Governador envia comitiva para mediar conflitos agrários no Extremo-sul da Bahia
Governo do Estado busca resolver tensões entre indígenas e fazendeiros na região com uma série de ações voltadas ao diálogo e à pacificação

Uma comitiva enviada pelo governador Jerônimo Rodrigues (PT) desembarcou, nesta segunda-feira (31), no município de Prado, no Extremo-sul da Bahia. Os secretários estaduais Adolpho Loyola (Relações Institucionais) e Felipe Freitas (Justiça e Direitos Humanos) tem como missão conversar com as lideranças indígenas da região e buscar soluções para os conflitos agrários com fazendeiros locais, que resultou no bloqueio na BR-101, na última quarta-feira (26).
A superintendente de Políticas para Povos Indígenas da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial e dos Povos e Comunidades Tradicionais (Sepromi), Patrícia Pataxó, também acompanha a comitiva. O envio dos dirigentes a Prado acontece após reuniões com o setor rural e sindicalista, nos quais o governador determinou a adoção de medidas para pacificar a situação e melhorar as relações no campo.
Situação de tensão na região: bloqueios e reivindicações
A tensão no Extremo-Sul da Bahia tem se intensificado nos últimos meses, principalmente devido aos conflitos agrários envolvendo comunidades indígenas, em especial o povo Pataxó, e os fazendeiros. Os indígenas têm reivindicado terras que consideram ancestrais e que, segundo eles, foram tomadas de suas comunidades ao longo dos anos. Em resposta, fazendeiros alegam invasões de propriedades, com o roubo de produção agrícola e até a expulsão de trabalhadores rurais.
Um grupo de indígenas bloqueou novamente a BR-101, na cidade de Itamaraju, nesta última quarta-feira (26), pedindo a liberação de lideranças Pataxó que haviam sido detidas durante a Operação Pacificar, realizada pela Polícia Federal. Eles também exigem mais agilidade do governo federal na publicação de portarias para regularizar a situação das terras indígenas reivindicadas. Para os indígenas, a ocupação das terras é uma forma legítima de “retomada”, já que as áreas são reivindicadas há mais de 40 anos.
Na ocasião, o Conselho de Caciques do Território Indígena Barra Velha declarou que as ocupações são um direito das comunidades, uma vez que os povos indígenas buscam recuperar o que consideram como seus territórios originais. A falta de uma solução definitiva para a questão fundiária tem gerado constantes confrontos e a necessidade urgente de um diálogo entre todas as partes envolvidas.
Governo do Estado se posiciona e busca diálogo
A comitiva que chegou a Prado foi enviada pelo governador Jerônimo Rodrigues com o objetivo de buscar uma solução para os impasses. A prioridade do governo estadual é promover o diálogo entre as partes envolvidas, entendendo as demandas dos indígenas e apresentando as ações do governo para atender às necessidades da região.
Durante a visita, o secretário Adolpho Loyola destacou que a missão da comitiva é estreitar o relacionamento com as comunidades indígenas e buscar soluções pacíficas para a questão.
“Seguindo as orientações do governador Jerônimo Rodrigues, voltamos aqui a região para abrir esse diálogo com a comunidade indígena, para que possamos trazer essa paz aqui para o extremo sul da Bahia”, afirmou Loyola.
Segundo Loyola, o governo estadual reconhece a necessidade de políticas públicas que atendam tanto aos povos indígenas quanto à população rural, buscando uma convivência harmônica e o respeito aos direitos territoriais.
Segundo o secretário Felipe Freitas é necessário que tenha um respeito mútuo entre as partes.
“Vamos escutar as demandas por políticas públicas de direitos, por terra, por educação, por trabalho, e vamos também apresentar o trabalho e as ações do governo dentro dessa pauta”, disse Felipe Freitas
Importância da escuta ativa
De acordo com Patrícia Pataxó, superintendente de Políticas para Povos Indígenas, o governo estadual tem dado ênfase à escuta ativa das comunidades indígenas.
“Essa escuta nos permite traçar caminhos e metas, para que possamos trazer paz, para que possamos conviver harmoniosamente, garantindo direitos e acesso a políticas públicas para o povo Pataxó”, explicou Pataxó.
De acordo com a superintendente, ouvir as lideranças indígenas é fundamental para a criação de políticas públicas que atendam às necessidades específicas da comunidade e, ao mesmo tempo, para garantir que os direitos territoriais sejam respeitados de acordo com a legislação brasileira.
Governador explica ausência de indígenas em reunião sobre conflitos agrários
O governador Jerônimo Rodrigues (PT) se pronunciou na última terça-feira (25), sobre a ausência de lideranças indígenas na reunião inicial para tratar dos conflitos agrários no Extremo-Sul da Bahia. Segundo o governador, a decisão de não incluir os representantes indígenas naquele momento foi tomada para evitar tensões. Ele esclareceu que não houve qualquer intenção de exclusão, destacando que a reunião, realizada na última segunda-feira (24), teve a presença de autoridades do setor rural e sindicalistas. Jerônimo também reforçou que, como pessoa de origem indígena, ele sempre se mostrou receptivo às críticas e não hesita em buscar soluções para a paz na região.
Ainda durante a entrevista, o governador mencionou que um novo encontro com os movimentos indígenas e sem terra está previsto para ocorrer ainda nesta semana. A medida visa criar um espaço para o diálogo e as negociações, a fim de resolver as questões fundiárias de forma pacífica e eficaz. Jerônimo enfatizou que o governo estadual tem trabalhado em conjunto com as forças de segurança para lidar com a situação, e que, apesar das dificuldades, a prioridade é manter a ordem e buscar soluções negociadas para os conflitos que envolvem os indígenas e o agronegócio.
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