Desaprovação ao governo Lula sobe para 40% após escândalo do INSS, aponta Datafolha
Apenas 28% dos entrevistados consideram o governo ‘ótimo ou bom’
Ricardo Stuckert/PR
A reprovação ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a crescer e atingiu 40%, segundo nova pesquisa Datafolha, divulgada nesta quinta-feira (12). O índice é superior aos 38% da pesquisa anterior, divulgada no mês de abril. Apenas 28% dos entrevistados consideram o governo ótimo ou bom.
A pesquisa também aponta estabilidade dentro da margem de erro de dois pontos percentuais, mas interrompe o movimento de recuperação observado entre fevereiro e abril. No início de abril, 29% avaliavam Lula positivamente, enquanto 38% o reprovavam. Em fevereiro, os índices eram de 24% de aprovação e 41% de reprovação.
Crise do INSS marca cenário político negativo
Desde a última pesquisa, o principal acontecimento político foi a crise do INSS, desencadeada pela Operação Sem Desconto, da Polícia Federal, deflagrada em 23 de abril. A investigação revelou o desvio de aproximadamente R$ 6 bilhões por meio de descontos ilegais em aposentadorias, favorecendo entidades ligadas a políticos.
A narrativa de que se tratava de um “roubo de velhinhos” ganhou força popular e fragilizou a imagem do governo. Inicialmente, o Planalto tentou atribuir o problema à gestão anterior, do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), uma vez que o esquema teve início em 2019. No entanto, a apuração mostra que ele se estendeu até 2023, já no segundo ano do atual mandato, e a resposta do governo foi considerada lenta e descoordenada.
A crise resultou na saída do então ministro da Previdência Social, Carlos Lupi, e expôs conflitos internos na gestão federal, com diferentes órgãos se eximindo de responsabilidade. O desgaste na imagem já era notável especialmente entre públicos tradicionalmente simpáticos ao presidente.
Rejeição cresce entre os mais escolarizados
O percentual dos que consideram o governo regular manteve-se praticamente estável, oscilando de 32% para 31%. Já os que não souberam responder representam 1% dos entrevistados. A coleta de dados foi feita com 2.004 eleitores em 136 municípios do país, entre terça-feira (10) e quarta-feira (11).
O Datafolha também questionou diretamente se os entrevistados aprovam ou desaprovam o trabalho de Lula como presidente. Neste caso, 50% afirmaram desaprovar (contra 49% em abril) e 46% aprovaram (eram 48%), variações dentro da margem de erro.
Entre os eleitores com ensino superior, a avaliação do governo sofreu sua maior queda. A aprovação caiu de 31% em abril para 25% em junho. Esse grupo apresenta uma margem de erro maior, de 12 pontos percentuais, o que exige cautela na análise dos dados.
Apoio entre os mais pobres oscila
Entre os entrevistados que ganham até dois salários mínimos, tradicionalmente mais favoráveis ao PT, a aprovação oscilou positivamente de 30% para 32%. A reprovação nesse grupo caiu de 36% para 33%. A margem de erro para essa faixa é de três pontos percentuais.
Apesar da ligeira melhora nos índices desse segmento, o Planalto enfrenta dificuldades em reverter a queda de popularidade iniciada entre o fim de 2023 e o começo de 2024. A avaliação negativa havia saltado de 29% em dezembro para 41% em fevereiro.
Esse período coincide com a repercussão negativa da proposta de fiscalização do Pix, que forçou o Ministério da Fazenda a recuar. A crise foi apontada como um dos fatores que desencadearam a piora na imagem do governo na virada do ano.
Reforço na comunicação não impediu impacto da crise previdenciária
Após os danos causados pela proposta do Pix, o presidente Lula promoveu mudanças na equipe de comunicação, colocando o marqueteiro Sidônio Palmeira no comando. A medida parecia surtir efeito na pesquisa anterior, com leve recuperação nos índices.
No entanto, a crise do INSS teve impacto maior e dificultou os esforços de reposicionamento da imagem presidencial. A associação direta com perdas de aposentados gerou forte desgaste e repercussão popular negativa.
Além da questão previdenciária, outros episódios recentes também trouxeram desafios para o governo. Durante viagem à China, a primeira-dama Janja da Silva causou desconforto ao interpelar o líder chinês Xi Jinping sobre o TikTok, e houve críticas ao vaivém nas decisões sobre o aumento do IOF.
Embora tenham peso político menor que o escândalo do INSS, episódios como o protagonismo da primeira-dama e alterações tributárias repercutiram em diferentes esferas. Pesquisas qualitativas realizadas por partidos indicam que a imagem de Janja influencia diretamente a percepção do presidente.
Já a instabilidade nas decisões sobre o IOF causou ruído entre setores do mercado e da classe política. Ainda assim, esses fatos não tiveram o mesmo alcance popular que a crise no INSS, vista como o maior fator de desgaste do governo neste momento.
Aprovação de Lula teve leve reação em abril
Em abril, o Datafolha apontou que a gestão do presidente Lula registrou uma leve reação nos índices de aprovação, após alcançar os piores números desde o início de seu terceiro mandato, segundo pesquisa Datafolha. O levantamento mostrou que 29% dos entrevistados consideram o governo como ótimo ou bom, um crescimento de cinco pontos em relação à consulta anterior, realizada em fevereiro.
Apesar da alta, o índice de desaprovação ainda permanecia mais elevado. Segundo o instituto, 38% classificaram a gestão como ruim ou péssima. Outros 32% avaliaram o governo como regular, número que se manteve estável em comparação à pesquisa anterior. A proporção de entrevistados que não souberam responder caiu de 2% para 1%.
Em fevereiro, a aprovação do governo era de 24%, o nível mais baixo registrado nos três mandatos de Lula. Na mesma pesquisa, a reprovação havia atingido 41%. Os dados indicam que a queda perdeu força e que houve uma estabilização nas opiniões do eleitorado, segundo o Datafolha.
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