Salvador registra aumento de vandalismo em mudas recém-plantadas e prefeitura alerta para prejuízos ambientais
Ações de quebra, furto e retirada de tutores geram prejuízo público e afetam o bem-estar da população e o meio ambiente na cidade
Divulgação
As equipes técnicas de arborização da Prefeitura de Salvador têm registrado o aumento dos casos de mudas quebradas por ação humana. Outros incidentes incluem a retirada de tutores e o furto de exemplares que foram plantados recentemente pela gestão municipal. O objetivo do plantio é ampliar a cobertura verde da cidade.
A alta na quantidade de episódios de vandalismo contra as mudas acende um alerta na administração pública. De acordo com a gestão municipal, a situação causa prejuízos diretos ao patrimônio público natural, ao meio ambiente e ao bem-estar da população.
Prejuízo ambiental e financeiro freia programa de arborização urbana
O titular da Secretaria de Sustentabilidade, Resiliência, Bem-Estar e Proteção Animal (Secis), Ivan Euler, explicou que os casos de vandalismo reduzem significativamente o sucesso do programa de arborização urbana. A redução afeta diretamente os benefícios ambientais esperados para o município.
“Nossas equipes têm encontrado mudas quebradas, tutores furtados e, em alguns casos, até o roubo das próprias árvores recém-plantadas. Esses atos, ainda que muitas vezes cometidos por desconhecimento, prejudicam e às vezes impedem o desenvolvimento das árvores e atrasam os benefícios coletivos de uma cidade mais verde”, descreveu Ivan.
Conforme o secretário, a destruição das mudas causa um impacto duplo. Primeiro, exige o retrabalho e o gasto de novos custos para a reposição dos exemplares e insumos. Segundo, a ação atrasa a chegada dos benefícios coletivos de uma cidade com maior cobertura vegetal e compromete os esforços de sustentabilidade do município. Segundo ele, o programa é uma prioridade da gestão e depende da conscientização para prosperar.
Locais críticos e as consequências da retirada dos tutores
A situação de vandalismo é especialmente crítica em determinados pontos da cidade, conforme o registro das equipes da Secis. As áreas de maior recorrência incluem a Avenida Vasco da Gama e a região da Avenida Antônio Carlos Magalhães (ACM). Nestes locais, a retirada dos tutores chega a ocorrer poucos dias após a reposição dos materiais. Essa situação já foi registrada pelo menos três vezes apenas no corredor do BRT da capital baiana.
A equipe técnica da Secis explica a função fundamental do tutor para a sobrevivência da planta. O tutor é uma vara de madeira que sustenta as mudas em crescimento nos estágios iniciais. Sem o tutor, a muda perde a estabilidade e balança excessivamente com o vento forte. Este movimento pode tombar a planta e força as raízes. A falta de suporte também expõe o colo da planta ao sol. Essa exposição causa a desidratação e compromete o crescimento saudável do exemplar recém-plantado.
De acordo com o diretor do Sistema de Áreas de Valor Ambiental e Cultural (Savam), João Resch, o índice de perda está sendo elevado “pela falta de sensibilidade de algumas pessoas que não entendem as árvores como um bem para a sociedade em conjunto, a sociedade comum“.
“Então, apesar da maioria da nossa sociedade ter a preocupação com as mudanças climáticas, com o aquecimento global, com o conforto térmico, ainda tem gente que pensa de forma atrasada, um retrocesso. É preciso chamar a atenção para o prejuízo imenso que é a perda da muda e de toda a energia gasta ali, seja da equipe, seja dos insumos, algo que reverbera em toda a sociedade“, afirmou.
Ainda segundo a Secis, os exemplares sem tutor ficam vulneráveis a ventos fortes, insolação intensa, pragas e doenças. A planta pode não sobreviver aos primeiros meses, período que é decisivo para o seu desenvolvimento e fixação no solo.
Prejuízos coletivos e o papel essencial da população na denúncia
De acordo com a gestão municipal, a destruição das mudas gera prejuízos ambientais e sociais de natureza coletiva, além de ser um ato ilegal. Ainda segundo a prefeitura, a destruição de cada muda significa menos sombra e menor conforto térmico para os cidadãos, e além da redução da cobertura vegetal, aumenta a formação de ilhas de calor e diminui a qualidade do ar na área urbana.
O ataque ao patrimônio natural também impacta a biodiversidade urbana e torna as ruas e praças menos bonitas e acolhedoras para o convívio social e lazer. O ato de arrancar a ponta da muda, o chamado ‘olho’ ou gema apical, também tem consequências graves. Ao ter esta parte removida, a muda simplesmente deixa de crescer e pode morrer.
“Quando a ponta da muda, o ‘olho’ ou gema apical, é arrancada, ela simplesmente deixa de crescer e pode morrer. Isso nos obriga a refazer o plantio, gerando custos, retrabalho e atraso na arborização dos espaços públicos”, alertou Ivan Euler.
O titular da Secis complementou ainda que o valor de cada exemplar plantado transcende o custo financeiro e representa um avanço coletivo. “Cada muda destruída é um retrocesso coletivo. Cada muda que cresce é um ganho para toda a cidade. Cuidar das mudas é cuidar de Salvador, garantindo um futuro mais fresco, saudável e sustentável para todos”, concluiu.
Por fim, a gestão municipal enfatizou que seguirá ampliando o programa de arborização, fortalecendo as ações de educação ambiental e monitorando as áreas críticas. A Prefeitura de Salvador também reforçou que a população pode denunciar atos de vandalismo contra as mudas e o patrimônio público ligando para o número 156. O canal de denúncia funciona como um serviço de apoio à Secis e à preservação da cidade.
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