Lula diz que conversa com Trump foi ‘surpreendentemente boa’ e prevê acordo entre Brasil e EUA em poucos dias
Em coletiva na Malásia, presidente afirma que negociação para suspender tarifas avança rapidamente e marca nova fase nas relações diplomáticas
Ricardo Stuckert/PR
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, nesta segunda-feira (27), em entrevista coletiva em Kuala Lumpur, na Malásia, que a reunião com o presidente americano Donald Trump, realizada neste último domingo (26), foi “surpreendentemente boa” e marcou uma nova fase nas relações entre os dois países. Segundo o petista, há otimismo quanto a um acordo comercial iminente para suspender o tarifaço imposto aos produtos brasileiros.
“Se depender do Trump e de mim, haverá acordo. Quando duas pessoas querem negociar de verdade, tudo fica mais fácil. Nós dois queremos o mesmo: que Brasil e Estados Unidos voltem a ter uma relação de confiança e de benefício mútuo”, disse Lula.
Entrega de documento
Durante o encontro, Lula entregou a Trump um documento com as principais demandas do governo brasileiro, entre elas a suspensão das tarifas impostas a produtos nacionais, consideradas pelo presidente como “injustas e baseadas em informações equivocadas”. O petista afirmou ter mostrado dados de comércio exterior para provar que os EUA não têm déficit com o Brasil.
“Mostrei que os Estados Unidos tiveram superávit de US$ 410 bilhões com o Brasil nos últimos 15 anos. As decisões foram infundadas e baseadas em dados errados”, explicou o petista.
Acordo em construção e clima diplomático positivo
O presidente brasileiro destacou que as negociações seguem em ritmo acelerado e que o impasse poderá ser resolvido em poucos dias. “Estou convencido de que, em pouco tempo, teremos uma solução definitiva entre Estados Unidos e Brasil para que a vida siga boa e alegre, do jeito que dizia Gonzaguinha”, afirmou.
De acordo com o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, que também participou da reunião, as equipes dos dois países terão novas rodadas de conversas nas próximas semanas. “Concordamos em trabalhar para construir um acordo satisfatório para ambas as partes”, disse Vieira, explicando que haverá um cronograma de reuniões em Washington para tratar dos setores mais afetados pelas tarifas.
O secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, acrescentou que o diálogo “está avançando espetacularmente bem” e que o foco agora é exclusivamente comercial. “Os aspectos políticos que poderiam existir já não estão mais na mesa. Hoje discutimos apenas os termos de um acordo de comércio”, afirmou.
Apesar do tom otimista, as tarifas ainda não foram suspensas. Segundo o Itamaraty, os norte-americanos concordaram em continuar o processo de negociação, mas pediram mais tempo para alinhar posições internas.
Bolsonaro faz parte do passado, diz Lula
Lula também comentou com jornalistas a repercussão política de sua conversa com Trump. O presidente revelou ter explicado ao norte-americano os motivos e as provas que embasaram o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no Supremo Tribunal Federal (STF), destacando que o processo foi conduzido “com base sólida e provas contundentes”.
“Expliquei a ele que o julgamento foi muito sério, e que o que tentaram fazer no Brasil foi grave. Havia um plano para matar o presidente, o vice e o ministro Alexandre de Moraes”, afirmou Lula.
Segundo o petista, Trump demonstrou surpresa com as informações e entendeu a seriedade da situação. Lula reforçou que o ex-presidente “faz parte do passado da política brasileira” e o diálogo com os Estados Unidos seguirá em novo patamar.
“Com três reuniões que ele fizer comigo, vai perceber que o Bolsonaro era nada, praticamente”, ironizou.
Relação com China e autonomia diplomática
Lula negou que o novo acordo comercial com os EUA possa afetar o relacionamento com a China, principal parceiro econômico do Brasil. “Isso não tem nenhuma implicação na relação com a China. São coisas totalmente distintas”, garantiu.
O presidente reiterou que o país continuará mantendo relações autônomas e equilibradas com todos os parceiros internacionais. “Não há condicionalidade para que a gente possa fazer um acordo, e nem eu aceitaria isso. Os Estados Unidos fazem acordo com quem quiser, e eu também faço com quem quiser”, afirmou.
Brasil quer ajudar na crise venezuelana
Ainda durante a coletiva, Lula declarou que o Brasil está disposto a contribuir para uma solução pacífica na crise política da Venezuela, tema que também foi discutido com Trump. O presidente defendeu o diálogo como caminho para resolver o impasse.
“Eu que entrei no assunto, porque no material que entreguei a ele estava colocada a questão da Venezuela. Acho que é importante ser resolvida em mesa de negociação, e não na base da bala”, disse.
Segundo Lula, o Brasil tem experiência na mediação de crises políticas, e citou o Grupo de Amigos da Venezuela, criado em 2003, como exemplo de iniciativa bem-sucedida.
“Acho que é possível encontrar uma solução, se houver disposição para negociar”, concluiu o petista.
Com um tom diplomático e conciliador, Lula encerrou a entrevista destacando que as divergências ideológicas não impedirão a retomada das boas relações entre Brasil e Estados Unidos, e o momento marca uma reaproximação histórica entre os dois países.
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