Documentos ligados a Jeffrey Epstein somem de página oficial do Departamento de Justiça dos EUA
Entre arquivos removidos estavam imagens de pinturas retratando mulheres nuas e uma fotografia com sequência de fotos sobre um aparador e em gavetas
Reprodução / Departamento de Justiça dos EUA
Ao menos 16 arquivos desapareceram da página pública do Departamento de Justiça dos Estados Unidos relacionados a Jeffrey Epstein menos de um dia após a publicação, sem explicação oficial e sem aviso ao público. O material havia sido disponibilizado na sexta-feira (19) e deixou de estar acessível neste último sábado (20), segundo verificação na plataforma do órgão.
Entre os arquivos removidos estavam imagens de pinturas retratando mulheres nuas e uma fotografia com uma sequência de fotos dispostas sobre um aparador e em gavetas. Em uma dessas gavetas aparecia uma imagem do presidente Donald Trump ao lado de Epstein, de Melania Trump e de Ghislaine Maxwell, associada de longa data do financista.
Arquivos retirados sem aviso
O Departamento de Justiça não respondeu aos questionamentos feitos no sábado sobre os motivos da retirada dos arquivos da página pública. Em uma postagem na rede social X, o órgão afirmou apenas que “fotos e outros materiais continuarão sendo revisados e redigidos de acordo com a lei com abundância de cautela à medida que recebemos informações adicionais”.
The Southern District of New York flagged an image of President Trump for potential further action to protect victims.
— U.S. Department of Justice (@TheJusticeDept) December 21, 2025
Out of an abundance of caution, the Department of Justice temporarily removed the image for further review. After the review, it was determined there is no…
A ausência dos arquivos passou a gerar especulações em ambientes online sobre o que foi retirado e por que não houve comunicação prévia ao público. O episódio se soma a questionamentos antigos envolvendo Epstein e pessoas influentes associadas a ele ao longo dos anos.
Democratas do Comitê de Supervisão da Câmara dos Representantes mencionaram a imagem desaparecida com a foto de Trump em uma publicação no X. Na mensagem, escreveram: “O que mais está sendo encoberto? Precisamos de transparência para o público americano.”
O episódio ocorre em meio a críticas já existentes sobre a aguardada liberação de documentos do Departamento de Justiça relacionados a Epstein. As dezenas de milhares de páginas tornadas públicas trouxeram poucas informações novas sobre os crimes atribuídos a ele ou sobre decisões de acusação adotadas ao longo do tempo.
🇺🇸 EUA l Departamento de Justiça dos EUA inicia oficialmente a divulgação dos arquivos de Epstein. pic.twitter.com/CJzeEaQc4D
— Notícias Paralelas (@NP__Oficial) December 21, 2025
Também ficaram ausentes alguns dos materiais mais aguardados, como entrevistas do FBI com vítimas e memorandos internos do Departamento de Justiça sobre decisões de acusação. Esses documentos não constam nas divulgações iniciais disponibilizadas ao público.
As lacunas incluem registros que poderiam detalhar como os investigadores avaliaram o caso e por que Epstein pôde, em 2008, se declarar culpado de uma acusação estadual de prostituição considerada menos grave.
Ausências e referências limitadas
As omissões não se restringem a entrevistas e memorandos. Os registros liberados, exigidos por uma lei aprovada recentemente pelo Congresso, fazem poucas referências a figuras poderosas associadas há anos a Epstein, incluindo o ex-príncipe Andrew, do Reino Unido.
Essa limitação renovou questionamentos sobre quem foi investigado, quem não foi e até que ponto as divulgações ampliam o acesso público a informações relevantes. Os documentos oferecem apenas referências pontuais a esses vínculos.
Entre os novos elementos divulgados estão informações sobre a decisão do Departamento de Justiça de encerrar uma investigação nos anos 2000 e uma queixa inédita de 1996 acusando Epstein de roubar fotografias de crianças.
Imagens e registros visuais
As liberações realizadas até agora concentram-se em imagens das residências de Epstein em Nova York e nas Ilhas Virgens Americanas. Também há fotografias envolvendo celebridades e políticos, muitas delas já conhecidas do público.
Há uma série de fotos inéditas do ex-presidente Bill Clinton, mas poucas envolvendo Trump. Ambos já foram associados a Epstein e posteriormente negaram proximidade, e nenhum deles foi acusado de irregularidades relacionadas ao caso.
Não há indicação de que as imagens tenham desempenhado papel direto nos processos criminais movidos contra Epstein. O material visual divulgado não recebeu contextualização oficial detalhada.
Apesar do prazo estabelecido pelo Congresso para a divulgação integral na sexta-feira (19), o Departamento de Justiça informou que pretende liberar os registros de forma contínua. O órgão atribuiu o atraso ao processo de ocultação de nomes de sobreviventes e dados sensíveis.
O departamento não informou quando novos documentos serão publicados nem apresentou um cronograma para a conclusão da divulgação. A comunicação oficial limitou-se a justificar o procedimento adotado.
Essa condução foi criticada por algumas acusadoras de Epstein e por parlamentares que atuaram na aprovação da lei. Para esses grupos, a liberação inicial não encerrou a busca por acesso completo aos registros.
Depoimentos, críticas e investigações
“Eu sinto que novamente o DOJ, o sistema de justiça está nos falhando,” disse Marina Lacerda, que afirma ter sido abusada sexualmente por Epstein em sua mansão em Nova York quando tinha 14 anos. A declaração foi feita após a divulgação parcial dos documentos.
Muitos registros aguardados aparecem fortemente redigidos ou sem contexto. Promotores federais apresentaram acusações de tráfico sexual contra Epstein em 2019, mas ele morreu na prisão após a detenção.
Os documentos divulgados representam apenas parte do acervo total. O vice-procurador-geral Todd Blanche afirmou que promotores federais de Manhattan reuniram mais de 3,6 milhões de registros sobre investigações envolvendo Epstein e Maxwell.
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