Mulheres ocupam a Paulista em ato nacional contra feminicídio

Mobilização denuncia crimes recentes e integra agenda nacional do Levante Mulheres Vivas


Redação
Estadão Conteúdo e Redação 07/12/2025 17:30 • Cidades
Mulheres ocupam a Paulista em ato nacional contra feminicídio -
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Manifestantes ocuparam a Avenida Paulista na tarde deste domingo (7) em protesto contra o feminicídio e para denunciar o avanço dos casos no Brasil. O ato foi impulsionado pela repercussão de crimes registrados nas últimas semanas em diferentes estados e mobilizou movimentos de mulheres, familiares de vítimas e organizações sociais.

A manifestação destacou casos ocorridos em São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Pernambuco e Recife, reforçando o crescimento dos índices de violência de gênero. O movimento também incorporou o calendário nacional de mobilizações do Levante Mulheres Vivas, que promove atos em diversas cidades do país entre os dias 6 e 14 de dezembro.

“Nenhuma de nós pode ficar fora. Não adianta se revoltar só na rede social. É preciso ir às ruas no dia 7, por justiça para todas as mulheres vítimas de feminicídio, por mais políticas públicas eficazes, por investimento na rede de atendimento às mulheres, por educação e respeito. Para o fim das violências, autonomia e emancipação das mulheres, porque nós queremos viver, queremos criar nossas filhas e filhos em paz, queremos um país onde ser mulher não seja uma sentença de risco” afirmou a secretária nacional de Mulheres do PT, Anne Moura.

Feminicídios recentes impulsionam protestos

Os crimes de maior repercussão envolveram mulheres de diferentes cidades. Em São Paulo, Taynara Santos de 31 anos teve as pernas amputadas após ser atropelada e arrastada por um quilômetro na Marginal Tietê. A defesa da vítima e um amigo do agressor afirmam que o autor agiu de forma intencional com objetivo de matar a mulher. Ainda na capital, Evelyn de Souza Saraiva de 38 anos foi morta a tiros pelo ex-companheiro enquanto trabalhava na zona norte.

No Rio de Janeiro, duas funcionárias do Centro Federal de Educação Tecnológica foram assassinadas por um servidor da instituição. Em Brasília, a cabo do Exército Maria de Lourdes Freire Matos de 25 anos foi encontrada carbonizada após o soldado Kelvin Barros da Silva confessar o crime. No Recife, uma mulher grávida e quatro filhos morreram em um incêndio cujo principal suspeito é o pai das crianças.

O feminicídio é tipificado pela Lei 13.104/2015 e corresponde ao assassinato de mulheres em contexto de violência doméstica ou motivação de gênero.

Aumento dos casos preocupa autoridades e movimentos

Dados da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo mostram que a capital registrou em dez meses o maior número de feminicídios desde o início da série histórica em 2015. Os números já ultrapassam todos os demais anos, incluindo 2024, que havia encerrado com 51 casos.

Em escala nacional, o Ministério das Mulheres registra mais de 1.180 feminicídios em 2025 e quase 3 mil atendimentos diários pelo Ligue 180. O Mapa Nacional da Violência de Gênero também indica que cerca de quatro mulheres foram assassinadas por dia em 2024 em razão do gênero.

A Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher, realizada pelo DataSenado com o Observatório da Mulher contra a Violência, aponta que 3,7 milhões de brasileiras sofreram violência doméstica nos últimos 12 meses. Em 71 por cento dos casos, a agressão ocorreu na presença de outras pessoas, muitas delas crianças.

Segundo o estudo, 58 por cento das vítimas sofrem violência há mais de um ano e 38 por cento foram agredidas pela primeira vez antes dos 20 anos.

“Nós não podemos mais aceitar que o Brasil siga sendo um país que mata mulheres. Cada feminicídio é um alerta, um grito interrompido, uma vida arrancada pela misoginia, pela violência e pela omissão do Estado e da sociedade. Nós estamos vivendo um momento de muita crueldade contra as mulheres e meninas e é justamente agora que precisamos estar juntas, vivas, fortes e mobilizadas” completou Anne.

A convocação também relembra a mobilização do movimento Ele Não, que levou milhares de mulheres às ruas em 2018.

A agenda nacional de atos segue entre os dias 6 e 14 de dezembro, com atividades em cidades do Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul. No Nordeste, os atos ocorrem em Maceió, Fortaleza, São Luís, Parnaíba, Teresina, Natal, Recife, Aracaju, João Pessoa e Salvador. No Sudeste, São Paulo concentrou mobilizações neste domingo (7). Em outras regiões, os atos passam por Belém, Marabá, Manaus, Boa Vista, Palmas, Santarém, Brasília, Goiânia, Campo Grande e Cuiabá.

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