Maioria dos brasileiros aprova megaoperação no Rio que deixou 121 mortos, mostra pesquisa AtlasIntel
Levantamento mostra que 55,2% da população é favorável à ação, enquanto 42,3% desaprovam
Tomaz Silva/Agência Brasil
A maioria dos brasileiros aprovou a megaoperação policial contra o Comando Vermelho (CV) que resultou em 121 mortos no Rio de Janeiro, segundo pesquisa AtlasIntel divulgada nesta sexta-feira (31). O levantamento mostra que 55,2% da população é favorável à ação, enquanto 42,3% desaprovam. A operação, deflagrada na terça-feira (28), superou os números de Jacarezinho (2021) e Vila Cruzeiro (2022), e foi a mais letal da história do Rio de Janeiro.
Durante coletiva de imprensa após os confrontos, o governador Cláudio Castro (PL) declarou que as únicas vítimas identificadas pelas forças de segurança foram os quatro policiais mortos na ação. Ele afirmou que as “verdadeiras vítimas foram os policiais”. o governador destacou que se “solidariza com os quatro guerreiros” e que determinou que as famílias dos agentes sejam amparadas pelo estado.
A declaração gerou reações de setores políticos e de organizações de direitos humanos, que cobram transparência sobre a identidade dos demais mortos.
Apoio cresce entre moradores de favelas
Na capital fluminense, a aprovação à operação é ainda maior: 62,2% dos entrevistados consideram a ação positiva, e 62,3% avaliam que as forças policiais atuaram de forma adequada. Entre moradores de favelas, o apoio sobe para 80%, contra 51% entre os que vivem fora dessas áreas. No cenário nacional, 52,5% acreditam que o nível de violência empregado foi adequado, enquanto 45,8% o classificam como excessivo.

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
A pesquisa também aponta que 56% dos brasileiros defendem a realização de novas megaoperações, e 35% se opõem a essa estratégia. No Rio de Janeiro, o índice de apoio sobe para 62%, e a rejeição cai para 32%. Especialistas avaliam que o resultado reforça a percepção de insegurança e a demanda por respostas mais duras ao crime organizado.
Entre os temas avaliados, o desempenho de autoridades na área de segurança pública divide opiniões. Segundo o levantamento, 50% desaprovam a atuação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), 31% aprovam e 19% consideram regular. Entre os governadores, a desaprovação média é de 35%, com 28% de aprovação e 36% de avaliação intermediária.
59% dos cariocas desaprovam atuação de Lula na segurança
No Rio de Janeiro, 59% desaprovam a atuação de Lula na segurança, enquanto o governador Cláudio Castro tem 45% de rejeição e 36% de aprovação. Em resposta à crise, governadores de direita anunciaram na quinta-feira (30) a criação do “Consórcio da Paz”, voltado à troca de experiências e equipamentos no combate ao crime. Eles também manifestaram oposição à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública.
Participaram do encontro Jorginho Mello (PL), de Santa Catarina; Romeu Zema (Novo), de Minas Gerais; Ronaldo Caiado (União), de Goiás; Eduardo Riedel (PP), do Mato Grosso do Sul; e a vice-governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP). O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), acompanhou as discussões de forma remota.
Tarcísio declarou que a operação foi “necessária” diante do domínio territorial exercido por facções criminosas. “Você tem uma questão de domínio de território por facções criminosas, e isso configura perda de soberania”, afirmou, em referência ao debate nacional sobre o tema. A fala foi interpretada como contraponto ao discurso de soberania nacional defendido por Lula.
GLO e críticas ao governo federal
O levantamento também mediu o apoio a medidas federais no contexto de Garantia da Lei e da Ordem (GLO). De acordo com o estudo, 64% dos brasileiros defendem o envio de veículos blindados ao Rio, enquanto 19% são contra. Ao solicitar ajuda da União, Castro destacou que não pediu GLO. “O governador não tem que pedir GLO. O governador pede ajuda, pede gente, infraestrutura, recurso, inteligência. O instrumento jurídico quem define é o governo federal”, disse o governador.
A pesquisa ainda avaliou a repercussão política da cerimônia de posse do novo ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL). Metade dos entrevistados (50,1%) considerou inapropriado o minuto de silêncio em memória das vítimas da operação, enquanto 43,8% viram o gesto como adequado. Durante o discurso, Boulos afirmou que “a cabeça do crime organizado está na lavagem de dinheiro na Faria Lima, e não em um barraco de favela”.
O episódio reacendeu o embate entre governadores alinhados à direita e o governo federal. Segundo o levantamento, 44,3% dos brasileiros associam o campo político da direita às melhores propostas para o combate ao crime, enquanto 33,9% citam a esquerda, e 10,4% consideram que nenhum dos lados oferece soluções eficazes. O resultado reforça o caráter polarizado das percepções sobre segurança pública no país.
Pesquisa ouve mais de mil brasileiros
A pesquisa AtlasIntel ouviu 1.089 brasileiros adultos entre os dias 29 e 30 de outubro, por meio de recrutamento digital aleatório via Atlas RDR. A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.
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