Após operação com 121 mortos, governadores se articulam contra PEC da Segurança e criam Consórcio da Paz
Cláudio Castro, Caiado, Zema e outros líderes afirmam que proposta ameaça autonomia dos Estados e defendem cooperação contra crime organizado
Divulgação/GOVRJ
Governadores de direita se reuniram no Palácio Guanabara, no Rio de Janeiro, dois dias após a Operação Contenção, que deixou 121 mortos nos complexos da Penha e do Alemão, para discutir os impactos da ação e os rumos da segurança pública no país. O encontro, realizado nessa quinta-feira (30), resultou em duas decisões principais: o repúdio à PEC da Segurança Pública, proposta que, segundo os gestores, retira a autonomia dos Estados, e o lançamento do “Consórcio da Paz”, iniciativa interestadual voltada à cooperação no combate ao crime organizado.
Críticas à PEC da Segurança Pública
O governador Cláudio Castro (PL-RJ) afirmou que o ponto central de discordância entre os gestores é a tentativa de concentrar, no governo federal, decisões estratégicas sobre segurança pública. Para ele, o texto da PEC desconsidera as diferentes realidades regionais e enfraquece o poder de decisão dos Estados. O gestor também defendeu que o debate não deve se transformar em uma disputa ideológica.
“O Brasil é um país muito grande, não dá para tratar o Rio Grande do Sul igual ao Rio de Janeiro, igual ao Acre, igual ao Amazonas e igual ao Mato Grosso. Não estamos fazendo uma luta da esquerda contra a direita. Estamos dispostos a conversar, ouvir e aprender”, disse.
Entre os presentes, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil), reforçou a crítica à proposta, afirmando que a PEC interfere diretamente na autonomia estadual. Ele afirmou ter encaminhado sugestões de alteração ao relator da proposta, o deputado federal Mendonça Filho (União-PE), entre elas o acesso dos governadores ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e a responsabilização do governo federal pelos crimes de tráfico de drogas e lavagem de dinheiro.
A vice-governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), se emocionou ao comentar as imagens da megaoperação no Rio e destacou a necessidade de diálogo suprapartidário. “É preciso acabar com a lacração da direita, da esquerda e do centro”, afirmou.
Cooperação interestadual e criação do ‘Consórcio da Paz’
Durante o encontro, os governadores também anunciaram a criação do “Consórcio da Paz”, que funcionará como um mecanismo permanente de troca de informações, experiências e equipamentos entre os Estados. A proposta, apresentada por Cláudio Castro, prevê que o Rio de Janeiro abrigue a sede da iniciativa e que outros governos sejam convidados a integrar o grupo.
“Faremos um consórcio no modelo de outros já existentes, para dividir experiências e ações de combate ao crime organizado. Propus que a sede seja no Rio de Janeiro”, afirmou Castro.
O governador de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL), sugeriu que o consórcio viabilize compras conjuntas de equipamentos de segurança, como forma de reduzir custos e padronizar tecnologias utilizadas pelas polícias estaduais.
“Com a compra consorciada, conseguimos jogar os preços para baixo. Precisamos de equipamentos de toda espécie para enfrentar essa onda de violência”, afirmou.
Já Caiado defendeu que o grupo priorize a integração de inteligência e ações operacionais emergenciais, com respostas rápidas a Estados em situação crítica. Para ele, a atuação conjunta permitirá maior eficiência no enfrentamento a facções interestaduais e redes de tráfico que operam em diferentes regiões do país.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), participou da reunião de forma remota, enquanto também estiveram presentes os governadores Romeu Zema (Novo-MG) e Eduardo Riedel (PP-MS), além da vice-governadora Celina Leão.
Operação mais letal da história do país
A Operação Contenção, conduzida pelo governo fluminense na última terça-feira (28), é considerada a mais letal da história do Brasil. O balanço oficial confirma 121 mortos em confrontos com integrantes do Comando Vermelho, mas a Defensoria Pública do Estado contabiliza 132 vítimas. As ações mobilizaram cerca de 1.000 agentes das forças estaduais e federais, com uso de aeronaves, veículos blindados e unidades de inteligência.
De acordo com o governador do Rio de Janeiro, o objetivo da operação era desarticular bases de comando do tráfico e reduzir a capacidade de reação das facções. O episódio, porém, reacendeu o debate sobre abuso de força policial, letalidade das operações e coordenação federativa na política de segurança.
Governadores e parlamentares aliados prestaram apoio público a Cláudio Castro, classificando a operação como “necessária diante do avanço das facções criminosas”. Já entidades de direitos humanos pediram investigação independente e transparência nos relatórios oficiais, afirmando que a ação pode ter extrapolado os limites legais.
Debate nacional e próximos passos
A mobilização dos governadores representa um reposicionamento político em torno da segurança pública, com Estados buscando maior autonomia e protagonismo diante do crescimento do crime organizado. O “Consórcio da Paz” deve iniciar suas atividades nas próximas semanas, com grupos técnicos encarregados de definir protocolos de inteligência compartilhada, programas de treinamento e estratégias de financiamento conjunto.
Enquanto isso, o futuro da PEC da Segurança Pública permanece incerto no Congresso Nacional. O tema deve voltar à pauta da Câmara dos Deputados, mas enfrenta resistência entre governadores e parlamentares que defendem a preservação do pacto federativo como base das políticas de segurança no país.
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