Trump sinaliza redução de tarifas e prepara primeiro encontro com Lula na Malásia
Presidentes dos Estados Unidos e do Brasil discutem reaproximação e comércio durante cúpula da Asean
Reprodução/Instagram @realdonaldtrump
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano), afirmou, neste sábado (25), que pode reduzir as tarifas impostas ao Brasil, mas “sob as circunstâncias certas”. A declaração foi dada a jornalistas a bordo do Air Force One, durante o voo para a Malásia, onde Trump participará da cúpula da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean) ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
“Acredito que sim”, respondeu Trump ao ser questionado sobre o encontro com Lula, previsto para este domingo (26). Logo em seguida, outro repórter perguntou se o governo norte-americano poderia rever o tarifaço aplicado aos produtos brasileiros. “Sob as circunstâncias certas”, reforçou o republicano.
O encontro será o primeiro diálogo bilateral oficial entre os dois presidentes desde que Trump assumiu a Casa Branca. A expectativa é que a reunião sirva para reorganizar as relações comerciais e diplomáticas entre os países, abaladas após a decisão de Washington de impor sobretaxas de até 50% sobre importações brasileiras. As informações são do G1.
Lula demonstra otimismo em resolver impasse comercial com Trump
Assim como Trump, o presidente Lula voltou a declarar, na madrugada deste sábado (25), que espera se reunir com Trump, durante a 47ª Cúpula da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean), na Malásia. Segundo o petista, o objetivo da possível conversa é “colocar na mesa os problemas e tentar encontrar uma solução”. Ele destacou que o Brasil busca manter relações diplomáticas equilibradas e diálogo aberto, mesmo diante de divergências comerciais.
“Espero que ‘role’. Eu vim aqui e estou à disposição para que a gente possa encontrar uma solução”, afirmou o presidente, durante entrevista coletiva concedida em frente ao hotel onde está hospedada a comitiva brasileira. “Vamos colocar na mesa os problemas e tentar encontrar uma solução. Então, pode ficar certo que vai ter uma solução”, reforçou o presidente.
Tarifaço e impacto econômico
O principal tema que deve pautar o eventual encontro é o impasse gerado pelo aumento de 50% nas tarifas de importação dos produtos brasileiros pelos Estados Unidos, medida que passou a valer no início de agosto. A decisão do governo norte-americano impactou setores estratégicos da economia brasileira, como aço, alumínio, soja e carne bovina, provocando reações de exportadores e do próprio Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
Lula negou que o governo brasileiro tenha imposto condições prévias para a negociação bilateral e ressaltou a disposição de ambas as partes para o diálogo. “Eu trabalho com otimismo para que a gente possa encontrar uma solução. Não tem exigência dele e não tem exigência minha ainda”, afirmou o presidente.
Tarifaço de Trump
Em agosto, Trump anunciou um tarifaço de 50% sobre a entrada de produtos brasileiros nos Estados Unidos, justificando a medida com base em supostos déficits comerciais e em questões políticas internas. Segundo o presidente norte-americano, o objetivo seria “proteger a indústria americana” e “garantir tratamento justo aos trabalhadores dos Estados Unidos”.
No entanto, dados oficiais do Departamento de Comércio dos EUA indicam que o país mantém superávit com o Brasil, o que contraria o argumento utilizado por Trump. A decisão também foi associada a tensões políticas envolvendo o processo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e debates sobre “liberdade de expressão de cidadãos americanos”, como afirmou o próprio republicano.
O governo brasileiro reagiu com cautela. Lula classificou a medida como “um retrocesso nas relações comerciais bilaterais” e determinou que o Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) articulasse uma solução diplomática.
“Não se trata de uma disputa comercial, mas de uma questão de respeito mútuo entre nações soberanas”, disse Lula em setembro, durante entrevista coletiva após a Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York.
Reaproximação e “boa química” diplomática
As relações entre os dois líderes começaram a melhorar no fim de setembro, quando Lula e Trump se encontraram informalmente nos bastidores da Assembleia-Geral da ONU. Na ocasião, ambos afirmaram ter sentido uma “boa química” e concordaram em manter um canal direto de diálogo.
No início de outubro, os dois conversaram novamente por telefone por cerca de 30 minutos, em ligação intermediada pelos ministérios das Relações Exteriores dos dois países. Durante a conversa, Lula pediu a revogação das sanções impostas a autoridades brasileiras e a retirada da sobretaxa de 40% aplicada a produtos nacionais desde agosto.
De acordo com fontes do Palácio do Planalto, Lula pretende abordar esses temas no encontro na Malásia e reforçar a necessidade de restabelecer a confiança bilateral. “Será uma reunião franca, sem restrições de pauta”, declarou o presidente em coletiva nesta sexta-feira (24), na Indonésia.
Possíveis temas da reunião
Além do comércio, a agenda de Lula e Trump deve incluir questões geopolíticas e a postura dos Estados Unidos em relação à América do Sul. Assessores próximos ao presidente brasileiro afirmam que ele pretende manifestar preocupação com as ações de Washington em relação à Venezuela e à Colômbia, consideradas por Lula como “intervenções indevidas”.
“O Brasil não aceita e jamais aceitará qualquer tipo de tentativa de intervenção em países da América do Sul. O caminho deve ser sempre o diálogo e a soberania dos povos”, declarou o petista recentemente.
Outro tema sensível deve ser o papel dos Estados Unidos no comércio internacional. Lula defende o multilateralismoe a reforma das instituições financeiras globais, como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e a Organização Mundial do Comércio (OMC), para garantir mais equilíbrio entre nações desenvolvidas e emergentes.
Expectativas do encontro entre Lula e Trump
O encontro entre Lula e Trump, previsto para ocorrer em Kuala Lumpur, é visto por diplomatas dos dois países como um teste de cooperação entre as maiores economias do Hemisfério Ocidental. O governo brasileiro espera que o diálogo leve à redução gradual das tarifas, ao retorno de investimentos americanos no Brasil e à reaproximação política após anos de tensões.
Trump, por sua vez, busca reforçar sua presença no cenário asiático e demonstrar abertura a parcerias comerciais com países emergentes, em especial com o Brasil, que é o maior parceiro econômico dos Estados Unidos na América do Sul. Enquanto isso, ambos os líderes participam da cúpula da Asean (Associação das Nações do Sudeste Asiático), que reúne representantes de dez países da região. O evento servirá de pano de fundo para uma série de negociações bilaterais e multilaterais voltadas à integração econômica global.
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