EUA retiram tarifa de 40% sobre carne, café e outros produtos brasileiros
Regra vale para mercadorias que chegaram ao país a partir de 13 de novembro
Ricardo Stuckert/PR
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, retirou a tarifa de 40% aplicada a 212 produtos agrícolas e pecuários do Brasil em decreto publicado na última quinta-feira (20). A regra vale para mercadorias que chegaram ao país a partir de 13 de novembro, data que coincide com a reunião entre Mauro Vieira e Marco Rubio, quando o tema foi incluído na pauta bilateral.
A lista, conforme apuração do G1, contempla café, carnes, frutas, legumes e fertilizantes à base de amônia, itens que compõem a pauta exportadora brasileira. As tarifas haviam entrado em vigor em 30 de julho, quando os Estados Unidos divulgaram quase 700 exceções. O novo decreto amplia essa relação e incorpora produtos como açaí, cacau, manga, banana, tomate e cortes de carne bovina.
EUA já havia retirado tarifa de 10%
Na semana passada, os Estados Unidos já haviam eliminado a tarifa de 10% aplicada globalmente sobre produtos agrícolas, medida influenciada pela pressão inflacionária interna. A decisão desta quinta-feira (20), porém, atinge apenas o Brasil. As exportações brasileiras de café foram as mais afetadas pelo tarifaço e caíram 54% em outubro, segundo o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé).
No decreto, Trump menciona conversa telefônica com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). “Em 6 de outubro de 2025, participei de uma conversa telefônica com o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, durante a qual concordamos em iniciar negociações para abordar as preocupações identificadas no Decreto Executivo 14323. Essas negociações estão em andamento”.
“Também recebi informações e recomendações adicionais de diversos funcionários […] em sua opinião, certas importações agrícolas do Brasil não deveriam mais estar sujeitas à alíquota adicional […] porque, entre outras considerações relevantes, houve progresso inicial nas negociações com o Governo do Brasil”, diz trecho do documento.
Lula celebra decisão e diz que ‘ninguém respeita quem não se respeita’
Após o anúncio da medida, o presidente celebrou a decisão e afirmou estar feliz pelo presidente Trump ter começado a “reduzir algumas taxações que tinha feito em alguns produtos brasileiros”.
“Essas coisas vão acontecer na medida que a gente consiga galgar respeito das pessoas. Ninguém respeita quem não se respeita”, disse o petista, durante a abertura do Salão do Automóvel, em São Paulo.
O presidente destacou ainda que mudanças econômicas precisam ocorrer de maneira previsível. Segundo ele: “Em política, em economia, não tem mágica. Você tem que fazer aquilo que é possível fazer, na hora que é possível fazer, sem pegar ninguém de sobressalto”.
À noite, o Itamaraty afirmou ter recebido com “satisfação” a decisão da Casa Branca e mencionou negociações em curso para retirar as tarifas restantes. “O governo brasileiro reitera sua disposição para continuar o diálogo como meio de solucionar questões entre os dois países, em linha com a tradição de 201 anos de excelentes relações diplomáticas”.
Setor diz que retirada de tarifas contribui para estabilidade das relações comerciais
A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) avaliou que a reversão da tarifa contribui para a estabilidade nas relações comerciais e mantém condições equilibradas entre os países envolvidos. Segundo nota da entidade, o setor continuará “atuando de forma cooperativa para ampliar oportunidades e fortalecer a presença do Brasil nos principais mercados globais”.
“A medida demonstra a efetividade do diálogo técnico e das negociações conduzidas pelo governo brasileiro, que contribuíram para um desfecho construtivo e positivo”, disse a entidade.
Já a Confederação Nacional da Indústria (CNI) classificou a decisão como um avanço na agenda bilateral. “A decisão do governo americano de remover a tarifa de 40% a 238 produtos agrícolas brasileiros é avanço concreto na renovação da agenda bilateral e condiz com papel do Brasil como grande parceiro comercial dos Estados Unidos”, disse o presidente Ricardo Alban.
A Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil) declarou que o decreto produz efeitos imediatos e reflete o resultado das negociações recentes entre os dois países. “A medida representa um avanço importante rumo à normalização do comércio bilateral, com efeitos imediatos para a competitividade das empresas brasileiras envolvidas e sinaliza um resultado concreto do diálogo em alto nível entre os dois países”.
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