China desafia nova ameaça de Trump e promete reagir se tarifa de 100% for imposta
Governo chinês condena postura ‘hostil’ dos Estados Unidos e reforça que adotará medidas para proteger seus interesses econômicos e estratégicos
Reprodução/Instagram @realdonaldtrump e Arquivo/Agência Brasil
A nova ameaça do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor tarifas de 100% sobre produtos importados da China reacendeu o clima de tensão no comércio internacional e reacordou a sombra de uma nova guerra econômica entre as duas maiores potências do planeta. O Ministério do Comércio da China divulgou, neste domingo (12), um comunicado oficial em que reafirmou sua disposição ao diálogo, mas alertou que não aceitará ameaças.
“A posição da China é consistente. Nós não queremos uma guerra tarifária, mas não temos medo de uma”, afirmou o órgão.
Retaliação às restrições chinesas à exportação de terras raras
A resposta é o primeiro posicionamento público de Pequim após Trump ameaçar dobrar as tarifas até 1º de novembro, em retaliação às restrições chinesas à exportação de terras raras, minerais essenciais para a produção de chips, veículos elétricos e equipamentos militares.
Terras raras: centro da nova disputa global
A ofensiva de Trump veio após Pequim anunciar novas regras de controle sobre exportações de terras raras. As empresas estrangeiras que utilizarem os minerais chineses passarão a depender de aprovação governamental para exportar produtos que contenham os elementos, mesmo que sejam fabricados fora da China.
O país asiático domina cerca de 70% da mineração e 90% do processamento global desses minerais, insumos cruciais para setores de ponta, de tecnologia e defesa a eletrônicos de consumo. No comunicado, o Ministério chinês destacou que as licenças de exportação continuarão sendo concedidas para “usos civis legítimos”, mas alertou que os minerais também têm aplicação militar, o que justifica um controle mais rigoroso.
Além das restrições sobre as terras raras, a China criticou os Estados Unidos por expandirem o número de empresas chinesas incluídas nas listas de controle de exportações e por criarem novas taxas portuárias para navios do país. Em resposta, Pequim anunciou que taxará embarcações norte-americanas da mesma forma.
Aviso contra unilateralismo americano
O comunicado chinês foi categórico ao condenar o uso de tarifas como instrumento de coerção diplomática.
“Se o lado americano insistir obstinadamente em sua prática, a China certamente tomará medidas correspondentes para salvaguardar seus direitos e interesses legítimos.”
A mensagem, embora sem detalhar quais ações estão em estudo, foi interpretada por analistas como um alerta de retaliação comercial e regulatória, o que pode incluir novas barreiras a empresas norte-americanas que operam em território chinês.
Trump ameaça com “software crítico” e amplia instabilidade
Donald Trump afirmou nas redes sociais que, além da tarifa de 100%, pretende impor controles de exportação sobre “softwares críticos”, sem especificar o que o termo abrange. Atualmente, os Estados Unidos já aplicam tarifas médias de 30% sobre produtos chineses, legado da guerra comercial iniciada durante seu primeiro mandato, entre 2018 e 2020. O novo aumento dobraria esse índice, ampliando o impacto sobre cadeias globais de suprimento.
O anúncio provocou reação imediata nos mercados. O índice S&P 500 registrou queda de 2,7%, enquanto o Nasdaq recuou 3,6% após as declarações do republicano. A possibilidade de uma ruptura diplomática também ameaça o encontro entre Trump e o presidente chinês Xi Jinping, previsto para as próximas semanas.
Disputa ameaça equilíbrio global
A China já recorreu à Organização Mundial do Comércio (OMC) em ocasiões anteriores para contestar as tarifas impostas por Washington, classificadas como “imprudentes e incompatíveis” com as normas internacionais. Para especialistas, a estratégia de Pequim é equilibrar firmeza e diplomacia, mantendo o discurso de abertura ao diálogo, mas reforçando que não aceitará uma postura de subordinação.
“A China está calibrando o tom: não quer fechar portas para negociação, mas também não vai se curvar. O recado é de paridade”, analisou o economista chinês Li Cheng, em entrevista a veículos locais.
Se os Estados Unidos insistirem em elevar as tarifas, analistas preveem um novo ciclo de retaliações capaz de afetar cadeias de tecnologia, investimentos e comércio internacional, com reflexos em diversos países emergentes, incluindo o Brasil.
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