Correios acumulam 12 trimestres de prejuízo e têm déficit bilionário no governo Lula

Estatal voltou ao vermelho em 2022, com prejuízo de R$ 767 milhões


Redação
Redação 19/10/2025 12:40 • Política
Correios acumulam 12 trimestres de prejuízo e têm déficit bilionário no governo Lula - Marcelo Camargo/Agência Brasil
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A crise financeira dos Correios atingiu níveis históricos em 2025, com um déficit acumulado de R$ 4,36 bilhões no primeiro semestre. A estatal enfrenta consecutivos resultados negativos desde 2022, provocados por aumento de custos, perda de competitividade e queda nas encomendas internacionais, intensificada pela cobrança de imposto sobre pequenas remessas do exterior, conhecida como “taxa das blusinhas”. As informações são do G1.

Após registrar lucro recorde de R$ 3 bilhões em 2021, os Correios voltaram ao vermelho em 2022, com prejuízo de R$ 767 milhões. Em 2023, o déficit caiu levemente para R$ 633 milhões, mas disparou em 2024, atingindo R$ 2,6 bilhões. A receita líquida caiu para R$ 18,9 bilhões, enquanto as despesas com pessoal, precatórios e demandas judiciais aumentaram.

Medidas emergenciais e busca por empréstimos

Na quarta-feira (15), o presidente Emmanoel Schmidt Rondon, no cargo há menos de um mês, anunciou que a estatal busca um empréstimo de R$ 20 bilhões para tentar conter a crise. “A gente precisa recuperar a liquidez da empresa para que a gente possa, por exemplo, ter capacidade de pagar o Plano de Demissão Voluntária (PDV). Estamos fazendo uma operação com bancos para a realizar uma operação de tomada de recursos”, afirmou Rondon.

No ano passado, os Correios utilizaram R$ 2,9 bilhões do dinheiro em caixa e aplicações financeiras, 92% do total que estava aplicado em 2023. Ainda sob a gestão do ex-presidente Fabiano Silva, a empresa tomou empréstimo de R$ 1,8 bilhão para suprir o fluxo de caixa operacional, que estava abaixo das necessidades.

A escassez de recursos provocou atrasos em repasses e pagamentos ligados à geração de receita da estatal. Rondon avaliou que a empresa não se adaptou de forma ágil a uma nova realidade, o que contribuiu para a falta de caixa.

O novo plano de medidas dos Correios está estruturado em três frentes: corte de despesas operacionais e administrativas, diversificação de receitas e recuperação da liquidez da empresa. Para reduzir custos, será aberto um novo PDV, sem detalhes divulgados pelo presidente. Em maio, outro PDV teve adesão de 3.500 funcionários.

Os prejuízos recorrentes em 2024 representaram o primeiro resultado negativo bilionário da empresa desde 2016. Naquele ano, o déficit foi de R$ 1,5 bilhão, equivalente a R$ 2,3 bilhões em valores atualizados.

Entre as causas da crise estão perda de mercado para empresas privadas, tributação sobre remessas internacionais, baixa lucratividade das agências — apenas 15% operam no azul — e gestão com influência política, alvo de críticas por suposto loteamento de cargos e interferência partidária.

Impacto de políticas recentes

O cenário piorou em 2025. A receita caiu 9,5%, para R$ 8,9 bilhões, enquanto despesas administrativas subiram para R$ 13,4 bilhões. Os custos com precatórios saltaram de R$ 133 milhões para R$ 389 milhões. Em resposta, a estatal lançou um pacote de contenção em maio com meta de economizar R$ 1,5 bilhão, incluindo PDV, corte de jornada e salários, suspensão de férias, retorno presencial obrigatório, venda de imóveis, redução de contratos e criação do marketplace Mais Correios.

Parte da dificuldade financeira decorre de gastos com pessoal. Em 2022, reajustes salariais e abonos indenizatórios elevaram os custos em mais de 9% ao ano, impactando diretamente os resultados. A vigência dos acordos coletivos normalmente se estende por 12 meses, abrangendo dois anos diferentes.

Outro fator foi a implementação do programa “Remessa Conforme”, criado pelo Ministério da Fazenda em 2023. A cobrança de imposto de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50 e a possibilidade de transporte de mercadorias por empresas privadas reduziram receitas em cerca de R$ 2,2 bilhões.

Redução drástica do caixa

O impacto no caixa da estatal é significativo. Em 2023, os Correios fecharam o ano com R$ 3,2 bilhões disponíveis em aplicações financeiras. Em 2024, após despesas elevadas, o saldo caiu para R$ 249 milhões, uma redução de 92%. Ao final do ano, a empresa recorreu a empréstimos de R$ 550 milhões junto aos bancos Daycoval e ABC, com pagamento estimado de R$ 69 milhões em juros, equivalente a 13% do valor captado.

Precatórios e processos judiciais também pressionam as contas da empresa. Segundo normas contábeis, as estimativas de perdas em disputas judiciais são registradas e, em empresas públicas, quando desfavoráveis, se transformam em precatórios, com pagamento previsto dentro de limites orçamentários.

Em 2023, a gestão do então presidente Fabiano Silva firmou acordo de desistência com o Tribunal Superior do Trabalho (TST) para reduzir processos trabalhistas em tramitação. Foram afetadas 3.781 ações, comprometendo desembolsos futuros.

O pacote de medidas e a busca por recursos financeiros evidenciam a gravidade da crise, que combina aumento de custos, queda de receitas e impacto de políticas públicas sobre o fluxo de caixa. A estatal segue com a missão de equilibrar contas e preservar a operação enquanto negocia novos empréstimos.

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