não ter pressa e, por enquanto, nem mesmo intenção de ligar para Trump.
“Pode ter certeza de uma coisa: no dia em que minha intuição me disser que Trump está disposto a conversar, não terei dúvida de ligar para ele. Mas hoje minha intuição diz que ele não quer conversar. E eu não vou me humilhar”, afirmou Lula em entrevista à Reuters.
Exportações brasileiras enfrentam uma das maiores tarifas impostas por Trump
As exportações brasileiras enfrentam uma das maiores tarifas impostas por Trump, mas as novas barreiras comerciais dos EUA não deverão causar prejuízos drásticos à maior economia da América Latina, o que confere ao presidente brasileiro mais margem para adotar uma postura firme contra o líder norte-americano do que a maioria dos líderes ocidentais.
“Se os Estados Unidos não querem comprar, vamos procurar outro para vender; se a China não quiser comprar, vamos procurar outro para vender. Se qualquer país não quiser comprar, não vamos ficar chorando, vamos procurar outros”, disse Lula.
Atualmente, o comércio com os Estados Unidos representa apenas 12% da balança comercial brasileira, enquanto a China representa quase 30%.
Lula descreveu as relações entre os EUA e o Brasil como no ponto mais baixo em 200 anos, após Trump vincular a nova tarifa à exigência de fim do processo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que está sendo julgado por tentativa de golpe para permanecer no poder após a derrota na eleição de 2022.
Lula diz que STF ‘não se importa’ com Trump
Segundo Lula, o Supremo Tribunal Federal (STF), que julga o caso contra Bolsonaro, “não se importa com o que Trump diz e nem deveria”. Ele destacou que o ex-presidente é um “traidor da pátria” e deveria enfrentar outro julgamento por provocar a intervenção de Trump.
“Essas atitudes antipolíticas, anticivilizatórias, é que colocam problemas numa relação que antes não existia. Já tínhamos perdoado a intromissão dos Estados Unidos no golpe de 1964”, disse o presidente.
“Mas essa não é uma intromissão pequena, é o presidente dos Estados Unidos achando que pode ditar regras para um país soberano como o Brasil. É inadmissível”.
Admitindo que as negociações estão difíceis, o presidente afirmou que o foco do governo agora é implementar medidas compensatórias para amortecer o impacto econômico das tarifas dos EUA, mantendo a responsabilidade fiscal.
“Temos que criar condições para ajudar essas empresas. Temos a obrigação de cuidar da manutenção dos empregos das pessoas que trabalham nelas. Temos a obrigação de ajudar essas empresas a buscar novos mercados para seus produtos. E temos a preocupação de convencer empresários americanos a pressionarem o presidente Trump para que flexibilize”.
Lula diz que vai discutir tarifa com Brics
Lula também afirmou que planeja telefonar para líderes do grupo Brics, começando pela Índia e pela China, para discutir a possibilidade de uma resposta conjunta às tarifas dos EUA. “Vou tentar fazer uma discussão com eles [Brics] sobre como é que cada um está dentro da situação, qual é a implicação que tem em cada país, para a gente poder tomar uma decisão”, disse Lula.
Além disso, o presidente revelou planos para criar uma nova política nacional para os recursos minerais estratégicos do Brasil, tratando-os como uma questão de “soberania nacional”, com o objetivo de romper com o histórico de exportações de minerais que agregavam pouco valor ao país.
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