Jorge Solla explica voto contra emenda de castração química de criminosos sexuais
Para deputado, que também é médico, medida fere Constituição Federal que proíbe tratamentos desumanos e degradantes
Mário Agra/Câmara dos Deputados
O deputado federal Jorge Solla (PT-BA) justificou, nesta última sexta-feira (13), seu voto contra a emenda aprovada pela Câmara dos Deputados que prevê a castração química de criminosos sexuais condenados. A medida foi incluída no projeto de lei 2.976/20, que estabelece um cadastro nacional de pedófilos, apesar de não estar prevista no acordo original.
Razões do voto contra
Para Solla, a emenda fere a Constituição Federal, que, no artigo 5º, inciso III, proíbe tratamentos desumanos e degradantes. “É inconstitucional porque a Constituição veda a tortura e intervenções corporais permanentes ou temporárias. Portanto, trata-se de uma emenda inútil e ilegal”, declarou o parlamentar.
O deputado também criticou o que chamou de “jogada para a plateia” promovida por parlamentares da extrema-direita. Segundo ele, a proposta foi aprovada por um plenário dominado por discursos populistas, sem qualquer embasamento técnico ou jurídico.
Questões éticas e efetividade
Solla, que é médico sanitarista e ex-secretário estadual de Saúde, destacou que a castração química não resolve o problema central dos crimes sexuais. Ele argumenta que o foco deveria estar na prevenção e no fortalecimento de redes de apoio às vítimas.
“Precisamos de educação sexual nas escolas, campanhas de conscientização e atendimento psicológico para vítimas e familiares. Também é fundamental capacitar profissionais de segurança e saúde para melhorar o acolhimento das vítimas”, afirmou.
Estudos citados por Solla mostram que a castração química não necessariamente reduz a reincidência de crimes sexuais. Segundo o Ministério da Saúde, 68% desses crimes são cometidos no ambiente familiar, muitas vezes por pessoas próximas às crianças.
“A violência sexual não depende apenas do desejo sexual; em muitos casos, objetos são utilizados. Suspender a medicação pode até aumentar a libido do agressor”, acrescentou.
Emenda aprovada
A emenda foi apresentada pelo deputado Ricardo Salles (Novo-SP) e aprovada, nesta última quinta-feira (12), por 267 votos a favor, 85 contra e 14 abstenções. Ela prevê a aplicação de medicamentos inibidores da libido sob regulamentação do Ministério da Saúde. A relatora do projeto, deputada Delegada Katarina (PSD-SE), foi contra a proposta, mas a maioria no plenário decidiu pela inclusão da medida no projeto, que agora segue para análise do Senado.
Como votou a bancada baiana
A bancada baiana na Câmara, formada por 39 deputados federais, votou de maneira dividida: 19 foram a favor, 11 contra e dois se abstiveram. Sete parlamentares não compareceram à votação.
Votos a favor:
- Pastor Sargento Isidório (Avante)
- Ricardo Maia (MDB)
- Félix Mendonça Júnior (PDT)
- Capitão Alden (PL)
- Raimundo Costa (Podemos)
- Claudio Cajado (PP)
- João Leão (PP)
- Mário Negromonte Jr. (PP)
- Neto Carletto (PP)
- Otto Alencar Filho (PSD)
- Ivoneide Caetano (PT)
- Joseildo Ramos (PT)
- Josias Gomes (PT)
- Zé Neto (PT)
- Márcio Marinho (Republicanos)
- Rogéria Santos (Republicanos)
- Arthur Oliveira Maia (União)
- José Rocha (União)
- Leur Lomanto Júnior (União)
Votos contra:
- Alice Portugal (PCdoB)
- Daniel Almeida (PCdoB)
- Leo Prates (PDT)
- João Carlos Bacelar (PL)
- Lídice da Mata (PSB)
- Charles Fernandes (PSD)
- Paulo Magalhães (PSD)
- Jorge Solla (PT)
- Waldenor Pereira (PT)
- Bacelar (PV)
- Paulo Azi (União)
Abstenções:
- Valmir Assunção (PT)
- Elmar Nascimento (União)
Ausentes:
- Antonio Brito (PSD)
- Sérgio Brito (PSD)
- Adolfo Viana (PSDB)
- Roberta Roma (PL)
- Afonso Florence (PT)
- Diego Coronel (PSD)
- Alex Santana (Republicanos)
A polêmica em torno da castração química segue gerando debates acalorados no Congresso Nacional e na sociedade civil, enquanto o projeto aguarda tramitação no Senado.
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