Chile vai às urnas para escolher novo presidente em disputa marcada por polarização e avanço da criminalidade
População também vota para deputados e senadores em um cenário em que segurança pública domina o debate e pesquisas indicam vantagem da esquerda no 1º turno, mas favoritismo da direita no 2º
Reprodução/CNN Brasil
Mais de 15,6 milhões de chilenos são esperados nas urnas neste domingo para participar das eleições presidenciais, que também escolherão deputados e senadores. Diferentemente de pleitos recentes, marcados por discussões sobre o processo constituinte iniciado após os protestos de 2019, o debate atual é dominado pelo tema da segurança pública, diante do aumento expressivo da violência no país. Os candidatos adotam agora um tom mais reformista e as propostas se concentram em áreas consideradas urgentes pela população, principalmente criminalidade, crescimento econômico e reforma do Estado, em meio à percepção de que a estrutura estatal precisa ser enxugada e tornar-se mais eficiente. As informações são da CNN.
Esta é a primeira eleição presidencial com voto obrigatório desde 2012. A votação ocorre das 8h às 18h, utilizando cédulas de papel marcadas com caneta azul. Cada eleitor recebe três cédulas: presidente, deputados e senadores (nas regiões onde há eleição para o cargo). Para vencer no primeiro turno, o candidato precisa alcançar mais de 50% dos votos válidos. Caso contrário, os dois mais votados disputam o segundo turno em 14 de dezembro. Os primeiros resultados devem ser divulgados a partir das 20h. O novo presidente do Chile assume o mandato em 11 de março de 2026, com duração de quatro anos.
Quem lidera a disputa pela presidência
O cenário eleitoral revela uma disputa fragmentada, com oito candidatos competindo. As pesquisas de intenção de voto apontam liderança da esquerda no primeiro turno, mas vantagem da direita em um eventual segundo turno. A candidata mais bem posicionada é Jeannette Jara, do Partido Comunista, ex-ministra do Trabalho e Previdência Social do governo Gabriel Boric. Jara concorre pela coalizão Unidade pelo Chile e ganhou notoriedade ao comandar a redução da jornada semanal de trabalho de 45 para 40 horas.
Em segundo lugar aparece o ultradireitista José Antonio Kast, do Partido Republicano, que tenta chegar à presidência pela terceira vez. Kast ajustou seu discurso, buscando um perfil mais moderado nesta campanha, o que acabou abrindo espaço para outro concorrente da direita radical. O terceiro colocado nas pesquisas é Johannes Kaiser, do Partido Nacional Libertário, youtuber e ex-aliado de Kast. Kaiser vem crescendo ao atrair eleitores mais alinhados a pautas rigorosas de segurança e defesa irrestrita do armamento civil.
Fechando o grupo de favoritos está Evelyn Matthei, ex-prefeita de Providência e ex-ministra do Trabalho no governo de Sebastián Piñera. Ela concorre pela aliança Chile Vamos e representa a direita moderada, apostando em propostas firmes para segurança, mas rejeitando medidas consideradas extremas. Pesquisas indicam que Kast, Kaiser ou Matthei venceriam Jara no segundo turno, mantendo o padrão de alternância entre esquerda e direita que marcou a política chilena nos últimos 15 anos.
Criminalidade domina a campanha
O Chile vive uma escalada de violência, com o índice de homicídios quase triplicando entre 2015 e 2024. O tema se tornou central no debate público, especialmente após o aumento da imigração venezuelana e a entrada da organização criminosa Trem de Aragua no país. Todos os candidatos mencionam segurança entre suas prioridades. Segundo Tironi, “nenhum se excetua”, incluindo a própria candidata comunista Jeannette Jara.
Kast promete expulsar imigrantes irregulares e criar barreiras físicas com vala e cercas elétricas na fronteira norte. Kaiser defende busca ostensiva em áreas dominadas por criminosos e porte de armas liberado. Matthei, por sua vez, defende centros de expulsão e já mencionou até o uso de dinamites na fronteira. Jara propõe medidas de inteligência, como quebra de sigilo bancário para rastrear dinheiro do crime organizado, além de controle biométrico em fronteiras. Ela também defende regularização parcial de imigrantes.
As candidaturas da direita apostam em redução do tamanho do Estado, corte de gastos e enxugamento da máquina pública. Kast fala em ajuste fiscal de US$ 21 bilhões. Kaiser quer reduzir ministérios de 25 para 9 e cortar 200 mil cargos públicos. Na contramão, Jara promete ampliar políticas sociais e dar continuidade às reformas iniciadas por Boric, sem focar em enxugamento estatal.
Rayllanna Lima
Rayllanna Lima é jornalista e especialista em Marketing e Growth, movida pelo desejo de transformar dados em narrativas que informam, conectam e inspiram. Autora do livro Renascer, reúne experiências em veículos de comunicação, agências e empresas dos setores de energia e pesquisa de mercado, com foco em integrar pessoas, marcas e propósito.
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