Governador faz balanço da segurança em 2024 e aposta em tecnologia e treinamento para conter violência na Bahia
Em resposta aos recentes ataques de facções criminosas em Jequié, Jerônimo afirmou que deflagrou operação para garantir segurança na região
Equipe M!
O governador Jerônimo Rodrigues (PT) fez um balanço, na manha desta terça-feira (7), sobre as ações na segurança pública em 2024 no Estado. Em entrevista ao Portal M! durante entrega de dez novas viaturas no Centro Administrativo da Bahia (CAB), o petista falou sobre os avanços no uso de tecnologia para o setor e o sistema de reconhecimento facial foi apontado como uma das ferramentas mais eficazes.
Segundo ele, em apenas 6 dias nesse ano, 52 suspeitos foram presos com a ajuda do reconhecimento facial. “Fortalecer esse tão chamado o I da inteligência. A tecnologia, nós podemos comprovar o significado disso como hoje, nós estamos no dia 7, mas até ontem, dia 6, a prisão de 52 pessoas por reconhecimento facial. Isso é inteligência, tecnologia, então isso dá mais do que dez pessoas por dia presa e entregue a justiça para poder cuidar”, disse o governador para o Portal M!.
O governador ressaltou que a tecnologia é um pilar essencial para reforçar a inteligência policial e aumentar a eficácia no combate ao crime e anunciou investimentos em equipamentos destinados à Corregedoria e à Comunicação. “Então, aqui nós estamos falando de dez viaturas, R$ 2,2 milhões para a Corregedoria, que é também um serviço importante, mas também para as Comunicações”, ressaltou.
Reforço no efetivo policial
Jerônimo Rodrigues também falou sobre os esforços para ampliar e qualificar o efetivo policial. “Quero dizer que nesse início de ano também, nós já estaremos apresentando mais quase 2 mil pessoas que serão capacitadas para que as forças policiais possam receber mais homens e mulheres para o trabalho. Então é uma entrega importante para a gente”, disse o governador.
O governador enfatizou que o fortalecimento da segurança pública não se limita ao aumento do efetivo, mas também inclui a criação de novas estruturas, como delegacias, pelotões e companhias, em várias regiões da Bahia.
Aumento da violência na Bahia
Apesar dos dados apresentados pelo governador nesta manhã, o avanço da criminalidade e atuação de facções na Bahia tem gerado críticas contundentes à gestão do petista. A falta de ações contundentes na segurança pública e o impacto negativo na imagem do Estado são algumas das principais preocupações, especialmente durante a alta temporada turística.
O vice-presidente nacional do União Brasil, ACM Neto, criticou o governo estadual após relatos de mortes associadas a gestos supostamente ligados a facções criminosas. Em vídeo compartilhado nas redes sociais, ACM Neto destacou o impacto negativo que a violência tem causado na imagem da Bahia e responsabilizou diretamente o governador Jerônimo pela falta de medidas eficazes para conter a violência.
O ex-prefeito de Salvador ressaltou que, em 2024, seis pessoas foram assassinadas em situações como essas, o que, segundo ele, evidencia a ineficácia das ações de segurança pública no estado. Ele cobrou uma postura mais ativa do governador no enfrentamento à violência.
“Começo de um novo ano, verão bombando, alta estação em nosso Estado, momento que a Bahia mais recebe visitantes do Brasil e do exterior, mas, infelizmente, a imagem do nosso Estado não é transmitida apenas de uma forma positiva, como nós desejávamos que fosse”, afirmou o ex-prefeito,
Deputado Sandro Régis cobra medidas eficazes diante da violência em Jequié
Assim como Neto, o deputado estadual Sandro Régis (União Brasil) também criticou o governo estadual e manifestou indignação após uma onda de violência em Jequié, que deixou oito mortos entre os dias 3 e 5 de janeiro. Entre as vítimas estavam dois jovens encontrados carbonizados em uma casa abandonada.
Régis atribuiu a escalada do crime à ausência de medidas estruturais e ao que classificou como “inércia do governo estadual”. “Até quando o governador vai continuar passivo no enfrentamento à segurança? O que aconteceu em Jequié neste final de semana é mais uma evidência de que o governo do PT na Bahia não tem mais forças para enfrentar a criminalidade e deixa a população vivendo debaixo de um ambiente de terror”, declarou.
A violência em Jequié reflete um problema mais amplo. A cidade registrou mais de 80 homicídios em 2024, um aumento de 35,5% em relação ao ano anterior, consolidando um histórico preocupante que já a colocou como a mais violenta do Brasil em 2022, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública.
As críticas apontam para a necessidade de ações mais incisivas e estratégias integradas que priorizem a segurança em todas as regiões, independentemente de alinhamentos políticos. O agravamento da criminalidade na Bahia reforça os desafios da gestão estadual na busca por soluções efetivas para combater o avanço das facções e promover a paz social.
“A gente espera que o governador finalmente assuma o controle e a responsabilidade da situação, inclusive nas cidades onde os prefeitos não são seus aliados políticos, como é o caso de Jequié, porque ele foi eleito para governar para todo o povo da Bahia, sem fazer distinção de posição política”, completou Régis.
Operações em resposta ao crime organizado
Em resposta aos recentes ataques de facções criminosas em Jequié, o governador afirmou que deflagrou uma operação para garantir a segurança na região. A ação contou com a colaboração da prefeitura local, reforçando a estratégia de integração entre os diferentes níveis de governo.
“Nós estamos nesse momento deflagrando uma operação. Ontem, segunda-feira, em Jequié, final de semana o crime organizado teve uma ação e nós estamos respondendo à altura para garantir a paz e a tranquilidade ao povo de Jequié. O governo plantou aí o sistema de 24 horas até para combater essas facções e a gente está num período de verão onde a cidade recebe muitos turistas e também sabemos da quantidade de pessoas que morreram por símbolos, com as mãos em fotos”, afirmou Jerônimo.
Jerônimo Rodrigues destacou que essas operações integram a política de segurança pública do Estado, que também busca parcerias com o governo federal. Segundo ele, a Polícia Federal (PF) e a Polícia Rodoviária Federal (PRF) são consideradas peças-chave no combate ao tráfico de drogas, armas e outras atividades criminosas.
Planejamento de segurança para turismo
Com a alta temporada de verão em curso, o governo da Bahia garantiu que eventos turísticos e culturais no Estado estão sendo realizados com apoio direto das forças de segurança. Palcos, iluminação e acessos estão sendo planejados de forma a garantir a segurança de moradores e turistas.
“Naturalmente que toda a programação, por exemplo, programação realizada no final de ano, ela é batida, é feita com a segurança pública, para garantir também que não seja dificultada as intervenções, que os ambientes que sejam colocados os palcos ou a distribuição das pessoas possam ter já um alinhamento de segurança, de iluminação, de facilidade de entrada”, declarou o governador.
Ao ser questionado sobre possíveis campanhas educativas para alertar turistas sobre comportamentos ou sinais que poderiam ser associados a facções criminosas, Jerônimo afirmou que o Estado avalia a viabilidade de medidas educativas. No entanto, ressaltou que o foco principal está no fortalecimento das operações policiais.
“Na verdade eu falo sobre essas questões de orientação de fotos com as mãos, porque a gente tem casos de mortes por conta disso, e turistas chegam e não tem noção do que está acontecendo aqui na Bahia sobre essas questões. Nesse aspecto de apresentação de sinais e símbolos, temos que ver em que medida essa divulgação não fortalece essas corporações criminosas. Então, nós não daremos visibilidade nem qualquer tipo de oportunidade para que eles possam fazer marketing em cima da intervenção policial. O que nós damos é reforço da polícia, câmaras para agora, nesse momento, prendê-los de forma rigorosa e entregar à justiça”, afirmou Jerónimo para o Portal M!.
Mudanças na legislação e parcerias nacionais
Outro ponto abordado por Jerônimo Rodrigues foi a necessidade de mudanças na legislação federal para endurecer as penalidades contra o crime organizado. O governador mencionou o programa “Bahia pela Paz”, que articula esforços com tribunais, ministérios públicos e o governo federal.
“O programa nosso, Bahia pela Paz, estabelece sempre um contato muito forte para que eu tenha certeza que nós chegaremos também a uma nova lei para que a gente imprima com maior vigor a ação de penalizar as pessoas envolvidas ou que participam de organizações criminosas”, explicou.
O governador também destacou a importância da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que visa a criação de um Sistema Nacional de Segurança Pública. A medida busca integrar estados, municípios e União em ações coordenadas para combater o tráfico de drogas e armas.
“As agendas nossas no âmbito federal tem sido com a presença do ministro Ricardo Lewandowski, que é uma PEC que diz respeito a um sistema nacional. Quando se fala em um sistema nacional, fala do município, fala do Estado, fala da União, mas fala dos outros órgãos constituídos, Tribunal de Justiça, Ministério Público, Defensoria. É daí que a minha esperança surge para que a gente possa, nesse ambiente, aqui na Bahia nós temos o Bahia pela Paz, lá nós temos um Conselho Nacional de Segurança que deverá estabelecer o rigor, apurar para que as mortes violentas, para que as ações promovidas pelo crime organizado com um dinheiro fácil que roda com drogas, com armas, tudo isso tem a penalização mais rigorosa sobre a ação do crime organizado”, completou o governador ao Portal M!.
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