Chefes do tráfico da Bahia estão entre mortos em megaoperação no Rio de Janeiro
Baianos do Comando Vermelho tinham atuação direta em Feira de Santana e outras cidades do interior
Tomaz Silva/Agência Brasil
A Cúpula da Segurança Pública do Rio de Janeiro confirmou, nesta sexta-feira (31), que seis suspeitos baianos morreram na megaoperação realizada nos complexos da Penha e do Alemão, na última terça-feira (28). Três deles foram identificados como chefes do tráfico de drogas na Bahia, com atuação direta em Feira de Santana e outras cidades do interior.
A ação, considerada uma das maiores operações policiais da história recente do país, resultou em 121 mortes, sendo 117 suspeitos e quatro policiais, de acordo com o balanço divulgado pelas autoridades fluminenses. Segundo a polícia, a operação teve como objetivo desarticular a cúpula do Comando Vermelho (CV), que, a partir das comunidades do Alemão e da Penha, comanda o tráfico em 25 estados brasileiros, incluindo a Bahia.
Mortos em operação eram chefes de facção na Bahia
Entre os seis baianos mortos, três foram apontados como lideranças do tráfico de drogas: Mazola, DG e FB. O trio era conhecido pelas forças de segurança baianas e, segundo a polícia fluminense, mantinha ligações diretas com a cúpula do Comando Vermelho no Rio de Janeiro.
Mazola, identificado como Danilo Ferreira do Amor Divino, nasceu em Feira de Santana e era conhecido também como “Dani”. Ele foi apontado pelo chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro, Felipe Curi, como o principal comandante do tráfico no município, que é a segunda maior cidade da Bahia e um dos principais polos de atuação da facção no Estado.
DG, identificado como Diogo Garcez Santos Silva, também atuava em Feira de Santana e tinha passagens pela polícia por associação para o tráfico e porte ilegal de arma de fogo. Já FB, cujo nome é Fábio Francisco Santana Sales, tinha registro policial por ameaça na cidade de Alagoinhas, no interior baiano.
A confirmação das mortes corrige informações iniciais divulgadas durante a semana, que apontavam a prisão dos três chefes durante a megaoperação. Segundo a Cúpula da Segurança, as circunstâncias das mortes ainda não foram detalhadas.
Facção mantém base de comando no Rio e presença nacional
De acordo com as investigações da Polícia Civil fluminense, os complexos da Penha e do Alemão funcionam como centro de comando estratégico do Comando Vermelho, de onde partem as ordens e diretrizes para as facções parceiras em outros estados.
“São desses complexos que partem todas as ordens, decisões e diretrizes para todos os estados onde o Comando Vermelho tem atuação — praticamente todo o Brasil”, afirmou Felipe Curi.
Na megaoperação, além dos baianos, foram identificados criminosos de oito estados diferentes. Entre os 99 mortos já identificados, 40 eram de fora do Rio: 13 do Pará, sete do Amazonas, seis da Bahia, quatro do Ceará, quatro de Goiás, três do Espírito Santo, um da Paraíba e um de Mato Grosso.
Balanço da operação e relação com a Bahia
Segundo o balanço oficial, a megaoperação resultou em:
- 121 mortes, sendo 117 suspeitos e 4 policiais;
- 113 prisões, incluindo 33 pessoas de outros estados — entre elas, 16 baianos;
- 10 menores apreendidos;
- 91 fuzis, 26 pistolas e 1 tonelada de drogas confiscados.
Na operação, um baiano identificado como Júlio Souza Silva, de 26 anos, também foi morto. Ele era apontado como integrante do Comando Vermelho e atuava na região do Nordeste de Amaralina, em Salvador.
A presença de criminosos baianos no Rio confirma a expansão da facção no estado. Segundo investigações das forças de segurança, o Comando Vermelho mantém células ativas em mais de 15 bairros de Salvador, com forte presença em áreas como Nordeste de Amaralina, Engenho Velho da Federação e Sussuarana, além de conexões no interior, em Feira de Santana e Lauro de Freitas.
Repercussão política e apuração nacional
A operação, que causou repercussão nacional e internacional pela quantidade de mortos, motivou a criação da CPI do Crime Organizado no Senado Federal. O colegiado, que será instalado na próxima terça-feira (4), contará com nomes como Jaques Wagner (PT-BA) e Otto Alencar (PSD-BA), representando a Bahia na apuração da estrutura e expansão das facções.
Wagner defendeu que o tema seja tratado com seriedade e união institucional, e condenou tentativas de exploração política do episódio. “Quem quiser tirar fatura política com o que aconteceu no Rio de Janeiro está no caminho errado. Precisamos dar as mãos, porque a segurança é um problema nacional”, declarou o senador baiano.
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