‘Acho um erro a direita colocar Tarcísio como candidato à Presidência’, diz Otto Filho ao reforçar apoio do PSD ao PT na eleição
Parlamentar disse que a movimentação pode fragilizar o campo conservador e abrir espaço para a vitória da esquerda no maior colégio eleitoral do país
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O deputado federal Otto Alencar Filho (PSD-BA) avaliou, nesta segunda-feira (8), o cenário político nacional e afirmou que considera um erro a direita lançar o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), como candidato à Presidência da República em 2026. Em conversa com o editor-chefe do Portal M!, Osvaldo Lyra, e com os jornalistas Matheus Morais, Gomes Nascimento e Catia Rhawllesty, no programa De Olho na Bahia, da Rádio Mix Salvador (104.3 FM), o parlamentar disse que a movimentação pode fragilizar o campo conservador e abrir espaço para a vitória da esquerda no maior colégio eleitoral do país.
Para Otto Filho, Tarcísio teria maiores chances de se consolidar se buscasse a reeleição em São Paulo, em vez de disputar contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em âmbito nacional. Segundo o deputado, essa seria a forma mais segura de preservar o domínio da direita no Estado.
“Eu acho um erro da direita botar Tarcísio para ser candidato a presidente, porque a coisa mais importante é vencer em São Paulo”, criticou.
Tarcísio de Freitas no centro da disputa presidencial
A avaliação de Otto Filho ocorre em meio à pesquisa AtlasIntel, divulgada nesta segunda-feira (8), que coloca Tarcísio à frente de Lula no eleitorado paulista. O governador aparece com 38% das intenções de voto contra 34% do presidente, reforçando seu protagonismo nacional. Apesar disso, o parlamentar baiano pondera que o risco político seria alto, caso Tarcísio deixasse o governo de São Paulo.
De acordo com Otto Filho, ao sair para concorrer à Presidência, o governador entregaria o comando do Estado a um vice, possivelmente ao secretário de Governo e Relações Institucionais de São Paulo, Gilberto Kassab (PSD), o que abriria espaço para mudanças inesperadas no tabuleiro político. Ele lembrou que raramente vices em exercício conseguem reeleger sucessores, o que, na sua avaliação, poderia fortalecer a oposição.
Em sua análise, a retirada de Tarcísio da disputa estadual facilitaria a ascensão de outros nomes, inclusive da esquerda, em São Paulo.
“Se ele sai para presidente, quem senta na cadeira é o vice, e dificilmente um vice abre mão de concorrer ao governo”, enfatizou.
Apoio do PSD à aliança com o PT na Bahia
No cenário baiano, Otto Filho reforçou que o PSD seguirá alinhado ao PT e ao governador Jerônimo Rodrigues (PT). Para ele, a manutenção dessa aliança é estratégica e garante estabilidade política no estado. O deputado relembrou a trajetória de parceria entre seu pai, o senador Otto Alencar (PSD-BA), e lideranças petistas como o senador Jaques Wagner (PT-BA) e o próprio Lula.
Segundo ele, a relação construída ao longo das últimas décadas é sólida e tende a ser preservada. Em sua avaliação, se Jerônimo mantiver a atual composição da chapa majoritária, terá boas condições de vitória em 2026. Para o parlamentar, a eventual perda da vaga do Senado para o PSD poderia gerar atritos, mas a prioridade deve ser a unidade da base.
Nos bastidores, porém, a discussão sobre a chamada chapa puro-sangue tem ampliado as tensões. A proposta envolveria o governador Jerônimo Rodrigues buscando a reeleição, enquanto Rui Costa, atual ministro da Casa Civil, e Jaques Wagner disputariam as vagas ao Senado, todos pelo PT.
A composição sugerida por Wagner gera controvérsia justamente por deixar de fora o senador Angelo Coronel (PSD), que já anunciou a intenção de concorrer à reeleição. Coronel estuda se integrará formalmente a chapa de Jerônimo e Wagner ou se lançará candidatura avulsa em 2026.
Otto Filho frisou que o PSD é hoje o maior partido da Bahia, com mais de 130 prefeituras, e continuará sendo peça-chave no projeto de reeleição do governador.
Segurança pública e combate ao tráfico de drogas
Outro ponto abordado pelo deputado foi a segurança pública na Bahia, tema frequentemente explorado pela oposição. Otto Filho defendeu a atuação do secretário Marcelo Werner e das forças policiais estaduais, ressaltando que o maior desafio é o tráfico de drogas e o poder financeiro das facções criminosas.
Para ele, críticas de que a gestão estadual estaria falhando no setor não correspondem à realidade, já que as forças de segurança atuam no limite operacional. O parlamentar argumentou que a impunidade e a fragilidade das leis de combate ao crime organizado são os principais entraves.
“A polícia aprende e a justiça solta. Para muita gente, o crime acaba compensando”, enfatizou.
Ele acrescentou que defende o endurecimento das penas e o bloqueio do fluxo financeiro das facções como medidas centrais para enfrentar o problema. Para o deputado, enquanto o tráfico de drogas mantiver acesso a grandes quantias de dinheiro, a reposição de armas, drogas e soldados continuará rápida e eficaz.
Investimentos no interior da Bahia
Durante a entrevista, Otto Filho também destacou sua atuação como parlamentar no envio de emendas para os municípios baianos. Ele afirmou que destina anualmente entre R$ 50 milhões e R$ 70 milhões em recursos, voltados especialmente para saúde e educação.
O deputado ressaltou, contudo, que as maiores transformações sociais ocorrem quando há apoio conjunto do governo federal e estadual. Ele citou como exemplo os investimentos realizados durante as gestões de Jaques Wagner, Rui Costa (PT) e agora Jerônimo Rodrigues, que em alguns municípios chegaram a superar R$ 200 milhões.
Na avaliação do parlamentar, essa atuação colaborativa ajudou a consolidar sua liderança política, resultando em sua expressiva votação mesmo em períodos de maior força da oposição no Estado.
PSD entre a Bahia e o cenário nacional
Por fim, Otto Filho lembrou que o PSD ocupa posição estratégica tanto no cenário nacional quanto no estadual. O partido, fundado por Gilberto Kassab, é hoje um dos maiores do Brasil e terá papel decisivo na definição das alianças para 2026.
Na Bahia, a expectativa é de continuidade da parceria com o PT, enquanto no plano nacional o partido poderá compor a chapa de Lula ou de outro candidato da base governista. Para o deputado, o fundamental será preservar a unidade do grupo e evitar movimentos que possam abrir brechas para a oposição.
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