Desaprovação ao governo Lula sobe para 40% após escândalo do INSS, aponta Datafolha

Apenas 28% dos entrevistados consideram o governo ‘ótimo ou bom’


Redação
Estadão Conteúdo e Redação 12/06/2025 19:55 • Política
Desaprovação ao governo Lula sobe para 40% após escândalo do INSS, aponta Datafolha - Ricardo Stuckert/PR
Reproduzindo artigo
00:00 00:00

A reprovação ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a crescer e atingiu 40%, segundo nova pesquisa Datafolha, divulgada nesta quinta-feira (12). O índice é superior aos 38% da pesquisa anterior, divulgada no mês de abril. Apenas 28% dos entrevistados consideram o governo ótimo ou bom.

A pesquisa também aponta estabilidade dentro da margem de erro de dois pontos percentuais, mas interrompe o movimento de recuperação observado entre fevereiro e abril. No início de abril, 29% avaliavam Lula positivamente, enquanto 38% o reprovavam. Em fevereiro, os índices eram de 24% de aprovação e 41% de reprovação.

Crise do INSS marca cenário político negativo

Desde a última pesquisa, o principal acontecimento político foi a crise do INSS, desencadeada pela Operação Sem Desconto, da Polícia Federal, deflagrada em 23 de abril. A investigação revelou o desvio de aproximadamente R$ 6 bilhões por meio de descontos ilegais em aposentadorias, favorecendo entidades ligadas a políticos.

A narrativa de que se tratava de um “roubo de velhinhos” ganhou força popular e fragilizou a imagem do governo. Inicialmente, o Planalto tentou atribuir o problema à gestão anterior, do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), uma vez que o esquema teve início em 2019. No entanto, a apuração mostra que ele se estendeu até 2023, já no segundo ano do atual mandato, e a resposta do governo foi considerada lenta e descoordenada.

A crise resultou na saída do então ministro da Previdência Social, Carlos Lupi, e expôs conflitos internos na gestão federal, com diferentes órgãos se eximindo de responsabilidade. O desgaste na imagem já era notável especialmente entre públicos tradicionalmente simpáticos ao presidente.

Rejeição cresce entre os mais escolarizados

O percentual dos que consideram o governo regular manteve-se praticamente estável, oscilando de 32% para 31%. Já os que não souberam responder representam 1% dos entrevistados. A coleta de dados foi feita com 2.004 eleitores em 136 municípios do país, entre terça-feira (10) e quarta-feira (11).

O Datafolha também questionou diretamente se os entrevistados aprovam ou desaprovam o trabalho de Lula como presidente. Neste caso, 50% afirmaram desaprovar (contra 49% em abril) e 46% aprovaram (eram 48%), variações dentro da margem de erro.

Entre os eleitores com ensino superior, a avaliação do governo sofreu sua maior queda. A aprovação caiu de 31% em abril para 25% em junho. Esse grupo apresenta uma margem de erro maior, de 12 pontos percentuais, o que exige cautela na análise dos dados.

Apoio entre os mais pobres oscila

Entre os entrevistados que ganham até dois salários mínimos, tradicionalmente mais favoráveis ao PT, a aprovação oscilou positivamente de 30% para 32%. A reprovação nesse grupo caiu de 36% para 33%. A margem de erro para essa faixa é de três pontos percentuais.

Apesar da ligeira melhora nos índices desse segmento, o Planalto enfrenta dificuldades em reverter a queda de popularidade iniciada entre o fim de 2023 e o começo de 2024. A avaliação negativa havia saltado de 29% em dezembro para 41% em fevereiro.

Esse período coincide com a repercussão negativa da proposta de fiscalização do Pix, que forçou o Ministério da Fazenda a recuar. A crise foi apontada como um dos fatores que desencadearam a piora na imagem do governo na virada do ano.

Reforço na comunicação não impediu impacto da crise previdenciária

Após os danos causados pela proposta do Pix, o presidente Lula promoveu mudanças na equipe de comunicação, colocando o marqueteiro Sidônio Palmeira no comando. A medida parecia surtir efeito na pesquisa anterior, com leve recuperação nos índices.

No entanto, a crise do INSS teve impacto maior e dificultou os esforços de reposicionamento da imagem presidencial. A associação direta com perdas de aposentados gerou forte desgaste e repercussão popular negativa.

Além da questão previdenciária, outros episódios recentes também trouxeram desafios para o governo. Durante viagem à China, a primeira-dama Janja da Silva causou desconforto ao interpelar o líder chinês Xi Jinping sobre o TikTok, e houve críticas ao vaivém nas decisões sobre o aumento do IOF.

Embora tenham peso político menor que o escândalo do INSS, episódios como o protagonismo da primeira-dama e alterações tributárias repercutiram em diferentes esferas. Pesquisas qualitativas realizadas por partidos indicam que a imagem de Janja influencia diretamente a percepção do presidente.

Já a instabilidade nas decisões sobre o IOF causou ruído entre setores do mercado e da classe política. Ainda assim, esses fatos não tiveram o mesmo alcance popular que a crise no INSS, vista como o maior fator de desgaste do governo neste momento.

Aprovação de Lula teve leve reação em abril

Em abril, o Datafolha apontou que a gestão do presidente Lula registrou uma leve reação nos índices de aprovação, após alcançar os piores números desde o início de seu terceiro mandato, segundo pesquisa Datafolha. O levantamento mostrou que 29% dos entrevistados consideram o governo como ótimo ou bom, um crescimento de cinco pontos em relação à consulta anterior, realizada em fevereiro.

Apesar da alta, o índice de desaprovação ainda permanecia mais elevado. Segundo o instituto, 38% classificaram a gestão como ruim ou péssima. Outros 32% avaliaram o governo como regular, número que se manteve estável em comparação à pesquisa anterior. A proporção de entrevistados que não souberam responder caiu de 2% para 1%.

Em fevereiro, a aprovação do governo era de 24%, o nível mais baixo registrado nos três mandatos de Lula. Na mesma pesquisa, a reprovação havia atingido 41%. Os dados indicam que a queda perdeu força e que houve uma estabilização nas opiniões do eleitorado, segundo o Datafolha.

Redação

Redação

Equipe de jornalistas e editores do portal Muita Informação

Mais Lidas

Política

Últimas Notícias

Novo salário mínimo de R$ 1.621 começa a valer nesta segunda-feira -
Negócios 02/02/2026 às 21:02

Novo salário mínimo de R$ 1.621 começa a valer nesta segunda-feira

Reajuste do valor impacta benefícios do INSS, seguro-desemprego e contribuições previdenciárias em 2026


Cármen Lúcia diz que 2026 exigirá ‘comportamentos mais rigorosos’ e ‘transparentes’ de juízes eleitorais -
Política 02/02/2026 às 20:29

Cármen Lúcia diz que 2026 exigirá ‘comportamentos mais rigorosos’ e ‘transparentes’ de juízes eleitorais

Presidente do TSE afirma que Judiciário deve atuar com clareza e independência no próximo pleito


Bahia emite primeira CNH do Brasil com processo digital e custos reduzidos -
Cidades 02/02/2026 às 20:00

Bahia emite primeira CNH do Brasil com processo digital e custos reduzidos

Documento inaugura integração nacional do processo e amplia acesso à habilitação com redução de custos


Inflação recua e mercado reduz projeção para 3,99% em 2026, aponta boletim Focus -
Negócios 02/02/2026 às 19:31

Inflação recua e mercado reduz projeção para 3,99% em 2026, aponta boletim Focus

Boletim Focus aponta IPCA abaixo do teto da meta, PIB em 1,8% e expectativa de queda gradual da Taxa Selic


Em mensagem ao Congresso, Lula exalta avanços econômicos e aponta fim da escala 6×1 como desafio para 2026 -
Política 02/02/2026 às 19:04

Em mensagem ao Congresso, Lula exalta avanços econômicos e aponta fim da escala 6×1 como desafio para 2026

Governo destaca avanços econômicos, agenda social e aposta em parceria com Legislativo


Licia Fábio reúne convidados no Amado em celebração à Iemanjá e revela novidades do Camarote Brown: ‘É o samba na Bahia’ -
Carnaval 2026 02/02/2026 às 18:33

Licia Fábio reúne convidados no Amado em celebração à Iemanjá e revela novidades do Camarote Brown: ‘É o samba na Bahia’

Ao Portal M!, promoter destaca importância da data, das parcerias e dá detalhes dos projetos para o verão e o Carnaval


BBB 26: participantes vão para o ‘Tá Com Nada’ após sequência de punições gravíssimas -
BBB 26 02/02/2026 às 17:59

BBB 26: participantes vão para o ‘Tá Com Nada’ após sequência de punições gravíssimas

Infrações gravíssimas cometidas por Ana Paula Renault e Milena atingem o limite do Vacilômetro e levam todos os participantes à penalização coletiva


Carlos Muniz destaca parceria com o Executivo, projeta avanços para Salvador e adia decisão sobre candidatura do filho -
Política 02/02/2026 às 17:30

Carlos Muniz destaca parceria com o Executivo, projeta avanços para Salvador e adia decisão sobre candidatura do filho

Presidente da CMS diz nova legislatura será marcada pela união entre o Legislativo e o Executivo municipal, com foco em ações para melhorias na cidade


Congresso inicia último ano da legislatura com foco em medidas provisórias, CPIs e articulações para o STF -
Política 02/02/2026 às 16:58

Congresso inicia último ano da legislatura com foco em medidas provisórias, CPIs e articulações para o STF

Retomada dos trabalhos ocorre em meio a calendário eleitoral, análise de vetos e articulações entre Executivo, Legislativo e Judiciário


Kiki Bispo destaca alinhamento entre Câmara e Executivo, projeta agenda de entregas e nega candidatura em 2026 -
Política 02/02/2026 às 16:31

Kiki Bispo destaca alinhamento entre Câmara e Executivo, projeta agenda de entregas e nega candidatura em 2026

Vice-líder do governo na Câmara destaca alinhamento com o Executivo, diálogo com a oposição e expectativa de avanços em áreas estratégicas