7 fatos explicam por que a Bahia viveu a República antes do resto do Brasil, segundo Ivan Mesquita
Como revoltas populares, líderes anônimos e gestos de resistência anteciparam valores que só depois seriam reconhecidos no Brasil
Arquivo/TV Brasil
A Proclamação da República, celebrada neste sábado (15), ganha novos contornos quando observada pela lente de quem anda revolucionando a forma de contar a história da Bahia: o criador de conteúdo Ivan Mesquita, conhecido como Cêro. Com uma mistura de humor, precisão e curiosidades pouco exploradas nos livros escolares, ele vem reacendendo o interesse popular por episódios que mostram que o espírito republicano floresceu na Bahia muito antes de 1889.
Segundo ele, a Bahia não apenas participou da formação política do país, ela antecipou movimentos que desenharam o ideal de liberdade e igualdade que mais tarde seria chamado de República.
“O mais marcante, sem dúvida, é a Independência da Bahia, porque teve luta real, guerra, revolução armada e guerreiros que foram fundamentais”, afirma Cêro.
E não faltam curiosidades: da coragem de Maria Filipa queimando embarcações portuguesas em Itaparica às estratégias militares de Maria Quitéria, passando pelo sacrifício de Joana Angélica e pelo som que guiava as tropas através do corneteiro Lopes, episódios que, como destaca Cêro, “mostram que a Bahia vivia a República antes mesmo de ela existir no papel”.
A semente republicana plantada na Bahia
Muito antes da queda do Império, a Bahia já vivia intensos movimentos de resistência. A Conjuração Baiana de 1798 e a Sabinada de 1837 expressaram ideias de liberdade, igualdade e representatividade popular. Essas revoltas foram os primeiros sinais de um ideal que, mais tarde, se transformaria na República.
O criador de conteúdo destaca que o mais importante dessa trajetória foi a Independência da Bahia, que teve batalhas reais e personagens fundamentais como Maria Quitéria, Joana Angélica, Maria Filipa e o corneteiro Lopes.
Essas figuras, muitas vezes esquecidas, representam a força popular e a participação da Bahia em momentos decisivos da história nacional.
Heróis baianos e o apagamento histórico
Durante muito tempo, a narrativa sobre a formação da República ficou concentrada no eixo Rio–São Paulo, ofuscando a relevância de baianos que contribuíram diretamente para o processo e cujas histórias foram resgatadas por pesquisadores e comunicadores.
Cêro lembra que parte desses personagens só recentemente começou a receber o devido reconhecimento. “Essas pessoas que, por um tempo, ficaram esquecidas — principalmente Maria Filipa, por exemplo, lá da Ilha de Itaparica, que guerreou e que tem um historiador, Felipe, se eu não me engano, que pesquisa bastante a história dela — descobriram uma rua lá que tinha o nome dela, provando a veracidade dos fatos. Então, são pessoas que hoje em dia a gente consegue entender ainda mais a importância delas naquela época.”
O resgate dessas trajetórias reforça a presença da Bahia como território de resistência e como origem de ideais que inspiraram o país a lutar por liberdade e soberania.
Mulheres e símbolos da resistência baiana

A força feminina é um dos pilares da história da independência e da construção do pensamento republicano. Maria Quitéria, símbolo da bravura militar; Maria Filipa, heroína da Ilha de Itaparica; Joana Angélica, mártir da resistência; e Zéferina, líder popular, são exemplos de baianas que colocaram o corpo e a voz em defesa da liberdade.
Ivan Mesquita reforça a necessidade de dar visibilidade a essas personagens. “A gente tem também Zéferina, que hoje tem uma comunidade com o nome dela, que também lutou nesse contexto de independência, né? Aí tem Maria Felipa, então são pessoas que mereciam ser mais reconhecidas.”
Essas mulheres representam o elo entre a independência e a construção de uma consciência republicana — uma República que, na Bahia, já existia na prática do povo antes de existir no papel.
Ivan Mesquita e a missão de contar histórias na era digital
Com uma linguagem acessível e bem-humorada, Cêro tem transformado a forma como a história é contada nas redes sociais. Ele utiliza humor e ritmo para aproximar o público jovem dos fatos que moldaram o país.

Crédito: Divulgação
“O desafio que eu encontro ao falar da história é justamente passar a cronologia dos fatos, porque a gente tem um período de independência. Então, conseguir resumir isso em uma história de um minuto é, de fato, desafiador, e aí eu uso a comédia para ir linkando os assuntos e colocando os personagens na mesma época. Então, acho que esse é o desafio”, contou.
A proposta de Cêro é tornar o conhecimento histórico acessível sem perder a profundidade, despertando o interesse de quem nunca teve contato com essas narrativas nas salas de aula.
Para o criador de conteúdo, revisitar a história é um exercício de consciência coletiva e uma ferramenta para compreender o presente. “O resgate da história é muito importante, porque é através do passado que a gente entende o presente e consegue planejar o futuro. Então, é essencial a gente passar essa história para a juventude, para as crianças, para que eles entendam o contexto da liberdade que têm hoje, o porquê dessa liberdade, quem lutou por essa liberdade. Então, essa é a importância.”
7 fatos que mostram que a Bahia viveu a República antes do Brasil:
- Independência da Bahia com guerra real
A Bahia teve batalhas, confrontos armados e organização militar própria para expulsar tropas portuguesas — algo muito além do que ocorreu em outras regiões.
- Protagonismo de figuras populares
Heróis como Maria Quitéria, Joana Angélica, Maria Filipa e o corneteiro Lopes atuaram diretamente na luta pela autonomia, simbolizando valores republicanos de participação popular.
- Movimentos revolucionários anteriores a 1889
Revoltas como a Conjuração Baiana (1798) e a Sabinada (1837) já defendiam igualdade, liberdade e representatividade — pilares do ideal republicano.
- Resistência organizada contra o poder colonial
A Bahia articulou movimentos sociais e militares que desafiaram o domínio português muito antes do fim do império.
- Ações femininas decisivas e inéditas
Mulheres baianas exerceram papéis de liderança, combate e martírio, algo raro naquele período e alinhado ao conceito moderno de cidadania.
- Apagamento histórico que só agora está sendo corrigido
O fato de esses personagens terem sido esquecidos reforça como a Bahia já vivia uma república popular que não ganhou espaço nos livros oficiais.
- Legado contínuo de resistência e consciência coletiva
O modo como o povo baiano organizou sua luta — comunitária, plural e autônoma — reflete a prática republicana antes de ela existir formalmente.
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